O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta terça-feira (22) o discurso de abertura do debate geral da 81ª edição da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na sede da entidade em Nova York. Na fala, defendeu a soberania nacional, criticou a imposição de tarifas e as guerras, defendeu o PIX e a reforma do Conselho de Segurança da ONU, além de afirmar que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”.
Lula, que é candidato pelo PT à reeleição, mencionou as eleições brasileiras, marcadas para 4 de outubro, e disse que o país vai escolher entre a democracia e o negacionismo.
Críticas à ONU, Conselho de Segurança e guerras
“Desde que ocupei pela primeira vez esta tribuna, em 2003, este é o momento mais crítico das Nações Unidas. O sentimento que me move hoje é o da indignação.”
“A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis – os que não têm exército, nem arsenais – nunca foi tão pequena.”
“Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel.”
“O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial.”
“A guerra não é a continuação da política por outros meios. É a falência total da política.”
“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas.”
“A guerra entre Rússia e Ucrânia se arrasta há cinco anos, em um drama humanitário que continua a ceifar vidas. Todos sabemos que não haverá vencedores no campo de batalha. A diplomacia é a única opção.”
“Iniciativas como o Grupo de Amigos da Paz, criado por Brasil e China, revelam que há forças na comunidade internacional dispostas a trabalhar pelo diálogo.”
América Latina, soberania e processos políticos
“Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável. Sobretudo num contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas.”
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva, que fomente o desenvolvimento.”
“A democracia está novamente em xeque.”
“O povo venezuelano merece definir o próprio destino.”
“A Nicarágua não vai resolver os seus problemas impedindo a oposição de disputar eleições.”
“A crise no Haiti continua a testar os limites da indiferença da comunidade internacional.”
“Em Cuba, o mundo assiste estarrecido à punição coletiva imposta a 10 milhões de pessoas por um embargo econômico e um cerco energético ilegais.”
Crime organizado e cooperação internacional
“O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado.”
“Mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo.”
“Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime.”
“Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao Presidente dos Estados Unidos.”
“Criamos em Manaus o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, reunindo autoridades de segurança pública dos nove países amazônicos.”
“Em 2025, realizamos a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil.”
“A Lei Antifacção que acabamos de aprovar impõe ao crime organizado penas superiores às previstas para o terrorismo.”
“O combate à corrupção continuará implacável, doa a quem doer. Ninguém está acima da lei.”
Tarifas, multilateralismo e saúde
“Os pilares do multilateralismo estão sendo corroídos.”
“A Organização Mundial do Comércio respira por aparelhos.”
“Quando os governos capitulam frente aos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem, as consequências são nefastas.”
“Nunca esqueceremos das milhões de vidas perdidas pelo descaso no enfrentamento da COVID-19.”
“Enfraquecer a Organização Mundial da Saúde torna a todos mais vulneráveis.”
Clima e agenda ambiental
“É hora de retomar a ofensiva e impor uma derrota ao negacionismo.”
“As geleiras do Himalaia estão derretendo. Um Super El Niño pode provocar chuvas torrenciais, secas e incêndios florestais em diferentes partes do globo.”
“O Brasil vem demonstrando que é possível aliar crescimento econômico com redução de emissões.”
“Conquistamos nossa autossuficiência em petróleo e seguiremos pesquisando o potencial de novas reservas, como as da Margem Equatorial.”
“Não renunciaremos à agenda ambiental. Levaremos adiante o Mapa do Caminho para a descarbonização da economia brasileira.”
“O Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado na COP30 em Belém, mostra que é possível mudar antigos paradigmas.”
“A floresta vale mais em pé do que destruída.”
“Continuaremos reduzindo o desmatamento, que caiu pela metade na Amazônia e atingiu o menor nível em 11 anos.”







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