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Política

Lula chega a Nova York para Assembleia da ONU

Presidente desembarcou na noite de domingo (20) e deve abrir a sessão de terça-feira (22). Agenda inclui possível contato informal com Trump e reunião com o prefeito Zohran Mamdani.

Por Atualizada em 21/09/2026 às 16:22

Lula chega à residência oficial do representante do Brasil na ONU, em Nova York • Priscila Yazbek / CNN Brasil
Lula chega à residência oficial do representante do Brasil na ONU, em Nova York • Priscila Yazbek / CNN Brasil
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a Nova York na noite deste domingo (20) para a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). Tradicionalmente, o presidente brasileiro é o primeiro chefe de Estado a discursar na abertura da cúpula, marcada para terça-feira (22).

Discurso e posições previstas

Em briefing à imprensa, o Itamaraty afirmou que o presidente deve defender a soberania nacional, e Lula disse que deve pedir que os EUA não interfiram nas eleições.

“não se meta nas eleições no Brasil”

Apesar das críticas recentes ao governo de Donald Trump, Lula não deve citar nominalmente o presidente norte-americano no discurso. O Brasil acusa os Estados Unidos de violação à soberania nacional desde o primeiro tarifaço aplicado pela Casa Branca aos produtos brasileiros no ano passado.

A diplomacia brasileira nega que Lula vá utilizar o discurso em tom eleitoral. A previsão é de que o presidente defenda as instituições e rejeite interferências estrangeiras nos assuntos domésticos brasileiros, mas sem mencionar diretamente a crise entre ministros do STF. A fala também deve tratar do cenário internacional, com críticas ao crescimento dos conflitos globais e defesa de negociações de paz, além dos efeitos das guerras sobre a economia mundial, incluindo a produção e o preço dos alimentos. Lula pretende ainda alertar para o avanço da corrida armamentista e para a disputa internacional pelo controle de recursos naturais estratégicos. Na agenda ambiental, deve citar a COP30 e apresentar o Brasil como defensor de um modelo de desenvolvimento que combine crescimento econômico e preservação ambiental. A regulação das plataformas digitais também deve aparecer, com referências ao ECA Digital, à proteção de crianças e mulheres e aos desafios impostos pelo avanço da inteligência artificial.

Crime organizado e acusações dos EUA

O combate ao crime organizado transnacional deve ganhar espaço na fala de Lula, diante das recentes acusações de Trump contra o Brasil. O presidente brasileiro deve citar medidas adotadas pelo país no enfrentamento aos grupos criminosos, incluindo acordos de cooperação firmados com os Estados Unidos.

Em documento enviado ao Congresso norte-americano, Trump afirmou que o governo brasileiro falhou ao confrontar o PCC e o CV e declarou que o país precisa tomar medidas agressivas para confrontar e derrotar os grupos antes que eles se espalhem e cresçam. Para a equipe diplomática de Lula, as acusações feitas pela Casa Branca contra o Brasil sobre o crime organizado são uma “fórmula” que “tem embutido outros interesses”.

“fórmula”

“tem embutido outros interesses”

Possível encontro com Trump

Não há, até o momento, reunião bilateral agendada entre Lula e Trump, nem pedido formal dos governos para um encontro. O Palácio do Planalto, porém, aposta na possibilidade de um contato informal entre os dois presidentes durante a cerimônia. Lula abre os discursos dos chefes de Estado e Trump fala logo depois, e a organização da sessão pode favorecer um encontro entre os dois enquanto um deixa a área reservada e o outro se prepara para entrar.

No ano passado, em situação semelhante, Trump afirmou ter tido uma “excelente química” com Lula. A conversa rápida abriu um canal de diálogo que posteriormente resultou em outros encontros, na Malásia e na Casa Branca, além de telefonemas. Auxiliares de Lula afirmam que a relação entre os presidentes permanece preservada, apesar das dificuldades nas conversas entre integrantes dos dois governos. Auxiliares do presidente da República, no entanto, negam que exista atualmente um pedido de reunião bilateral e não descartam um encontro fortuito e um aperto de mãos entre os dois.

“excelente química”

“bate-papo”

Reunião com prefeito de Nova York e entrevista

Além da participação na Assembleia Geral, Lula terá um encontro com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, às margens do evento da ONU. A reunião foi solicitada pelo prefeito e deve ocorrer na residência do representante do Brasil na ONU, o embaixador Sérgio Danese.

Mamdani assumiu o cargo em janeiro deste ano e se tornou o segundo prefeito na história de Nova York a se identificar como socialista e o mais jovem a comandar a cidade em mais de um século, aos 34 anos. Segundo interlocutores de Lula, ainda são analisados cerca de 30 pedidos de reuniões bilaterais. O encontro com Mamdani está entre as poucas agendas já confirmadas, ao lado de uma entrevista com a âncora Christiane Amanpour.

Na avaliação de um interlocutor, a reunião pode dar a Mamdani a projeção que ele busca no movimento progressista internacional, no qual Lula é reconhecido. Setores do PT também veem no prefeito uma liderança jovem, à frente de uma das principais cidades do mundo e com potencial para renovar a esquerda em nível global. O mesmo interlocutor pondera, porém, que uma aproximação entre Lula e Mamdani pode gerar atritos com Trump em um momento de negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Fonte original: www.cnnbrasil.com.br

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