Na reta final do 1º turno, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ajustam as estratégias para as duas últimas semanas antes da votação em 4 de outubro. Lula pretende reforçar a agenda social e econômica e tentar tirar o foco da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio, por sua vez, mira ampliar sua votação no Sudeste, reduzir a vantagem do petista no Nordeste e apostar no discurso do voto útil.
Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (21) mostra que, no cenário estimulado de primeiro turno, Lula tem 37% das intenções de voto e Flávio, 33%. Apesar da vantagem numérica do petista, os dois estão em empate técnico no limite da margem de erro. Em relação ao levantamento anterior, Lula e Flávio oscilaram para cima: um e dois pontos, respectivamente. Em um eventual segundo turno, também aparecem tecnicamente empatados: Flávio tem 42%, e Lula, 41%.
Campanha de Lula tenta retomar pauta social e econômica
Diante do avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, a campanha de Lula pretende dar mais espaço a temas como economia, preço dos alimentos, saúde e segurança. A estratégia inclui deslocar o foco da crise envolvendo o STF, que dominou o noticiário político na semana passada. Integrantes da equipe avaliam que o episódio provocou desgaste eleitoral e havia temor de impacto nas intenções de voto.
“Claro que vínhamos em uma situação muito favorável eleitoralmente. Veio essa crise institucional. É inegável que ela atingiu a nossa campanha, desgastou a nossa campanha”
A equipe de Lula avalia que começou a mudar o foco do debate com o reajuste do Bolsa Família e o anúncio de que o SUS deverá passar a oferecer canetas para emagrecimento. A campanha também deve reforçar a expansão do Pé-de-Meia para todos os estudantes do ensino médio da rede pública. Além disso, pretende explorar o impacto das apostas esportivas no orçamento das famílias; em agenda na semana passada, o candidato à reeleição defendeu o fim das bets, tema que será levado à propaganda eleitoral e é visto internamente como uma pauta com potencial de dialogar sobretudo com as mulheres.
Flávio mira Sudeste, busca reduzir diferença no Nordeste e investe no voto útil
A campanha de Flávio Bolsonaro deve usar as duas últimas semanas antes do primeiro turno para tentar reduzir a diferença para Lula no Nordeste e ampliar sua votação no Sudeste. Na Quaest mais recente, Lula tem 57% das intenções de voto no Nordeste, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Entre mulheres, Lula aparece com 44% das intenções de voto no 2º turno, ante 37% de Flávio. No Sudeste, Flávio oscilou de 47% para 43% e Lula, de 31% para 36%, com empate técnico na região.
O candidato do PL pretende concentrar o discurso em propostas na área social, como o aprimoramento do Bolsa Família, e manter o foco no eleitorado feminino, com medidas voltadas à ampliação das oportunidades de trabalho e da oferta de vagas em escolas e creches. A campanha também busca evitar, neste momento, críticas ao reajuste do Bolsa Família anunciado na quinta-feira (17), que elevou o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691. No sábado (19), Flávio afirmou que Lula “tentou comprar votos dos mais pobres” e classificou como insuficiente o aumento de R$ 90.
“Bolsonaro triplicou, deu mais R$ 420 do que era a média”
Além disso, Flávio deve cumprir agenda em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, os três maiores colégios eleitorais do país. O giro pelo Sudeste deve começar na quinta-feira (24), por Minas Gerais; na sexta (25), o senador estará em São Paulo e, no fim de semana, no Rio de Janeiro. Desde a semana passada, ele intensificou o discurso em defesa do voto útil para atrair eleitores de direita que hoje pretendem votar em Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos ou Romeu Zema.
“Vocês que estão pensando em votar em outros candidatos, que são meus concorrentes, pensem na possibilidade de votar em Flávio Bolsonaro no primeiro turno, para a gente resolver logo”







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