O réu Daniel da Costa Silva foi condenado a 40 anos de prisão pelo feminicídio da ex-companheira, Patrícia Almeida Silva, em Imperatriz, na região tocantina do Maranhão. A sentença foi proferida na quinta-feira (5), durante sessão do Tribunal do Júri realizada no Fórum da cidade.
Segundo o Ministério Público do Maranhão (MPMA), o crime ocorreu em novembro de 2023, quando Daniel abordou Patrícia, obrigando-a a entrar em uma caminhonete. Em seguida, ele disparou contra a vítima, atingindo-a na cabeça, e abandonou o corpo em uma área rural.
Após o crime, Daniel levou o celular de Patrícia e fugiu para o estado do Pará, conforme informou o MPMA.
Durante o julgamento, o promotor de Justiça Tiago Quintanilha Nogueira, titular da 8ª Promotoria de Justiça Criminal de Imperatriz, sustentou a acusação de homicídio qualificado por motivo torpe, feminicídio e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Daniel também foi acusado de descumprimento de medida protetiva e furto.
O padrasto de Daniel, Udson da Conceição Silva, foi levado a julgamento sob acusação de fraude processual. No entanto, durante a sessão, ficou comprovado que o crime foi cometido por Daniel, e o Ministério Público pediu a absolvição de Udson.
Daniel já estava preso antes do julgamento e teve a prisão mantida após a condenação.
Desaparecimento e investigação
Patrícia Almeida ficou desaparecida por cerca de uma semana após ser levada pelo ex-marido. O corpo dela foi encontrado no dia 12 de novembro de 2023 por um homem que colhia frutas em uma fazenda na zona rural de Imperatriz. Roupas, acessórios e um demonstrativo de pagamento ajudaram a identificar a vítima como a empregada doméstica.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que o tiro foi disparado atrás da orelha e atravessou o crânio de Patrícia.
Imagens de câmeras de segurança mostraram o momento em que Patrícia e Daniel conversavam no dia do desaparecimento. Manchas de sangue encontradas no veículo de Daniel reforçaram a linha de feminicídio na investigação policial.
Contexto e medidas protetivas
Segundo a família de Patrícia, ela desapareceu após sair para trabalhar em Imperatriz. A suspeita de envolvimento do ex-marido no desaparecimento surgiu porque Patrícia possuía uma medida protetiva contra ele, concedida em julho de 2023, após registrar boletim de ocorrência por ameaça e agressão.
A denúncia foi motivada por um episódio em que Daniel abordou Patrícia na rua, a colocou à força dentro do carro e a agrediu fisicamente, situação registrada por câmeras de segurança.
Após o desaparecimento, a família registrou boletim de ocorrência, e o caso passou a ser acompanhado pela Delegacia da Mulher e pela Delegacia Regional de Imperatriz. A polícia investigou a participação de Daniel, que estava foragido em razão das agressões contra Patrícia.







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