O Banco Central (BC) informou nesta sexta-feira (31) que as empresas estatais federais registraram um déficit de R$ 8,5 bilhões de janeiro a setembro deste ano. Esse valor representa o pior resultado para o período desde o início da série histórica do BC, em 2002.
Até então, o maior rombo para o período havia ocorrido em 2025, com déficit de R$ 6,3 bilhões, sem correção pela inflação. Além disso, o resultado parcial de 2026 já supera o déficit recorde para um ano fechado, registrado em 2024, que foi de R$ 6,73 bilhões.
Metodologia e empresas consideradas
O Banco Central esclarece que a série histórica não inclui a Petrobras, a Eletrobras nem as empresas do setor financeiro, como bancos públicos. A exclusão da Petrobras e da Eletrobras ocorreu em 2009, e a série histórica anterior foi revisada conforme essa metodologia, válida desde 2002.
Estão incluídas no cálculo empresas como os Correios, a Emgepron, a Hemobrás, a Casa da Moeda, a Infraero, o Serpro, a Dataprev e a Emgea.
O conceito utilizado pelo BC considera apenas a variação da dívida, uma abordagem comum em análises fiscais internacionais, diferente do conceito adotado pelo governo, conhecido como "acima da linha", que calcula receitas menos despesas, sem contar juros da dívida.
Contexto fiscal e perspectivas
No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, encaminhado ao Congresso Nacional em abril, o governo federal admite que as estatais federais, que estão em déficit desde 2023, continuarão no vermelho até 2030.
A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, apontou que os indicadores financeiros confirmam uma "deterioração perceptível" da saúde financeira de "parte relevante" das empresas estatais federais, o que eleva o risco para o Tesouro Nacional.
Crise fiscal dos Correios
O resultado negativo das estatais tem sido agravado principalmente pela situação dos Correios, que enfrenta uma grave crise fiscal e piora do seu resultado financeiro. A empresa está há 15 trimestres consecutivos no vermelho e fechou o primeiro semestre deste ano com prejuízo de R$ 5,6 bilhões.
Para enfrentar o rombo financeiro, o governo autorizou, em maio, que os Correios vendam seguros, títulos de capitalização e atuem no mercado de telefonia. A estatal deve firmar convênios com instituições financeiras para ofertar esses serviços.
De acordo com o Ministério da Gestão, os Correios executam um plano de reequilíbrio financeiro e reestruturação.







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