Após o segundo turno das eleições presidenciais, uma lista que classifica estabelecimentos comerciais de São Luís como sendo de esquerda ou de direita passou a circular nas redes sociais e em grupos de WhatsApp. A publicação inclui pelo menos 30 estabelecimentos classificados como de esquerda e 19 como de direita.
A publicação incentiva consumidores a boicotar empresas associadas a uma ideologia política, mas não apresenta comprovação do posicionamento atribuído aos estabelecimentos.
Alguns empresários se manifestaram nas redes sociais e publicaram notas para esclarecer que não possuem posicionamento político-partidário. Eles também criticaram a iniciativa e os possíveis prejuízos aos trabalhadores e às famílias que dependem da atividade comercial.
Reações de empresários
Em vídeo publicado nas redes sociais, a empresária Carol Paixão criticou a inclusão da empresa de sua família na lista, classificada como de esquerda, e o incentivo para que pessoas identificadas com a direita deixem de frequentar o estabelecimento.
“Quando tentam boicotar uma empresa, não estão atingindo apenas o empresário. Estão atingindo e prejudicando funcionários, trabalhadores, famílias que dependem daquele salário para colocar comida na mesa.”
Carol Paixão informou que a advogada da empresa reuniu dados sobre a lista para encaminhá-los ao Ministério Público.
Em Buriticupu, a empresária Thalyta Mendonça, responsável por dois empreendimentos, também se manifestou após seus negócios serem citados em uma lista semelhante que circula no município.
“A que ponto nós chegamos?! É triste! Onde fica a democracia? Quer dizer, se eu escolho um lado A ou B para votar, eu não mereço que as pessoas comprem na minha mão? Vamos trabalhar e deixar as outras pessoas trabalharem.”
Ela questionou a associação entre escolhas políticas e o consumo em estabelecimentos comerciais e defendeu que os empreendedores possam continuar trabalhando independentemente de suas preferências eleitorais.
Orientação da Polícia Civil do Maranhão
Em nota, a Polícia Civil do Maranhão informou que empresas mencionadas em listas de boicote podem procurar uma unidade policial para registrar ocorrência e apresentar os fatos, caso entendam que foram vítimas de alguma conduta criminosa.
A instituição esclareceu, porém, que a divulgação de uma lista de empresas com a finalidade de promover um boicote não configura necessariamente crime. Segundo a Polícia Civil, a avaliação depende do conteúdo divulgado e das circunstâncias de cada caso.
A análise deve considerar, especialmente, a eventual existência de ameaças, constrangimentos, perseguição, danos ou outras condutas que possam ter relevância criminal.







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