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Eleição 2026: maiores doadores de Flávio Bolsonaro e Lula são do agro; veja propostas e desafios para o setor

Empresários do agronegócio lideram as doações para as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de 2026. Conheça as propostas dos candidatos para o setor e os principais desafios apontados pelas entidades do agronegócio.

Por Atualizada em 24/10/2026 às 06:00

Eleição 2026: maiores doadores de Flávio Bolsonaro e Lula são do agro; veja propostas e desafios para o setor
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A prestação de contas parcial das campanhas presidenciais registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indica que os maiores doadores individuais de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) são empresários ligados ao agronegócio.

A legislação eleitoral proíbe doações de pessoas jurídicas, como empresas, a campanhas eleitorais, mas permite contribuições de pessoas físicas dentro dos limites legais.

No topo da lista de doadores da campanha de Lula está Erasmo Carlos Battistella, CEO da Be8, produtora de biodiesel, e integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável do governo federal, conhecido como "Conselhão". Ele doou R$ 500 mil até o momento.

Já a campanha de Flávio Bolsonaro tem como maior doador Eloi Vitório Marchett, empresário do setor de soja, que contribuiu com R$ 2 milhões até agora.

O levantamento do g1 é parcial, pois o prazo para a prestação de contas das campanhas que avançaram ao segundo turno termina em 14 de novembro.

O agronegócio representa cerca de 25% do PIB brasileiro e é um dos principais motores da economia, abrangendo produção rural, indústria e exportação.

Propostas para o agronegócio

Lula (PT)

O plano de governo de Lula prevê o fortalecimento do crédito rural por meio do Plano Safra, com foco especial no Pronaf para pequenos produtores, além da expansão do Plano Safra da Agricultura Familiar e da simplificação do acesso ao crédito, incluindo a digitalização dos serviços.

O candidato propõe ampliar o seguro rural e criar um programa nacional de resiliência climática no campo, com medidas como conservação do solo, expansão da irrigação, agricultura de precisão e modernização dos sistemas de previsão meteorológica e alerta aos produtores.

Lula defende a modernização da agricultura e pecuária sustentáveis com apoio da Embrapa, continuidade da produção nacional de fertilizantes e fortalecimento da produção de biocombustíveis, como etanol, biodiesel e combustível sustentável de aviação (SAF). Também pretende incentivar o aproveitamento de resíduos agroindustriais para gerar bioenergia e biogás.

Na área comercial, o plano inclui o fortalecimento da diplomacia para ampliar o acesso dos produtos brasileiros a mercados internacionais, destacando os 656 novos mercados abertos na atual gestão.

Além disso, Lula propõe estimular a emissão de títulos do agronegócio no mercado de capitais, incentivar pesquisas e o desenvolvimento tecnológico e mobilizar investimentos privados para a transformação ecológica do setor.

Para a agricultura familiar, o plano prevê ampliar a assistência técnica, facilitar o acesso a financiamento e máquinas adaptadas, fortalecer o seguro rural e o Garantia-Safra, manter programas de compra de alimentos e ampliar a participação de produtos in natura ou minimamente processados na merenda escolar.

O programa também inclui reforma agrária, regularização fundiária, incentivo à agroecologia, acesso à água em regiões com estiagem e apoio à pesca artesanal e à aquicultura familiar.

Flávio Bolsonaro (PL)

O plano de governo de Flávio Bolsonaro propõe ampliar a conectividade no campo, com acesso à internet em áreas rurais de baixa cobertura, dando continuidade ao programa Wi-Fi Brasil, criado no governo do pai dele, Jair Bolsonaro.

O candidato defende simplificar as autorizações para irrigação, desenvolver polos de irrigação no Matopiba e no semiárido e ampliar o uso de água de reuso.

Na área fundiária, Flávio propõe acelerar a regularização e titulação de pequenas propriedades rurais, além de unificar os cadastros fundiário e ambiental em um único sistema.

O plano prevê ampliar o saneamento rural, fortalecer o seguro rural e aumentar a capacidade de armazenamento das safras.

Para reduzir a dependência externa, o candidato defende incentivar a produção nacional de fertilizantes a partir de recursos minerais disponíveis no Brasil, como potássio e fosfato. Também propõe facilitar a securitização e reorganização das dívidas dos produtores rurais.

Na área de energia, Flávio Bolsonaro quer transformar o Brasil em potência de biocombustíveis, incluindo etanol, biodiesel, HVO, combustível sustentável de aviação (SAF) e biogás. Entre as medidas estão linhas especiais de financiamento para empresas de biogás, incentivo à produção de biomassa pelo Plano Safra, ampliação do RenovaBio no exterior e busca de soluções para enfrentar sanções internacionais contra produtos brasileiros.

Desafios apontados pelas entidades do setor

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) destaca como "necessidade imperativa" o controle dos gastos públicos para conter a dívida nacional e permitir a queda das taxas de juros, que impactam o endividamento dos produtores.

A entidade também cobra a reformulação das regras dos programas sociais para incentivar a reinserção produtiva e combater a escassez de mão de obra no campo, apontada por 44,5% dos produtores como o principal desafio do setor, segundo estudo da CNA.

A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) divulgou uma carta aos presidenciáveis propondo uma agenda estratégica para o setor, com cinco desafios centrais:

O documento da Abag detalha medidas que se desdobram em sete pilares e 23 tópicos estruturantes para a próxima década.

Para o próximo presidente, a entidade propõe construir um ambiente institucional ágil e previsível, capaz de atrair capital privado, acelerar a transição tecnológica e a governança de dados no campo, além de instituir uma política nacional de comunicação e educação baseada em evidências científico-técnicas para combater a desinformação.

Fonte original: g1.globo.com

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