Pindorama FM 93.5 — Mais sucesso na sua vida!TRANSMISSÃO AO VIVO
Política

De escanteado a 'general' de Lula: quem é André Janones, protagonista da mobilização digital na campanha

O deputado André Janones, que ganhou protagonismo na mobilização digital da campanha de reeleição de Lula, é cotado para integrar o novo governo após ser reconhecido pelo presidente como um dos principais aliados na vitória.

Por Atualizada em 27/10/2026 às 06:00

De escanteado a 'general' de Lula: quem é André Janones, protagonista da mobilização digital na campanha
🎧 Ouvir notícia

O deputado mineiro André Janones (Rede) foi um dos protagonistas da mobilização digital que contribuiu para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (25). Apesar de ter sido inicialmente escanteado durante parte da campanha, Janones ganhou destaque e reconhecimento público do presidente, que o chamou de seu "general" no palco da Avenida Paulista, em São Paulo, na madrugada de segunda-feira (26).

Janones é responsável pelo canal de WhatsApp "Exército do Lula", que atingiu mais de 10 milhões de seguidores no segundo turno da campanha. O deputado atribuiu seu papel como uma reação aos ataques dos adversários e destacou que a força e a energia vêm do presidente Lula.

"A energia vem dele, a força vem dele. Eu recebi a missão de canalizar isso", afirmou Janones.

Integrantes da campanha e membros do PT ouvidos sob reserva pelo g1 defendem que Janones ocupe um cargo no governo durante o quarto mandato de Lula e que ele seja convidado a retornar ao partido, ao qual já foi filiado.

Da advocacia às redes sociais

Nascido em 1984 em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, Janones é filho de uma empregada doméstica e de um fabricante de gaiolas para pássaros. Seu pai, cadeirante, faleceu quando ele tinha dez meses. Estudou em escolas públicas e trabalhou desde jovem, vendendo sorvetes. Formou-se em direito com bolsa parcial e, durante a faculdade, trabalhou como cobrador de ônibus, escrevente do Tribunal de Justiça e assessor parlamentar.

Em 2009, abriu um escritório de advocacia, onde ajuizava ações gratuitamente para pessoas que necessitavam de medicamentos ou cirurgias. Em 2018, ganhou projeção nacional ao publicar vídeos em apoio à greve dos caminhoneiros e foi eleito deputado federal por Minas Gerais pelo Avante, com 178,6 mil votos.

Durante a pandemia de Covid-19, ampliou sua presença nas redes sociais defendendo o Auxílio Emergencial. Em 2022, lançou candidatura à Presidência, mas desistiu em agosto para apoiar Lula. Naquele ano, era visto como uma potência nas redes sociais, capaz de competir com a influência digital da direita liderada por Jair Bolsonaro (PL).

Aliança com Lula e resistência no PT

Na campanha de 2022, Janones tornou-se um dos principais aliados de Lula no enfrentamento ao bolsonarismo na internet, adotando um estilo combativo que gerou resistência em setores do PT preocupados com a imagem do petista.

Entre os episódios de destaque, Janones fez uma transmissão ao vivo em frente ao Templo de Salomão, da Igreja Universal, em São Paulo, com mais de 2,2 milhões de visualizações, na qual atacou Bolsonaro. Também discutiu com Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, durante o debate presidencial da Band, sendo separados por seguranças após troca de xingamentos.

Janones criticou publicamente a esquerda por "viver em uma bolha" e afirmou que era a "hora de ir ao povo". Apesar de sua atuação informal na campanha, não foi convidado a integrar a equipe oficial para 2026. Em entrevista à Folha de S. Paulo, disse ter tomado a iniciativa de mobilizar eleitores para tentar reverter a desvantagem de Lula e relatou ter sido alvo de críticas por alertar sobre o avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas.

Investigação sobre 'rachadinha' e medidas protetivas

A trajetória de Janones também foi marcada por investigações relacionadas à prática de "rachadinha" em seu gabinete, que consiste no repasse de parte dos salários de assessores ao parlamentar. Em 2023, o portal Metrópoles divulgou um áudio em que Janones cobrava contribuições de funcionários para cobrir prejuízos de sua campanha à Prefeitura de Ituiutaba, em 2016. Inicialmente, ele negou irregularidades.

Em março de 2025, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou um acordo de não persecução penal entre Janones e a Procuradoria-Geral da República (PGR). No acordo, o deputado reconheceu que um assessor havia pago despesas pessoais suas e comprometeu-se a pagar R$ 157,8 mil, entre reparação à Câmara e prestação pecuniária, para evitar processo criminal.

Em setembro de 2026, a PGR informou ao STF que Janones cumpriu as obrigações e pediu a extinção de sua punibilidade.

Janones também foi alvo de uma medida protetiva obtida por sua ex-companheira, a prefeita de Ituiutaba, Leandra Guedes, que o acusou de usar imagens íntimas para chantageá-la. A Justiça proibiu o deputado de se aproximar a menos de 300 metros dela, de entrar em contato com a prefeita e seus familiares e de divulgar registros da intimidade.

Janones negou ter enviado as imagens ou cometido qualquer crime e afirmou ter sido vítima de uma armação.

O processo tramita sob segredo de Justiça. Leandra Guedes foi convidada pela equipe de Flávio Bolsonaro para participar do debate da Globo entre presidenciáveis, em uma tentativa da campanha de desestabilizar adversários. Por precaução, Janones não compareceu ao debate para apoiar Lula.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Leandra afirmou que compareceu ao confronto "não por vingança", mas para "dar voz às mulheres que foram vítimas de quem está no poder e tentam calar". "Eu fui por todas nós que fomos interrompidas", declarou.

Fonte original: g1.globo.com

Pedir música

Pesquisar notícias

Digite pelo menos 2 letras para buscar notícias.