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Maranhão

Audiências de pastor preso por abusos começam no MA

As audiências de instrução e julgamento do pastor David Gonçalves da Silva começaram nesta segunda-feira (21) no Fórum de Paço do Lumiar. O processo tramita em segredo de Justiça e deve ouvir supostas vítimas, testemunhas e o acusado ao longo de cinco dias.

Por Atualizada em 21/09/2026 às 14:31

Audiências de pastor preso por abusos começam no MA
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Começou nesta segunda-feira (21) a audiência de instrução e julgamento do pastor David Gonçalves da Silva, líder da igreja Shekinah House Church, acusado de estupro de vulnerável, tortura e estelionato contra fiéis da instituição localizada em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís.

As audiências ocorrem no Fórum de Paço do Lumiar. Segundo a Vara Criminal do município, a fase de instrução foi dividida em cinco dias devido ao grande número de pessoas a serem ouvidas. Devem depor supostas vítimas, testemunhas e o próprio acusado.

Em nota, a Vara Criminal de Paço do Lumiar informou que o processo tramita em segredo de Justiça. Por isso, as informações divulgadas são limitadas e a imprensa não poderá acompanhar as audiências de instrução.

Prisão e investigação

David Gonçalves Silva foi preso em 17 de abril no âmbito da investigação "Falso Profeta", por suspeita de estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa. De acordo com depoimentos, a igreja mantinha um sistema organizado de punições físicas e psicológicas.

Segundo o delegado Sidney Oliveira, titular da Delegacia de Paço do Lumiar, a investigação durou cerca de dois anos e começou após denúncias feitas por ex-fiéis. O inquérito policial identificou, até o momento, entre cinco e seis vítimas relacionadas aos crimes investigados. A partir do depoimento de uma das vítimas, outras pessoas foram identificadas e ouvidas, inclusive nos estados do Pará e do Ceará. Conforme a polícia, o sistema de punições ajudou o pastor a manter controle sobre cerca de 100 a 150 fiéis por anos.

Relatos de punições e abusos

Entre as vítimas há pessoas em situação de extrema vulnerabilidade, que relataram ter procurado a igreja em busca de ajuda, como um jovem que chegou ao local aos 13 anos, quando vivia em situação de rua. As agressões eram frequentes e tinham nomes específicos. Um dos castigos era chamado de “readas”, com chicotadas usando um reio, um tipo de chicote geralmente usado em cavalos. Segundo uma das vítimas, os castigos eram aplicados quando alguém descumpria regras internas ou contrariava ordens do pastor.

Os investigadores da Polícia Civil afirmam que, embora a comunidade fosse formada por homens e mulheres, os homens eram os principais alvos dos abusos sexuais. Durante o cumprimento do mandado no local, a polícia apreendeu folhas de papel com a frase “Eu preciso aprender a respeitar o meu líder” escrita mais de 100 vezes, apontada pelos investigadores como um dos castigos impostos aos fiéis.

"Lá, eles não tinham nem acesso ao público de fora e tinham o comportamento determinado por ele o tempo todo, com separação de homens e mulheres, com uma vigilância intensa, inclusive na hora do banho, com câmeras no local, que ele conseguia verificar se os indivíduos estavam, inclusive, satisfazendo as questões sexuais dele, para poder punir esses indivíduos"

Fonte original: g1.globo.com

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