O candidato ao Governo do Maranhão André Luís (Missão) concedeu entrevista ao vivo neste sábado (19), na qual apresentou propostas para a gestão estadual. Entre os pontos citados, defendeu o endurecimento das penas na segurança pública, a redução da estrutura administrativa do Estado e a realização de concurso público para a área da saúde, além de mudanças na gestão dos serviços públicos.
Segurança pública e o lema “Prendeu, Matou”
No início da entrevista, André Luís foi questionado sobre o lema associado ao Partido Missão e ao Movimento Brasil Livre (MBL), “Prendeu, Matou”, e se a proposta seria inconstitucional, além de qual seria, segundo ele, o limite da atuação policial em um eventual governo. O candidato afirmou que o limite seria a legalidade e disse que o lema faz parte de um projeto que chama de “desfabilização e endurecimento das penas”.
“O limite é a legalidade, mas antes de entrar nesse assunto, que eu preciso me aprofundar para tirar todas as dúvidas, deixa eu fazer minha apresentação. O meu nome é André Luiz e, em cuidado, em respeito ao companheiro nosso aqui que tem deficiência visual, eu quero fazer minha descrição.”
“Eu sou um homem negro, um pouco acima do peso, estou com uma camisa azul, uma calça jeans e um sapato preto e uso óculos. Tenho 41 anos, sou casado desde os 19 anos com a mesma namorada de adolescência e sou grato a Deus pela oportunidade de ter tido dois filhos, casei a minha filha mais velha no mês de julho.”
“E estou hoje concorrendo ao governo do estado do Maranhão com uma nova proposta de ruptura com o jeito de se fazer política tradicionalmente. E essa ruptura parte muito para os nossos projetos. Inclusive o Prendeu Matou, ele se destacou, mas na verdade o projeto chama-se desfabilização e endurecimento das penas.”
“Então, o endurecimento das penas não é inconstitucional, porque é um clamor popular. Segurança pública é a pauta número um no Brasil hoje e o Maranhão também não poderia ser diferente. As pessoas estão cansadas de andar nas ruas com dois celulares. E você que me acompanha de casa sabe a preocupação que é ver o seu filho sair de manhã e voltar tarde da noite com medo de assaltos, ter aquela preocupação de ter que buscar um ponto de ônibus e voltar.”
“Isso acontece porque o criminoso, lamentavelmente, não tem medo da justiça. Ele tem quase que a certeza da impunidade. Então, leis duras para que o criminoso tenha medo, receio de cometer crimes. E principalmente o endurecimento das penas, principalmente para os líderes de organização criminosa, que com isso a gente quer acelerar a prisão desses membros, libertando hoje famílias que estão reféns do crime organizado.”
“E a pauta de desfabilização vai fazer a junção com o endurecimento das penas, trazendo de fato entrega de documento para as comunidades que hoje não têm acesso ao documento da sua casa, acesso a crédito para que aconteça reformas e abertura das ruas para entrar ali também direitos que hoje é negado àquelas famílias.”
Questionado novamente sobre a possibilidade de o lema estimular uma interpretação literal de execução de suspeitos, o candidato afirmou que a frase teria surgido de um sentimento de indignação da população diante da violência e citou um episódio ocorrido em São Paulo ao explicar a origem da expressão.
“Acredito que não, Rodrigo, porque a gente tem essa oportunidade de conversar com as pessoas. E você que está em casa sabe do que eu estou falando. Você também fica indignado quando acontece um crime que você vê a ineficiência, aquelas mãos atadas que você fica diante do crime.”
“Renan Santos, ao ver essa notícia, ele fez assim, desse jeito como eu estou falando para você. Colocou a mão na cabeça e falou, o que pode fazer com um cara desse, que mesmo pegando o celular, dá um tiro no cidadão de bem e mata ele. Aí isso aí é só prender ou matar um cidadão desse. Porque se a polícia aborda e ele está armado e não se rende, a polícia tem que ter a autoridade, a legitimidade e a defesa do governo para executar aquele criminoso.”
“Ele não pode sair impune, caso ele não se renda. Por isso que eu falei, prendeu ou matou. Parou, mãos para o alto, não se rendeu com a mão, com arma em punho, o policial tem que ter autonomia para poder executar.”
“O nosso povo vai conseguir identificar o que é um sentimento popular, que você também tem esse sentimento quando acontece algo que você se vê de mãos atadas, de um projeto de governo. Meu nome é André Luiz, eu estou hoje aqui apresentando meus planos de governo para o estado do Maranhão e a pauta de desfabilização e endurecimento das penas por meio da lei do jurista alemão Guente Giacobis, que quer de fato endurecer as penas, é de fato nosso plano de governo para a área da segurança pública no estado do Maranhão.”
Violência doméstica e presença do Estado
André Luís também foi questionado por um estudante sobre políticas públicas de combate à violência doméstica contra a mulher, diante da afirmação de que não havia encontrado no plano de governo do candidato medidas específicas para o tema. Ele disse que o plano de segurança pública do partido é direcionado à população em geral e que a proposta de “desfabilização” teria impacto no enfrentamento do feminicídio e da violência doméstica.
“Nós do Partido Missão trabalhamos de um jeito um pouco diferente. Nós somos contra essa ideia de colocar pessoas como se fossem personagens da nossa história. O nosso plano de segurança pública é para todos.”
“Quando a gente apresentar o planejamento de desfabilização, que quer levar também direitos para as comunidades, vai atender com certeza as mulheres que hoje são vítimas do feminicídio e também de violência doméstica, porque precisa lembrar que a maioria do feminicídio acontece dentro dos lares.”
“Então, o planejamento de desfabilização prevê a abertura das ruas, a entrega de acesso a documentos, acesso a recursos para poder fazer as reformas e a remoção de algumas famílias para outras construções que serão feitas na mesma região, para que ninguém seja deslocado do bairro onde mora.”
“Mas o endurecimento das penas e a desfabilização vai de fato levar policiamento, presença do Estado para ambientes hoje onde o crime organizado domina e o agressor se sente liberado, se sente livre para deitar e rolar e fazer o que ele quer.”
“Presença do Estado também é estar onde o Estado não chega. E hoje a maioria dos casos de agressão acontece em lugares onde o Estado não está presente.”
Entrevista e dinâmica de perguntas
André Luís foi o sexto a participar de uma série de entrevistas, com duração de 30 minutos e divisão em dois blocos. Ele respondeu a perguntas elaboradas por 32 estudantes maranhenses, de quatro instituições de ensino, sorteadas ao vivo, além de questionamentos feitos pelos apresentadores.
A ordem de entrevistas listada foi: 14 de setembro (segunda-feira): Orleans Brandão (MDB); 15 de setembro (terça-feira): Saulo Arcangeli (PSTU); 16 de setembro (quarta-feira): Roberto Rocha (PRTB); 17 de setembro (quinta-feira): Reginaldo Lima (PCB); 18 de setembro (sexta-feira): Eduardo Braide (PSD); 19 de setembro (sábado): André Luís (Missão); 21 de setembro (segunda-feira): Felipe Camarão (PT).
Economia
Na área econômica, André Luís foi questionado sobre como pretende garantir que a chegada de novos investimentos ao Maranhão resulte em empregos qualificados, renda e oportunidades para a população local. O candidato afirmou que sua proposta de desenvolvimento está ligada ao projeto de “desfabilização”, segundo ele voltado a levar equipamentos.







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