Pindorama FM 93.5 — Mais sucesso na sua vida!TRANSMISSÃO AO VIVO
Eleições

Lula busca virada no 2º turno contra Flávio Bolsonaro e tenta reverter tendência de alternância de poder nas Américas

Nas últimas 17 eleições democráticas nas Américas, a alternância de poder prevalece em 65% dos casos. Lula tenta superar essa tendência no Brasil ao disputar o segundo turno contra Flávio Bolsonaro.

Por Atualizada em 24/10/2026 às 05:00

Lula busca virada no 2º turno contra Flávio Bolsonaro e tenta reverter tendência de alternância de poder nas Américas
🎧 Ouvir notícia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca uma virada inédita contra Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições brasileiras deste ano, tentando reverter uma tendência de alternância de poder que tem marcado o continente americano.

Desde a eleição de 2022, quando Lula derrotou Jair Bolsonaro, foi a primeira vez que um presidente brasileiro disputou e não venceu a reeleição, fato que reforçou a alternância de poder como uma tendência na região.

Nas últimas 17 eleições democráticas nos países das Américas, apenas 6 (35%) resultaram na reeleição do presidente ou na eleição de seu sucessor, enquanto 11 (65%) tiveram alternância de poder.

Além do Brasil, a oposição venceu em países como Argentina, Estados Unidos, Uruguai, Chile e Colômbia. Por outro lado, Paraguai, México e Canadá mantiveram os governos incumbentes.

Quando considerado apenas o grupo de países onde a reeleição é permitida, a alternância de poder permanece predominante. Em sete disputas, três (43%) — República Dominicana, Equador e Canadá — tiveram reeleição, enquanto quatro (57%) — Brasil, Argentina, Estados Unidos e Honduras — resultaram na derrota do atual governante.

"Tem duas camadas, dois movimentos. Um é de mudança, são ventos de mudança, e outros de mudança na direção da direita. Isso na América Latina isso é muito claro e em outros lugares, na própria Europa. No caso da América Latina, há que se ver qual é o efeito da guinada à direita dos Estados Unidos sobre as eleições regionais", afirmou Amâncio Jorge de Oliveira, professor titular do Instituto de Relações Internacionais da USP.

"Difícil saber se é um vínculo da casualidade mais que de contaminação, mas tem havido uma sequência de viradas de administrações de direita com bastante recorrência. O Brasil está numa encruzilhada nessa linha tendendo a seguir o caminho de demais países latino-americanos", acrescentou o professor.

Além da alternância e da ascensão da direita, o continente enfrenta uma crise de popularidade dos governos atuais. Nos Estados Unidos, Donald Trump tem cerca de 30% de aprovação e 66% de desaprovação, enquanto na Argentina, Javier Milei registra 38% de aprovação e 58% de desaprovação.

Presidentes no início do mandato, como José Antonio Kast no Chile e Keiko Fujimori no Peru, também enfrentam aprovação próxima a 30% em meio a crises econômicas.

"Nós temos na base, na origem desse problema, o fiscal. Você tem desarranjos fiscais muito violentos nesses países. A Argentina talvez seja o caso mais impressionante de um país com desarranjo fiscal, desequilíbrio fiscal, déficit fiscal. A entrada de gestões de direita combina uma situação de demanda e exigência de controle fiscal com práticas que são práticas de retiradas de direitos trabalhistas para poder facilitar esse ajuste fiscal", explicou Amâncio Jorge.

O professor também destacou o papel das redes sociais: "O impacto é mais rápido. Isso é um fenômeno de massa. A opinião de massa, ou opinião popular, era mais volátil do que a opinião de elite. Ela faz alterações e mudanças de direção de maneira muito brusca. Já as elites são mais estáveis no tempo porque tomam decisões entendendo a complexidade e com mais calma. O efeito da internet potencializa esses deslocamentos bruscos. Numa direção ou de outra".

Cenário recente nas eleições das Américas

Brasil 2022 – Alternância de poder

Em 2022, Lula retornou à presidência após vencer Jair Bolsonaro com 50,90% dos votos (60,3 milhões), contra 49,10% (58,2 milhões) do então presidente, que se tornou o primeiro a não ser reeleito desde a instituição da reeleição em 1998.

Paraguai 2023 – Continuidade

Santiago Peña, do Partido Colorado, venceu com 42,7% dos votos, garantindo a continuidade do partido do presidente Mario Abdo Benítez.

Guatemala 2023 – Alternância de poder

Bernardo Arévalo, do Movimento Semilla, venceu o segundo turno com 60,9%, surpreendendo o cenário político local.

Argentina 2023 – Alternância de poder

Javier Milei, da coalizão La Libertad Avanza, venceu com 55,7%, em meio a uma grave crise econômica.

Panamá 2024 – Alternância de poder

José Raúl Mulino venceu com 34,3% dos votos, derrotando o candidato governista José Gabriel Carrizo, que ficou em sexto lugar.

República Dominicana 2024 – Continuidade por reeleição

O presidente Luis Abinader foi reeleito com 57,4% dos votos, garantindo o segundo mandato já no primeiro turno.

México 2024 – Continuidade

Claudia Sheinbaum, do Morena, venceu com 59,8%, tornando-se a primeira mulher presidente do México.

Estados Unidos 2024 – Alternância de poder

Donald Trump venceu com 312 votos no Colégio Eleitoral, contra 226 de Kamala Harris, marcando seu retorno à presidência.

Uruguai 2024 – Alternância de poder

Yamandú Orsi, da Frente Ampla, venceu o segundo turno com 49,77%, retornando ao governo após cinco anos na oposição.

Equador 2025 – Continuidade por reeleição

Daniel Noboa foi reeleito com 55,6%, após completar mandato iniciado em 2023.

Canadá 2025 – Continuidade

O Partido Liberal, liderado por Mark Carney, manteve o governo nas eleições parlamentares, apesar de não alcançar maioria absoluta.

Bolívia 2025 – Alternância de poder

Rodrigo Paz venceu com 54,5%, encerrando quase duas décadas de domínio do Movimento ao Socialismo.

Honduras 2025 – Alternância de poder

Nasry Asfura, do Partido Nacional, venceu com 40,3%, encerrando o governo de Xiomara Castro.

Fonte original: g1.globo.com

Pedir música

Pesquisar notícias

Digite pelo menos 2 letras para buscar notícias.