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Maranhão

Hotel onde jovem morreu após cair de janela em São Luís é multado após vistoria dos bombeiros

O Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão realizou vistoria no Rio Poty Hotel, em São Luís, após a morte de uma jovem que caiu do sétimo andar. O estabelecimento foi multado por irregularidades nas medidas de segurança contra incêndio e pânico e deverá instalar barreiras de proteção.

Por Atualizada em 05/11/2026 às 23:00

Hotel onde jovem morreu após cair de janela em São Luís é multado após vistoria dos bombeiros
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O Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA) realizou, na quinta-feira (5), uma vistoria no Rio Poty Hotel, localizado em São Luís, após a morte da paraense Renata Saldanha, de 26 anos, que caiu de uma janela do sétimo andar do estabelecimento. Durante a fiscalização, foram identificadas irregularidades nas medidas de segurança contra incêndio e pânico, resultando na notificação e multa ao hotel.

Segundo a corporação, a vistoria avaliou as condições de segurança contra incêndio e pânico. A análise da estrutura da janela de onde Renata caiu é feita separadamente e não foi motivo da multa aplicada.

Além da multa, os bombeiros determinaram a instalação imediata de barreiras de proteção em áreas vulneráveis do hotel para evitar novos acidentes. O CBMMA ressaltou que a manutenção das condições de segurança e a atualização dos documentos exigidos são responsabilidades do gestor do estabelecimento.

Em entrevista à TV Mirante, o diretor de Atividades Técnicas do Corpo de Bombeiros informou que os relatórios da vistoria estão sendo finalizados e serão encaminhados ao Ministério Público do Maranhão (MP-MA), que solicitou a fiscalização. Ele também destacou que a conservação e manutenção das instalações são de responsabilidade dos órgãos públicos municipais.

O Rio Poty Hotel, em nota, lamentou a morte de Renata Saldanha e manifestou solidariedade à família da jovem. O estabelecimento afirmou que já havia protocolado a documentação necessária para renovar a certificação do Corpo de Bombeiros, considerando ampliações e adequações técnicas e administrativas realizadas. O processo de renovação estava em andamento e depende tanto do hotel quanto da análise do órgão responsável.

O hotel também esclareceu que a certificação de segurança contra incêndio e pânico não corresponde a uma avaliação específica das condições estruturais das janelas, que requer análise técnica própria. O estabelecimento afirmou que continua colaborando com as autoridades, reconhece a importância das fiscalizações e reafirma o compromisso com as orientações técnicas e medidas de segurança.

Normas técnicas e segurança das janelas em edifícios

O acidente com Renata Saldanha levantou questionamentos sobre a segurança das janelas em edifícios. Projetos arquitetônicos devem seguir normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), como a NBR 14718 (guarda-corpos), NBR 10821 (esquadrias) e NBR 7199 (vidros na construção civil).

A NBR 14718 estabelece altura mínima de 1,10 metro para guarda-corpos, com exceções específicas para instalação sobre muretas, onde o parâmetro pode ser de 90 centímetros. No entanto, essa norma não define uma altura mínima universal para o peitoril de todas as janelas.

O arquiteto Rafael Campos afirmou ao g1 que não existe uma única norma da ABNT que reúna todas as exigências de segurança para janelas em hotéis e edifícios, e que o parâmetro de 90 centímetros para o peitoril não deve ser interpretado como regra universal para todos os tipos de abertura.

O engenheiro civil e professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Mikhail Lucynski, avaliou que, pelas imagens, a altura da estrutura da janela onde ocorreu o acidente estava muito abaixo das medidas recomendadas, que podem chegar a 1,20 metro. Ele destacou que a esquadria de alumínio deveria oferecer resistência suficiente para garantir segurança, mesmo sem função estrutural.

A NBR 14718 passou por processo de revisão em 2026, com consulta nacional para sugestões, cujo prazo terminou em 2 de julho.

O arquiteto Rafael Campos explicou que, do ponto de vista arquitetônico, janelas com peitoril mais baixo podem ser projetadas para ampliar a entrada de luz natural e a integração visual com a paisagem, mas em edifícios altos é necessário prever dispositivos de proteção adequados.

Manutenção e dispositivos de segurança

Além da altura do peitoril, a conservação das estruturas das janelas e sacadas é fundamental para a segurança. O engenheiro Mikhail Lucynski apontou que a falta de manutenção da esquadria de alumínio pode ter contribuído para o acidente no hotel.

A NBR 10821 estabelece requisitos para desempenho, instalação e manutenção das esquadrias, incluindo critérios para resistência e segurança durante o uso. Segundo o engenheiro, a estrutura da janela no hotel estaria solta e não suportou o contato.

O arquiteto Rafael Campos destacou que hotéis recebem pessoas que desconhecem o funcionamento das estruturas e podem não identificar riscos, o que reforça a necessidade de dispositivos de proteção.

Entre as medidas que podem aumentar a segurança estão guarda-corpos, vidros de segurança, limitadores de abertura, telas de proteção e sinalização preventiva com avisos sobre riscos.

A NBR 7199 estabelece critérios para aplicação de vidros na construção civil, incluindo o uso de vidros de segurança em situações de risco de queda. A escolha do tipo de vidro deve considerar características da edificação e condições de instalação.

O engenheiro Mikhail Lucynski sugeriu a instalação de telas de proteção na parte externa das janelas como alternativa para reduzir riscos sem modificar a arquitetura da fachada.

"O correto, até para não mudar a arquitetura da fachada, é colocar uma tela de proteção na parte externa. O que a gente costuma fazer é sinalizar ou também, a gente pode colocar uma tela de proteção da parte externa justamente para mitigar possíveis acidentes que possam acontecer, como o que ocorreu com a tragédia".

Contexto do acidente e informações sobre a vítima

Renata Rebeca Negrão Saldanha dos Santos, de 26 anos, natural de Ananindeua (PA), morreu após cair do sétimo andar do Rio Poty Hotel, no bairro Ponta d'Areia, em São Luís. Ela deixou dois filhos pequenos e estava na capital maranhense com o namorado para participar de um campeonato de pôquer.

O acidente ocorreu na madrugada de terça-feira (3), quando uma estrutura de alumínio da janela se desprendeu. A Polícia Civil investiga o caso como morte acidental.

O corpo de Renata foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) no início da tarde de terça-feira e foi velado e sepultado na Grande Belém na quinta-feira (5).

A jovem e o namorado chegaram a São Luís na quarta-feira (28) da semana anterior e tinham previsão de retornar ao Pará no dia do acidente.

Fonte original: g1.globo.com

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