Neste sábado (24), serão divulgadas novas pesquisas de intenção de voto do Datafolha e da Quaest para o segundo turno das eleições para presidente da República. Ambos os levantamentos estão previstos para as 18h, e são os últimos dos institutos antes da votação, marcada para este domingo (25).
Como os institutos escolhem quantos, quem e onde entrevistar?
A pesquisa eleitoral tem a função de captar o clima da corrida eleitoral, registrando a temperatura da disputa naquele determinado momento. E isso é feito ouvindo o eleitor.
"Pesquisas tentam identificar padrões para tentar antecipar movimentos que estão acontecendo na opinião pública", disse Felipe Nunes, diretor da Quaest, em entrevista ao Jornal Nacional.
Para isso, é usado método científico. Primeiro, são definidos quem serão os entrevistados, que vão representar o universo dos eleitores.
Como é impossível entrevistar todos os eleitores do país, os institutos estabelecem critérios para selecionar um grupo de pessoas para representar a população: a amostra.
Os cálculos estatísticos ajudam a explicar por que a maioria das pessoas nunca foi entrevistada em uma pesquisa eleitoral. A chance de uma pessoa ser selecionada para participar de uma pesquisa que vai fazer 1,2 mil entrevistas na cidade de São Paulo, por exemplo, onde há mais de 9 milhões de eleitores, é de uma em 7.768. A probabilidade é muito baixa: 0,013%.
Mas como um grupo de cerca de mil pessoas pode expressar a intenção de voto de uma cidade inteira? Essa amostragem é definida a partir de dados disponíveis em outros órgãos, como o IBGE e o Tribunal Superior Eleitoral. A amostra precisa reproduzir as características da população que será representada – mesmas características em relação a sexo, idade, escolaridade e renda.
Outra preocupação recente das pesquisas é com o alto índice de abstenção, que superou 31 milhões, chegando a 20% dos eleitores no primeiro turno da última eleição presidencial de 2022.
Muitas vezes, a pessoa diz na pesquisa que vai votar em determinado candidato, mas depois nem aparece nas urnas. Por isso, institutos incluíram perguntas no questionário para ter mais pistas se o entrevistado vai mesmo votar no dia da eleição.
E não dá para se oferecer para ser entrevistado. A escolha de quem vai responder tem que ser aleatória, para garantir a representatividade da amostra.
Pesquisa não é previsão
Apesar de muitas pessoas acreditarem, pesquisas eleitorais não fazem previsão de quem vai ganhar as eleições. Ela dá ao eleitor informações sobre cada momento da disputa até a hora de ir às urnas. É uma ferramenta valiosa para entender o cenário eleitoral, que pode variar a cada pesquisa.
Essa é a diferença para uma enquete, em que se fazem perguntas sem nenhuma metodologia ou rigor de como as pessoas vão ser selecionadas.
Como toda pesquisa por amostragem, existe uma margem de erro, calculada com uma fórmula matemática. E quanto maior a amostra, menor a margem de erro. Então, em uma amostra com 500 entrevistas, a margem de erro vai ser muito maior do que uma com 1,2 mil, por exemplo.







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