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Política

'Elefante na sala' e 'polêmicas em vez de propostas': como a imprensa internacional está noticiando as eleições no Brasil

Jornais dos EUA e da Europa destacam a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, a influência de Donald Trump e os desafios econômicos e democráticos do Brasil nas eleições presidenciais de 4 de outubro.

Por Atualizada em 03/10/2026 às 07:00

'Elefante na sala' e 'polêmicas em vez de propostas': como a imprensa internacional está noticiando as eleições no Brasil
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A eleição presidencial no Brasil, realizada em 4 de outubro, recebeu ampla cobertura da imprensa internacional, com destaque para jornais dos Estados Unidos e da Europa. As reportagens analisam a disputa entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, a influência do presidente Donald Trump e os desafios econômicos e democráticos enfrentados pelo país.

O "fator Trump" e a influência americana na eleição

Em reportagem publicada em 28 de setembro, o jornal The New York Times destacou o papel do presidente dos EUA, Donald Trump, na eleição brasileira, questionando até que ponto ele tentará interferir no pleito. O jornal afirma que Trump não declarou apoio aberto a nenhum candidato, mas que o governo republicano tem, "de maneiras sutis", favorecido Flávio Bolsonaro.

Segundo o New York Times, o Brasil tem adotado medidas para proteger sua eleição contra interferências externas, incluindo "o monitoramento de atividades de lobby estrangeiro e de desinformação, o combate a alegações falsas de fraude eleitoral e a busca de apoio de países da Europa, da Ásia e de outras regiões".

O jornal ressalta que a eleição tem importância estratégica para os EUA, e que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro aproximaria Brasília de Washington em temas como segurança e minerais estratégicos, enquanto Lula mantém uma postura mais independente e crítica a Trump.

"O presidente dos EUA foi perguntado sobre a disputa e disse estar acompanhando 'muito de perto' as eleições no Brasil. Sem mencionar os candidatos, Trump disse ainda que o pleito brasileiro é 'muito importante'."

Perspectivas e riscos segundo a imprensa europeia

O jornal britânico The Guardian publicou em 30 de setembro um editorial que classifica a eleição como uma escolha decisiva para o futuro do Brasil. O texto avalia que, embora Flávio Bolsonaro se apresente como uma versão "menos grosseira e menos temperamental" do pai, mantém posições igualmente radicais.

Quanto a Lula, o The Guardian destaca o desgaste do petista devido à desaceleração econômica, à criminalidade e aos efeitos políticos do escândalo do Banco Master. O jornal alerta que uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia fortalecer o presidente Trump e o secretário de Estado Marco Rubio na chamada "Doutrina Donroe", que prevê maior influência americana na América Latina, além de representar riscos para a democracia, direitos de minorias e proteção ambiental.

A revista The Economist destacou o potencial do Brasil, com abundância de recursos naturais, força do agronegócio, matriz energética relativamente limpa e potencial populacional, mas apontou estagnação econômica devido à expansão da dívida pública, falta de reformas e juros elevados. A publicação classificou a eleição de 4 de outubro como oferecendo "poucas esperanças de uma virada", com os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro não sendo considerados confiáveis para enfrentar a corrupção arraigada e o crescimento dos gastos públicos.

O jornal francês Libération ressaltou que Lula chega à reta final da eleição com indicadores econômicos e ambientais favoráveis, como desemprego em nível historicamente baixo, desaceleração da inflação, redução da pobreza e queda do desmatamento na Amazônia, mas sem conseguir transformar esses avanços em vantagem clara nas pesquisas.

Segundo o Libération, a campanha tem sido marcada mais por polêmicas e escândalos do que pela discussão de propostas, com Lula e Flávio Bolsonaro praticamente empatados e os demais candidatos com papel secundário em uma disputa altamente polarizada. O jornal também destaca que a rejeição é um fator importante, com Lula enfrentando desgaste pelas antigas acusações de corrupção, apesar da anulação das condenações, e resistência crescente entre eleitores evangélicos.

"Donald Trump é apontado como 'o elefante na sala' da eleição. Lula tenta se apresentar como uma barreira à influência dos EUA, enquanto o avanço da direita na América do Sul acrescenta uma dimensão internacional à disputa."

Desafios para a democracia e estabilidade institucional

O jornal espanhol El País publicou um editorial destacando que a eleição presidencial representa um teste para a democracia brasileira e para a capacidade das instituições de impedir um retrocesso autoritário. O texto apresenta a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro como um confronto entre visões opostas sobre democracia e instituições.

O El País lembra o ataque ocorrido em 8 de janeiro de 2023, que evidenciou as consequências do desprezo pelas regras democráticas e a importância da atuação das instituições brasileiras. A promessa de Flávio Bolsonaro de conceder um indulto a Lula mantém o episódio no centro da disputa eleitoral.

O jornal também destaca que a força da democracia brasileira terá repercussões além do país, especialmente diante do avanço de movimentos conservadores alinhados a Donald Trump na América Latina, considerando o Brasil um importante contrapeso diplomático na região.

Fonte original: g1.globo.com

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