Alok falou sobre os impactos da inteligência artificial na música e fez um alerta sobre os limites do uso da tecnologia na criação artística. Em entrevista no Uberaba Rodeo Show, no sábado (19), o DJ afirmou que a IA já influencia a produção musical, mas defendeu que a arte continue sob responsabilidade humana.
“Eu acho que já está sendo influenciado assim, e é interessante que, ano passado, quando eu trouxe o manifesto do Keep Art Human lá no Coachella, que é manter a arte humana, é porque a inteligência artificial veio trazendo para todo mundo um conforto enorme. E aí, a área que atingiu primeiro foi a artística, porque, se você lembra, começou a fazer o lance dos cartoons, a galera começou a falar: ‘Ué, mas você vai fazer música e botar no prompt?’”
Para o DJ, a expansão da inteligência artificial para diferentes setores aumentou a preocupação sobre os efeitos da tecnologia. Ele disse que a ferramenta pode ser utilizada, mas não deve substituir o papel da criação humana.
“O que eu acho é que, assim, eu tenho falado sempre: a inteligência artificial vem para nos trazer conforto, mas a arte não é só para confortar, também é para confrontar, fazer refletir, pensar, mover a cultura para frente. É a forma como você molda uma cultura que bota na sociedade também visões de mundo. Então, não dá para transferir essas responsabilidades para a IA.”
Alok afirmou que já utiliza ferramentas de inteligência artificial em determinadas situações, como na extração de vocal, mas contou que tem evitado recorrer à tecnologia após descobrir que, segundo ele, mais de 300 músicas suas estariam sendo estudadas pelo Suno, sem autorização, para recriar faixas.
“Você pode usar ela como uma ferramenta, como a gente usa, por exemplo, para extração de vocal, algumas coisas assim, mas até isso estou evitando agora porque é quase como se eu também estivesse aderindo a um sistema que eu fiquei sabendo, por exemplo, esses dias, que mais de 300 músicas minhas estão sendo estudadas pelo Suno, pela inteligência artificial, sem autorização, para recriar músicas.”
Questionado sobre o que isso representa para um artista, ele afirmou que as músicas estariam sendo usadas para alimentar sistemas capazes de gerar novas criações sem consentimento, e disse que o problema atingiria outros nomes do setor.
“É tipo assim: os artistas, a gente começou a dar muita informação para, na verdade, sem a nossa autorização, a inteligência artificial estudar todas as nossas músicas, pegar elas e aí começar a recriar outras músicas sem a nossa autorização.”
“Mas não é só a minha, tá? Todos os artistas estão tendo suas músicas também. Você pode botar um prompt hoje e pedir para fazer, e a inteligência vai fazer.”







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