O capitão da Polícia Militar do Maranhão (PMMA) Jurambergson Gomes Soeiro Sobrinho Silva, preso em 8 de junho de 2023 após ser flagrado agredindo duas mulheres em São Luís, responde a um processo por violência doméstica contra a ex-companheira no mesmo ano. Em entrevista à TV Mirante, um homem que preferiu não se identificar relatou ter sido agredido pelo policial ao tentar ajudar a mulher.
O homem contou que sofreu socos, chutes e ameaças com uma arma de fogo. Ele não quis mostrar o rosto durante a entrevista por medo de represálias. Um exame de lesão corporal confirmou os ferimentos sofridos por ele.
Em 2023, a ex-companheira de Jurambergson, também policial militar, pediu ajuda ao homem após sofrer agressões. Segundo o relato, ela estava machucada e com medo de desmaiar. Ao perceber a situação, ele entrou no carro com a mulher para ajudá-la.
Durante o trajeto, os dois perceberam que estavam sendo perseguidos pelo capitão. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o homem pede para descer do veículo. Segundo ele, as agressões começaram logo depois.
O homem afirmou que o policial pegou o celular que havia caído durante a fuga e voltou para o próprio carro. Ao tentar recuperar o aparelho, ele disse que foi novamente ameaçado.
Segundo a vítima, Jurambergson quebrou o telefone e pegou uma arma de fogo que estava no veículo. Com medo de ser baleado, o homem fugiu e pediu ajuda a um motociclista que passava pela avenida.
Em nota, a defesa de Jurambergson informou que aguarda a conclusão do inquérito policial e reiterou que o investigado se colocou voluntariamente à disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários.
Histórico de agressões
Em 2023, Jurambergson foi preso em flagrante no Hospital do Servidor, em São Luís, quando tentava entrar em contato com a ex-companheira, que recebia atendimento médico após as agressões. O policial permaneceu preso por alguns dias na sede do Comando-Geral da Polícia Militar. Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto para investigar a conduta do oficial.
O processo relacionado à agressão contra o homem que tentou ajudar a mulher foi arquivado. Já o caso de violência doméstica envolvendo a ex-companheira ainda não foi julgado.
Relato de uma das vítimas agredidas pelo capitão da PM
Sara Pinto Brito, uma das mulheres agredidas pelo capitão Jurambergson, falou pela primeira vez sobre o caso em entrevista à TV Mirante em 7 de junho de 2023. Ela contou que não conhecia a outra vítima e tentou ajudá-la ao presenciar as agressões.
Sara estava na loja de conveniência de um posto de combustível, em São Luís, quando viu uma policial militar caída no chão e decidiu intervir. Segundo ela, ao tentar afastar o capitão da mulher, também foi agredida com coronhadas e chutes.
"Meu impulso foi ir para cima, para afastar ele. Em nenhum momento eu achei que ele fosse vir para cima de mim, entendeu? Eu empurro, tentando só afastar e nisso ele veio para cima de mim. E nessa que ele veio para cima de mim, ele já vem com a arma em punho e começa a me dar muita, muita coronhada, muita coronhada, muita coronhada".
Segundo Sara, as agressões continuaram mesmo depois que ela perdeu a consciência. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que a vítima se aproxima de outra mulher e é agredida pelo capitão. Durante a confusão, o militar também aparece armado, e um disparo atingiu um homem que estava no local.
Sara afirmou que ainda sofre as consequências das agressões e espera que o capitão seja responsabilizado pela Justiça.
Agressões recentes e prisão do capitão
No último sábado, 3 de junho de 2023, o capitão foi denunciado novamente por agredir a mesma ex-companheira. Câmeras de segurança registraram o momento em que ele deu socos e chutes na mulher em um posto de combustível na Avenida Jerônimo de Albuquerque, próximo ao Elevado da Cohama, em São Luís.
Durante a confusão, Sara Pinto Brito, que tentou defender a policial militar, também foi agredida. Ela relatou ter sofrido coronhadas e chutes, inclusive depois de perder a consciência.
Um homem que estava no estabelecimento ficou ferido no pescoço após ser atingido por um disparo de arma de fogo durante a ocorrência.
Jurambergson prestou depoimento à Polícia Civil em 6 de junho de 2023, mas não esclareceu as circunstâncias das agressões, segundo a delegada Kazumi Tanaka, coordenadora das Delegacias da Mulher no Maranhão. Na ocasião, ele foi liberado por não haver mandado de prisão em aberto contra ele.
A prisão preventiva foi cumprida em 8 de junho de 2023, após o fim das restrições previstas na legislação eleitoral.
A Corregedoria da Polícia Militar informou que mantém procedimentos para apurar a conduta do oficial, incluindo a instauração de um Conselho de Justificação. O procedimento poderá resultar na perda do posto e da patente, além do desligamento do militar da corporação, conforme os trâmites legais.







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