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Política

Eleições 2026: Lula mobiliza eleitor mais velho; Flávio aposta em voto útil no 1º turno

Nas Eleições 2026, Lula busca reduzir a abstenção entre eleitores idosos, enquanto Flávio Bolsonaro foca no voto útil e na crítica ao Judiciário para estimular o comparecimento às urnas.

Por Atualizada em 03/10/2026 às 01:00

Eleições 2026: Lula mobiliza eleitor mais velho; Flávio aposta em voto útil no 1º turno
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Nas Eleições 2026, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) adotaram estratégias distintas para mobilizar eleitores na reta final antes do primeiro turno, marcado para domingo (4).

Mobilização de Lula para o eleitorado mais velho

O entorno de Lula tem feito apelos para aumentar o comparecimento às urnas, com foco especial no eleitorado mais velho. Na sexta-feira (2), em evento em São Paulo, o presidente do PT e coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, afirmou que a abstenção é uma preocupação e que a equipe tem usado as redes sociais para estimular o eleitorado a votar.

"A abstenção tem sido um fenômeno mundial, tem a ver com essa coisa da descrença, da derrota da democracia representativa. O Brasil não está imune a isso. Nós estamos trabalhando muito nas redes sociais, trabalhando para que a população vá votar", disse Edinho Silva.

O próprio Lula também falou publicamente sobre o tema e fez um apelo para os eleitores com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo, para que compareçam às urnas. Durante uma carreata no Rio de Janeiro, o presidente afirmou:

"Desistiu da vida? Levanta a bunda e vai votar, meu filho. Se não tem mais motivação pra viver, tem filho, tem filha, tem neto. Levanta a bunda e vai votar. O Brasil precisa de você".

A campanha petista criou o site "Geração Lula", voltado à mobilização de eleitores mais velhos, que reúne cartilhas e orientações para apoiadores e tem como objetivo "garantir a presença e o voto do eleitorado 70+ nas urnas".

Essa preocupação está relacionada ao perfil do eleitorado que mais se abstém e aos segmentos em que Lula apresenta vantagem. No primeiro turno de 2022, 20,95% dos eleitores aptos não compareceram às urnas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), totalizando 32,7 milhões de pessoas. A abstenção foi especialmente elevada entre os eleitores mais velhos.

Em 2026, o eleitorado com mais de 70 anos chega a quase 17 milhões de pessoas, mais de 10% do total de eleitores aptos, e cresceu 15,75% em relação a 2022.

Além disso, a faixa etária é relevante porque Lula apresenta maior vantagem sobre Flávio Bolsonaro entre os eleitores com 60 anos ou mais. Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (2) indica que o petista tem 49% das intenções de voto nesse grupo, contra 36% do candidato do PL.

Perfil do eleitorado e pesquisas

O levantamento Datafolha também mostra vantagem de Lula entre eleitores de menor renda (50% contra 28%), com escolaridade fundamental (54% a 27%), no Nordeste (56% a 26%) e entre católicos (50% a 32%). Flávio Bolsonaro aparece à frente nas faixas de renda mais altas (47% a 37%), no Sul (50% a 30%) e entre evangélicos (52% a 26%).

O TSE contabiliza cerca de 1,6 milhão de eleitores adolescentes de 16 e 17 anos para 2026, faixa em que o voto também é facultativo. Em 2022, eram pouco mais de 2,1 milhões.

Estratégia de Flávio Bolsonaro e voto útil

Na campanha de Flávio Bolsonaro, a avaliação é diferente. Segundo integrantes da equipe, não há preocupação específica com a abstenção. A aposta é que o movimento de voto útil na reta final, especialmente entre eleitores que antes declaravam preferência por outros candidatos de direita, seja suficiente para estimular o comparecimento às urnas.

A campanha afirma ter identificado migração de eleitores que anteriormente pretendiam votar em nomes como Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão).

Para os estrategistas do PL, o voto útil funciona como instrumento de mobilização. Ao sustentar que Flávio é o candidato com condições de derrotar Lula, a campanha busca transformar essa percepção em estímulo para que o eleitor vá votar.

A avaliação interna é que decisões recentes da Justiça Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal (STF) contribuíram para aumentar o distanciamento de uma parcela do eleitorado independente em relação ao Judiciário, o que pode ter reforçado a disposição desse grupo de votar em Flávio Bolsonaro.

Esse argumento ganhou espaço na campanha após decisões judiciais que afetaram o debate presidencial da TV Globo, que foi cancelado.

Na quinta-feira (1º), a ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu a emissora de exibir o púlpito vazio reservado a Lula e determinou que os demais candidatos não poderiam dirigir perguntas ao presidente durante o debate. Flávio desistiu de participar do programa após a decisão e classificou a medida como "censura".

Em transmissão ao vivo após desistir do debate, Flávio vinculou a disputa eleitoral à futura composição do STF e afirmou que uma vitória permitiria "indicar ministros para a Suprema Corte".

"O eleitor que é o indeciso e que deve definir o resultado das eleições está afastado do Judiciário", afirmam estrategistas da campanha ouvidos pela reportagem.

Na penúltima pesquisa Datafolha antes do primeiro turno, Lula tinha 45% dos votos válidos, contra 40% de Flávio Bolsonaro. Entre eleitores que não se identificam nem com o bolsonarismo nem com o petismo, os dois candidatos aparecem próximos: 24% declararam voto em Lula e 25% em Flávio.

Fonte original: g1.globo.com

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