Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se tornou o presidente com o maior número de mandatos conquistados pelo voto popular em democracias, ao lado do ex-presidente dos Estados Unidos Franklin Delano Roosevelt. Com a vitória nas eleições deste domingo (25), o petista chegou ao quarto mandato à frente do Palácio do Planalto, igualando o recorde do americano, que governou o país por 12 anos, entre 1933 e 1945.
Até então, Roosevelt era o único nome entre os eleitos quatro vezes em democracias. Lula foi eleito em 2002 e 2006, voltou à Presidência em 2022 e conquistou um novo mandato em 2026.
Segundo Eduardo José Grin, professor de Ciência Política da Fundação Getulio Vargas (FGV), a vitória de Lula o coloca no mesmo patamar histórico de Roosevelt quando são considerados os regimes democráticos com eleições competitivas.
"Não estou falando, por exemplo, de sucessões consecutivas na Venezuela ou na Rússia, onde a gente poderia chamar isso, de acordo com a literatura, de autocracias eleitorais ou autocracias competitivas", completou Grin.
O caso norte-americano tem uma particularidade histórica: quando Roosevelt conquistou o terceiro e o quarto mandatos, não existia uma regra constitucional que limitasse a quantidade de vezes que uma pessoa poderia ser eleita presidente dos Estados Unidos.
A situação mudou posteriormente. Em 1947, foi aprovada uma emenda constitucional que estabeleceu o limite de dois mandatos presidenciais no país.
No Brasil, um presidente pode exercer dois mandatos consecutivos, mas não pode disputar imediatamente um terceiro mandato seguido. A legislação, porém, permite que um ex-presidente volte a concorrer depois de deixar o cargo por um período, como ocorreu com Lula, que retornou ao Planalto em 2023 após vencer o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022.
A política na vida de Lula em São Bernardo do Campo
Lula completa 81 anos nesta terça-feira. Nasceu em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, no interior de Pernambuco. É o sétimo dos oito filhos do casal de lavradores Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, conhecida como dona Lindu.
Seu pai deixou Pernambuco quando Lula ainda era bebê e se mudou para o litoral paulista em busca de trabalho. Em dezembro de 1952, aos 7 anos, Lula viajou com a mãe e os irmãos para São Paulo em um caminhão pau de arara.
A família se instalou inicialmente em Guarujá, onde reencontrou Aristides, que já havia formado outra família. Dona Lindu acabou se separando do marido. Em 1956, ela e os filhos se mudaram para a capital paulista, onde passaram a morar em um pequeno cômodo nos fundos de um bar.
Durante a infância e a adolescência, Lula trabalhou como vendedor ambulante, engraxate e office boy, até conseguir emprego na Fábrica de Parafusos Marte.
Aos 14 anos, ingressou na indústria. Aos 18, concluiu o curso de torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Antes disso, aos 17 anos, perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho.
Em 1969, casou-se com a operária Maria de Lourdes da Silva, que morreu grávida em 1971. Em 1974, casou-se com Marisa Letícia, com quem viveu por mais de quatro décadas.
Ele ocupou diferentes funções no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, onde foi suplente, primeiro-secretário e presidente.
A atuação sindical ganhou projeção nacional durante as greves de metalúrgicos que paralisaram o ABC paulista no fim da década de 1970 e no início da década de 1980, durante a ditadura militar (1964-1985).
Naquele mesmo ano, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), criado com a participação de políticos, sindicalistas, intelectuais, lideranças rurais e religiosas. Marisa Letícia, sua esposa na época, costurou a primeira bandeira do partido.
Lula também teve participação importante na criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1983. No ano seguinte, participou da campanha das Diretas Já, movimento que levou multidões às ruas para exigir a retomada das eleições diretas para presidente da República.
A passagem do sindicalismo para a política eleitoral havia começado em 1982, quando Lula disputou o governo de São Paulo, sem sucesso, e terminou em quarto lugar.
Em 1986, foi eleito deputado federal por São Paulo e participou da Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela elaboração da Constituição de 1988.
A trajetória eleitoral de Lula teve derrotas antes da primeira vitória presidencial. Depois de disputar três eleições presidenciais sem sucesso, o petista chegou ao Palácio do Planalto em 2003, após vencer a eleição de 2002.
Ele foi reeleito em 2006 e permaneceu na Presidência até 2010. Depois de 12 anos fora do cargo, voltou a disputar a eleição presidencial e venceu Jair Bolsonaro em 2022, reassumindo o governo em janeiro de 2023.
A trajetória também foi marcada por condenações posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelos 580 dias em que ficou preso. Após recuperar seus direitos políticos, Lula voltou à disputa eleitoral e conquistou o terceiro mandato presidencial em 2022.







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