Renata Rebeca Negrão Saldanha dos Santos, de 26 anos, morreu após cair do sétimo andar do Rio Poty Hotel, localizado no bairro Ponta d’Areia, em São Luís, no Maranhão. O acidente ocorreu na madrugada de terça-feira (3) e está sendo investigado pela Polícia Civil como morte acidental.
O caso trouxe à tona discussões sobre a segurança das janelas e estruturas em edifícios, especialmente em hotéis. Após o ocorrido, o Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA) realizou uma vistoria no hotel, mas ainda não há previsão para divulgação dos resultados.
Normas técnicas para segurança de janelas e guarda-corpos
Projetos arquitetônicos devem seguir normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que estabelecem critérios de segurança para elementos das edificações. Entre as principais estão:
- NBR 14718: trata dos guarda-corpos, estabelecendo altura mínima de 1,10 metro, com exceções específicas para instalação sobre ou junto a muretas, onde o parâmetro pode ser 90 centímetros;
- NBR 10821: define requisitos para esquadrias, incluindo desempenho, instalação e manutenção;
- NBR 7199: regulamenta a aplicação de vidros na construção civil, incluindo critérios para vidros de segurança.
Entretanto, a NBR 14718 não estabelece uma altura mínima universal para o peitoril de todas as janelas.
O arquiteto Rafael Campos explicou ao g1 que não existe uma norma única da ABNT que reúna todas as exigências para janelas em hotéis e edifícios, e que o parâmetro de 90 centímetros para o peitoril não deve ser interpretado como regra universal para todos os tipos de abertura.
"Do ponto de vista arquitetônico, uma janela com o peitoril mais baixo não representa necessariamente um erro de projeto. Esse tipo de estrutura pode ser utilizado para ampliar a entrada de luz natural e proporcionar maior integração visual com a paisagem. No entanto, principalmente em edifícios altos, é necessário que o projeto preveja dispositivos de proteção adequados."
O engenheiro civil e professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Mikhail Lucynski, avaliou que, pelas imagens, a altura da estrutura da janela onde ocorreu o acidente estava muito abaixo das medidas recomendadas, que podem chegar a 1,20 metro em alguns casos.
"A esquadria de alumínio da estrutura da janela onde o acidente aconteceu deveria oferecer resistência suficiente para garantir a segurança, mesmo sem ter função estrutural."
Manutenção e dispositivos de proteção
A conservação das esquadrias é outro fator crucial para a segurança. Segundo Mikhail Lucynski, a falta de manutenção da estrutura de alumínio pode ter contribuído para o acidente, pois a NBR 10821 prevê critérios para avaliar resistência e segurança das esquadrias durante o uso.
"Na situação do hotel, a estrutura estaria solta e não teria suportado o contato."
O arquiteto Rafael Campos destacou que hotéis recebem pessoas que desconhecem o funcionamento das estruturas e podem não identificar riscos.
Além da altura do peitoril, outros elementos podem aumentar a segurança, como guarda-corpos, vidros de segurança, limitadores de abertura, telas de proteção e sinalização preventiva com avisos sobre riscos.
A NBR 7199 estabelece critérios para a aplicação de vidros de segurança em situações com risco de queda, considerando características da edificação e condições de instalação.
"O correto, até para não mudar a arquitetura da fachada, é colocar uma tela de proteção na parte externa. O que a gente costuma fazer é sinalizar ou também, a gente pode colocar uma tela de proteção da parte externa justamente para mitigar possíveis acidentes que possam acontecer, como o que ocorreu com a tragédia."
Investigação e posicionamento das autoridades e do hotel
Renata estava em São Luís para participar de um campeonato de pôquer, acompanhada do namorado. O corpo da jovem foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) e velado e sepultado na Grande Belém, no Pará, onde ela residia.
O delegado George Marques, da Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), afirmou que as imagens indicam morte acidental e descartam, até o momento, a participação do namorado, que foi ouvido e liberado pela polícia.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou que a Perícia Oficial realizou exames no Rio Poty Hotel para apurar as causas do desprendimento da estrutura da janela, mas que os exames ainda estavam em andamento e não havia conclusões técnicas até o momento.
"Os trabalhos periciais incluem a análise da estrutura da janela envolvida na ocorrência, com o objetivo de identificar as possíveis causas de seu desprendimento. Os exames ainda estão em andamento e, até o momento, não há conclusões técnicas que permitam determinar o que provocou o desprendimento da estrutura ou apontar eventuais irregularidades."
O Rio Poty Hotel, em nota, lamentou o ocorrido, manifestou solidariedade aos familiares e afirmou que colabora com as autoridades e mantém compromisso com a segurança e bem-estar de hóspedes e colaboradores.







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