Após a derrota para Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) afirmou neste domingo (4) que fez um “embate de alto nível” durante a campanha e desejou “o melhor” para o estado. O petista disse ainda que pretende atuar como oposição “da maneira mais construtiva possível” para melhorar as condições de vida da população.
Após a confirmação da vitória de Tarcísio, Haddad contou que ligou para o governador reeleito, às 19h11, para cumprimentá-lo e desejar boa sorte. Esta foi a segunda vez que Haddad disputou o governo de São Paulo. Em 2022, ele chegou ao segundo turno contra Tarcísio, mas terminou derrotado.
"Críticas que foram estudadas com consistência, com coerência, com aquilo que a gente pensa que é o melhor para a sociedade paulista, o melhor para a sociedade brasileira"
Haddad acompanhou a apuração no Hotel Meliá Paulista, na Avenida Paulista, na capital. Durante a apuração, o clima entre os apoiadores no hotel era de tensão. Os presentes acompanhavam a contagem dos votos pelo telão montado no local e demonstravam preocupação à medida que a vantagem de Tarcísio aumentava.
"Desejar o melhor para o nosso estado, nos colocar, enquanto oposição, da maneira mais construtiva possível para melhorar as condições de vida da nossa gente"
Às 20h35, com 95,45% das urnas apuradas, Tarcísio tinha 62,71% dos votos válidos, contra 36,37% de Haddad.
O presidente estadual do PT em São Paulo, Kiko Celeguim, falou antes de Haddad e disse que o foco agora do diretório do partido no estado será acompanhar a campanha do presidente e candidato à reeleição Lula (PT) para o segundo turno. A candidata ao Senado Marina Silva (Rede), que não foi eleita, também participou da cerimônia após a confirmação do resultado.
Campanha e trajetória de Haddad
Haddad chegou à campanha de 2026 como ex-ministro da Fazenda do governo Lula e voltou a disputar o governo paulista dois anos depois de ter sido derrotado por Tarcísio no segundo turno de 2022. O PT oficializou a candidatura em julho, em uma convenção em Campinas, com Márcio França (PSB) como candidato a vice-governador.
A campanha começou oficialmente em agosto, com Haddad ao lado de Lula em São Bernardo do Campo, cidade que é um dos principais símbolos da história do PT. Haddad voltou ao reduto petista na sexta-feira (2).
Desde os primeiros atos, o candidato buscou associar sua candidatura ao governo federal e apresentar a eleição estadual como uma disputa entre projetos diferentes para São Paulo.
As privatizações realizadas ou defendidas pelo governo Tarcísio estiveram entre os principais alvos de Haddad durante a campanha. O petista criticou a privatização da Sabesp e a concessão de serviços de transporte, além de explorar problemas registrados em serviços administrados por empresas privadas.
Nos debates entre os dois, na Band, em agosto, e na TV Globo, em setembro, privatizações, economia, segurança pública e a relação com o governo federal estiveram entre os principais temas do confronto.
Haddad também concentrou parte da campanha em propostas econômicas. Entre elas, defendeu a reindustrialização de São Paulo, a criação de um banco de desenvolvimento estadual inspirado no BNDES e maior aproximação entre universidades, Fapesp e empresas. Na reta final, afirmou que a formação profissional e o Ensino Médio deveriam ser adaptados às novas demandas da indústria.
Saúde, educação e segurança foram outros eixos da candidatura. Nas entrevistas e debates, Haddad criticou políticas do governo Tarcísio e apresentou propostas como a criação de uma agência de combate às facções criminosas, além de defender mudanças na organização da rede de saúde e investimentos em educação.
A campanha também foi marcada pela diferença no tempo de propaganda eleitoral. Tarcísio teve 6 minutos e 20 segundos de propaganda na televisão, enquanto Haddad contou com 2 minutos e 40 segundos, segundo dados do TRE-SP citados pelo candidato.
Dois dias antes da eleição, em uma agenda no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Haddad afirmou que sua campanha havia “cumprido o seu objetivo” apesar do pouco tempo de TV e das poucas oportunidades de confronto. Segundo ele, a candidatura havia levado ao eleitor suas críticas à situação do estado nas áreas de segurança, saúde e educação.
Quem é Fernando Haddad
Fernando Haddad, de 63 anos, é advogado, professor e político do PT. Nascido em São Paulo, é filho de imigrantes libaneses e se formou em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), onde também fez mestrado em Economia e doutorado em Filosofia. É professor do Departamento de Ciência Política da USP.
Sua trajetória no poder público começou na Prefeitura de São Paulo, onde foi subsecretário de Finanças durante a gestão de Marta Suplicy. No governo federal, trabalhou no Ministério do Planejamento e, em 2004, tornou-se secretário-executivo do Ministério da Educação. No ano seguinte, assumiu o comando da pasta, cargo que ocupou de 2005 a 2012, durante os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
À frente do Ministério da Educação, Haddad participou da implementação e expansão de programas como o ProUni, o Sisu, o Enem e os institutos federais. Em 2012, deixou o governo federal para disputar a Prefeitura de São Paulo. Foi eleito no segundo turno e comandou a capital entre 2013 e 2016.
Na prefeitura, sua gestão teve como algumas de suas principais marcas políticas de mobilidade urbana, como a expansão das ciclovias e a revisão do Plano Diretor. Em 2016, tentou a reeleição, mas foi derrotado por João Doria (PSDB) no primeiro turno.
Dois anos depois, Haddad foi escolhido pelo PT para substituir Lula na disputa pela Presidência da República, depois que o Tribunal Superior Eleitoral barrou a candidatura do ex-presidente. Haddad chegou ao segundo turno, mas perdeu a eleição para Jair Bolsonaro.
Em 2022, voltou a disputar o governo de São Paulo. Chegou ao segundo turno contra Tarcísio de Freitas, mas terminou derrotado. Em 2023, assumiu o Ministério da Fazenda no terceiro governo Lula, onde permaneceu até março de 2026, quando deixou o cargo para disputar novamente o governo paulista.







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