O terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega em seu quarto ano como um dos mais desaprovados nas pesquisas desde a redemocratização. Apesar da melhora nos índices econômicos, Lula não consegue aprovação da maioria da população.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o desemprego está nas menores taxas da série histórica, com 5,3% no trimestre encerrado em agosto, e a inflação está em trajetória de queda, com índice negativo de -0,32% em agosto e acumulado de 12 meses em 4,22%. Para comparação, no mesmo período de 2022, o governo Jair Bolsonaro (PL) registrava inflação de 8,73%.
Avaliação de governo e intenção de voto
Levantamento do g1 com dados econômicos, de pesquisa de intenção de voto e de avaliação de governo desde 1989 mostra que o Brasil repete cenário semelhante ao de 2022 nas eleições de 2026.
Segundo a pesquisa Datafolha mais recente antes do primeiro turno da disputa pela Presidência, Lula está levemente à frente de Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto. Lula tem 45% das intenções de votos válidos, contra 40% de Flávio Bolsonaro.
Em setembro de 2022, 40% consideravam o governo de Jair Bolsonaro ruim ou péssimo, enquanto 37% avaliavam como bom ou ótimo. Atualmente, 41% têm avaliação negativa da terceira gestão de Lula, e 35% consideram o governo atual bom ou ótimo.
Essas avaliações refletem a polarização política no país.
Contexto histórico e comparação com mandatos anteriores
O fim do pleito de 2022 marcou um fato histórico: Jair Bolsonaro foi o primeiro presidente a tentar a reeleição e não ser reeleito.
Lula tem apresentado números baixos de aprovação durante seu terceiro mandato, em contraste com sua última passagem pela presidência. Em 2010, quando entregava o governo para Dilma Rousseff (PT), Lula alcançava mais de 80% de aprovação.
Indicadores econômicos e programas do governo
O governo Lula utiliza os índices econômicos em sua campanha para o quarto mandato e destaca a saída do Brasil do Mapa da Fome, fato comemorado pelo presidente. O país havia saído do Mapa da Fome em 2014, mas foi recolocado na lista pela ONU em 2022, com base em dados de 2018 a 2020. Em 2025, a ONU retirou o Brasil da lista, já que menos de 2,5% da população estava em risco de subnutrição.
Apesar dos dados econômicos positivos, a avaliação da população não reage de forma mais favorável, possivelmente influenciada pelo endividamento das famílias brasileiras. Dados do Banco Central (BC) mostram que a taxa média de inadimplência nas operações de crédito subiu para 5% em agosto, o maior patamar desde o início da série histórica, em março de 2011.
Para tentar reverter esse quadro, Lula anunciou uma nova rodada do programa Desenrola, que renegocia dívidas de pessoas físicas. O governo estima que as dívidas nessas modalidades somam R$ 300 bilhões e pretende alcançar 50% desse valor, ou R$ 150 bilhões.
O programa prevê a aquisição e reestruturação de dívidas com atraso de 2 a 4,5 anos, voltado para dívidas de até R$ 10 mil de cartão de crédito, nas modalidades parcelada e rotativa, e de crédito pessoal sem consignação em folha.
Foto: Ton Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo; Reuters/Adriano Machado







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