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Música

Ed Sheeran evitou se envolver politicamente em música com U2, diz vocalista

Bono, vocalista do U2, revelou que Ed Sheeran hesitou em participar da gravação de "Yours Eternally" por receio de se envolver politicamente, em meio a polêmicas recentes envolvendo o cantor e o rapper Macklemore.

Por Atualizada em 02/10/2026 às 06:00

Cantor britânico Ed Sheeran e o vocalista do U2, Bono • Reuters/Kylie Cooper/Rocco Spaziani/Archivio Spaziani/Mondadori Portfolio via Getty Images
Cantor britânico Ed Sheeran e o vocalista do U2, Bono • Reuters/Kylie Cooper/Rocco Spaziani/Archivio Spaziani/Mondadori Portfolio via Getty Images
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O vocalista do U2, Bono, 66, revelou na última quarta-feira (30) que o cantor Ed Sheeran, 35, esteve hesitante em participar da gravação da música "Yours Eternally" (2026) por receio de se "envolver politicamente" com o projeto.

No último mês, Ed Sheeran esteve no centro de uma controvérsia ao afastar o rapper norte-americano Macklemore da abertura de alguns shows da turnê "Loop". A decisão ocorreu após Macklemore fazer um discurso pró-Palestina no dia 4 de setembro, durante um show no MetLife Stadium, em Nova Jersey (EUA), pedindo "paz em Gaza e na Cisjordânia".

O compositor Macklemore afirmou em redes sociais que Robert Kraft, empresário da NFL e dono do New England Patriots, teria influenciado sua exclusão da turnê.

Em entrevista à versão britânica da Rolling Stone, Bono comentou sobre o episódio:

"Eu diria que, no caso do Ed e do Macklemore, não devemos personalizar isso, o que está acontecendo. Brian Eno disse hoje que as estrelas pop são como peixinhos em um oceano imenso de forças gigantescas, religião e política. Então, não quero me deter no Ed e no Macklemore e nesse incidente".

A faixa "Yours Eternally", presente no EP "Days of Ash" e mencionada por Bono, conta com a participação do roqueiro ucraniano Taras Topalia. A letra foi escrita sob a perspectiva de um soldado ucraniano durante a guerra em curso com a Rússia.

"Vou dizer o seguinte. Quando fizemos 'Yours Eternally', ele [Ed Sheeran] disse: 'Vocês não vão me arrastar para a política, vão?'. E eu disse: 'Este soldado que nos inspirou, ele te amava, Ed, e você trabalhou nesta música'", contou Bono.

Logo em seguida, Bono relatou que Sheeran afirmou que gostaria de "manter sua liberdade", levando o vocalista a concluir que "você não pode ficar intimidando as pessoas".

O baterista do U2, Larry Mullen Jr., acrescentou:

"Brian Eno estava dizendo que os artistas escolhem se querem se envolver e têm o direito de escolher se querem ou não se envolver. E não é nosso papel criticar isso, independentemente de como nos sintamos. Ele disse que leva tempo para essas coisas evoluírem e para as pessoas chegarem a essas conclusões. Gostei muito de ouvir isso porque é tudo confuso e complicado".

Larry Mullen Jr. também destacou que o grupo sempre deixou claro que "promotores ou proprietários bilionários não podem ter alguma influência sobre o que você diz ou faz no palco" e relembrou episódios passados da banda, como o lançamento da música "Sunday Bloody Sunday" e a campanha pelo Dia de Martin Luther King, quando enfrentaram resistência política.

Bono comentou ainda:

"Já conversamos sobre isso, e se aplicássemos essa lógica ao U2, teríamos falido no dia do 'Sunday Bloody Sunday'. Quando estávamos fazendo campanha para o Dia de Martin Luther King, havia um governador na época, [Evan] Mecham, que resistia, e nos disseram que não éramos bem-vindos lá. Já nos metemos nesse tipo de confusão. É o que fazemos e estamos felizes em fazer isso, mas também reconhecemos que algumas pessoas não querem se envolver nesse tipo de luta".

Pronunciamento de Ed Sheeran após polêmica

Cerca de dois dias após a publicação de Macklemore, Ed Sheeran se manifestou nas redes sociais sobre o assunto. Ele disse estar "horrorizado com o conflito entre Israel e Palestina", mas afirmou que, após o discurso do rapper, os locais dos próximos shows da turnê comunicaram que cancelariam as apresentações caso ele continuasse participando.

"O contrato do Macklemore para a turnê era com o promotor, não comigo", declarou Sheeran. "Eu nunca decepcionaria os fãs que se planejaram, nem abandonaria a equipe da turnê, os outros atos de abertura e os músicos que dependem de mim para trabalhar e se sustentar".

Ele completou: "Eu não sou cúmplice. Tenho minhas opiniões pessoais sobre este conflito devastador. Só porque escolho não falar publicamente, não significa que eu não as tenha e nem que eu não me importe. Tampouco significa que eu não apoie causas da minha própria maneira, pessoal".

Na mesma semana, outros artistas que abririam a turnê também decidiram se afastar do projeto e romperam contratos com Ed Sheeran. No final de setembro, Macklemore anunciou sua turnê solo intitulada "Free Palestine", que contará com três shows na Europa.

Com informações de Mariana Valbão, sob supervisão de Ana Beatriz Dias, da CNN Brasil.

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Fonte original: www.cnnbrasil.com.br

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