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Política

Lula abre Assembleia da ONU e prepara contraponto a Trump

Presidente discursa em 23 de setembro de 2025, em Nova York, antes de Donald Trump. A fala deve abordar multilateralismo, conflitos, soberania e reforma do Conselho de Segurança.

Por Atualizada em 22/09/2026 às 00:30

Lula abre Assembleia da ONU e prepara contraponto a Trump
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre na manhã desta terça-feira (22) o debate de líderes da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nos Estados Unidos. O petista discursa antes do presidente Donald Trump e, por isso, deve apresentar temas com uma visão de contraponto à do americano.

Lula chegou aos Estados Unidos no domingo (20) e concentrou a agenda de segunda-feira (21) na preparação final do discurso e em encontros com aliados internacionais. Ao longo desta segunda, fez os últimos ajustes no texto ao lado da equipe de assessoria internacional do governo.

Temas centrais: multilateralismo, conflitos e reforma da ONU

Segundo auxiliares do presidente brasileiro, a ideia é mostrar Lula em contraposição a Trump, uma espécie de "anti-Trump" em assuntos como democracia, comércio e paz mundial. Um dos eixos do discurso deve ser sobre a erosão do multilateralismo, com a defesa de que o enfraquecimento da cooperação entre países afeta a vida real das pessoas em áreas como segurança e paz, emergência climática, saúde, comércio e soberania nacional.

Também é esperado que o presidente faça críticas às Nações Unidas e volte a defender uma reforma no Conselho de Segurança. O discurso deve ser crítico aos conflitos globais e ao que o presidente tem dito publicamente sobre ameaça à soberania de países da América Latina, como o que ocorreu no início do ano na Venezuela com a captura de Nicolas Maduro.

Soberania e eleições no Brasil

A expectativa é que Lula dedique parte do discurso a uma defesa da soberania brasileira e a críticas ao que avalia serem tentativas externas de interferência no processo eleitoral do Brasil. Para a equipe do presidente, os EUA representam maior ameaça à reeleição do petista, sobretudo por serem o país das big techs e pelo protagonismo estadunidense na geopolítica.

O processo eleitoral do Brasil não será tema central. Ainda assim, o governo entende que o assunto se tornou relevante porque, na avaliação da diplomacia nacional, "a democracia e o multilateralismo estão sob ataque".

Crime organizado, cooperação e sucessão na ONU

Lula deve reforçar linhas tradicionais da política externa brasileira, como defesa do multilateralismo, de negociações de paz, da não interferência nos assuntos internos dos países, respeito ao direito internacional humanitário, combate ao crime organizado e inteligência artificial. A orientação é que destaque ações adotadas pelo Brasil e a importância da cooperação entre países, sem direcionar a fala especificamente a Trump, ao Primeiro Comando da Capital (PCC) ou a episódios recentes.

O presidente também vem defendendo a reforma do Conselho de Segurança, que, na visão dele, não tem a mesma capacidade de evitar conflitos nem de mediar soluções pacíficas quando algum de seus membros se envolve em guerras. O Conselho tem cinco membros permanentes (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França) e dez não permanentes, com mandato de dois anos; no modelo atual, os permanentes têm poder de veto. A sucessão na ONU também entra no radar: neste ano, a organização definirá o sucessor de Antônio Guterres como secretário-geral. Pelo critério de rotatividade, o Brasil defende a candidatura de uma mulher latino-americana e apoiava o nome da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, que retirou sua candidatura após perder apoio em seu próprio país. A escolha será feita pela Assembleia Geral da ONU, a partir de uma indicação dos membros do Conselho de Segurança.

"anti-Trump"

"a democracia e o multilateralismo estão sob ataque"

Fonte original: g1.globo.com

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