O percentual de votos nos candidatos do PT à Presidência da República vem diminuindo desde 2018 em Guaribas, no Piauí, município que foi piloto do Programa Fome Zero há mais de 20 anos e onde o partido era o mais votado proporcionalmente nas eleições presidenciais.
No primeiro turno das eleições de 2026, o presidente Lula (PT) recebeu 87,6% dos votos válidos em Guaribas. Em 2022, havia obtido 92,1% no primeiro turno, e em 2014, Fernando Haddad, então candidato do PT, teve 93,2%.
Guaribas agora ocupa a sexta posição entre as cidades com maior percentual de votos para o PT. O maior percentual registrado foi em Bonfim do Piauí (PI), com 88,73%. Diferentemente de eleições anteriores, nenhum município brasileiro entregou mais de 90% dos votos válidos para o PT no primeiro turno em 2026.
Enquanto isso, em Nova Pádua, no Rio Grande do Sul, o percentual de votos destinados aos candidatos da família Bolsonaro tem aumentado a cada eleição. Em 2018, Jair Bolsonaro (PL) teve 82,8% dos votos válidos no primeiro turno, não sendo o município com maior votação para ele naquele ano — o topo era Treze de Maio, em Santa Catarina, com 83,89%.
Em 2022, Nova Pádua tornou-se o município mais bolsonarista, com 84% dos votos no primeiro turno para Jair Bolsonaro. Em 2026, Flávio Bolsonaro conquistou 87% dos votos válidos no município.
Em 2018, Jair Bolsonaro foi eleito presidente; em 2022, o vencedor foi Lula; e em 2026, Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Evolução dos votos em Guaribas, no Piauí
- Fernando Haddad (PT): 93,2%
- Jair Bolsonaro (PSL): 1,9%
- Jair Bolsonaro (PL): 5,6%
- Flávio Bolsonaro (PL): 10,5%
Evolução dos votos em Nova Pádua, no Rio Grande do Sul
- Jair Bolsonaro (PSL): 82,8%
- Fernando Haddad (PT): 4,5%
- Jair Bolsonaro (PL): 84%
- Flávio Bolsonaro (PL): 87%
Expansão de igrejas evangélicas em Guaribas
Guaribas foi escolhida em 2003 para receber o projeto-piloto do Fome Zero, programa criado no início do primeiro governo Lula para combater a fome e a extrema pobreza. O município estava entre os mais pobres do país e apresentou melhorias em indicadores sociais nas décadas seguintes.
Atualmente, 3.283 moradores de Guaribas são atendidos pelo Bolsa Família, o que corresponde a cerca de 75% da população do município. Cada família recebe, em média, R$ 699,77 do programa social.
A taxa de mortalidade infantil caiu de 43,96 óbitos por mil nascidos vivos em 2004 para 29,41 em 2025. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) passou de 0,214 em 2000 para 0,508 em 2010, dado mais recente disponível. A taxa de escolarização de crianças e adolescentes de 6 a 14 anos atingiu 98,46% em 2022.
O município tem registrado expansão de igrejas evangélicas desde pelo menos 2020. Entre elas, está a Igreja Bíblica da Paz, que enviou um pastor de São Paulo para morar em Guaribas. No site da igreja, a denominação afirma que a decisão de se instalar no Piauí ocorreu após “dois anos consecutivos de viagem missionária à cidade” e descreve a atuação no sertão como um trabalho para que vidas sejam “salvas e transformadas pelo poder da palavra de Deus”.
Outra igreja que chegou à cidade nesse período foi a Assembleia de Deus Clamor da Última Hora. Essas se somaram a denominações evangélicas já presentes no município, como Assembleia de Deus Madureira, Assembleia de Deus Missões e O Brasil para Cristo.
Perfil de Nova Pádua, no Rio Grande do Sul
Nova Pádua é um município de colonização italiana na Serra Gaúcha, com população estimada em 2.389 moradores, que se autodenomina como “pequeno paraíso italiano”.
A cidade apresenta indicadores sociais acima da média de muitos municípios brasileiros. O IDHM é de 0,761, conforme dado municipal mais recente, de 2010. Na educação, 100% das crianças e adolescentes de 6 a 14 anos estavam escolarizados em 2022, segundo o IBGE.
Durante a pandemia de Covid-19, quando o então presidente Jair Bolsonaro fez declarações críticas às vacinas, a adesão dos moradores à imunização foi elevada. Em 2022, 83% da população de Nova Pádua estava vacinada, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde.
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), que disputam o segundo turno presidencial no dia 25 de outubro — Foto: Vittor Sales e Ricardo Stuckert






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