A Polícia Civil investiga uma denúncia de racismo feita por uma mãe, que afirma que a filha, uma criança autista, foi chamada de “pretinha” durante uma discussão na praça de alimentação de um shopping no bairro do Calhau, em São Luís. O caso aconteceu na quarta-feira (16), no horário do almoço.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), a apuração está a cargo da Delegacia de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância. As partes envolvidas já prestaram depoimento e, nos próximos dias, testemunhas devem ser ouvidas e imagens das câmeras de segurança do shopping serão requisitadas.
Discussão na praça de alimentação
De acordo com a mãe, Pedrolina do Espirito Santo da Silva, conhecida como Keyla Negona, o episódio começou após um desentendimento envolvendo um lugar ocupado na praça de alimentação. Segundo uma testemunha, Keyla estava sentada no local com a filha quando outra mulher afirmou que aquele era o lugar dela e pediu que as duas se retirassem.
Ainda segundo a testemunha, houve uma discussão e a mulher teria afirmado que “não queria se misturar com esse tipo de gente”. Depois que Keyla e a filha se levantaram, a cliente ainda teria feito novas declarações de cunho racial e chamado as duas de “preta” e “pretinha”.
Após o episódio, a mãe publicou uma nota de repúdio nas redes sociais. No texto, Keyla afirmou que a situação causou “dor, constrangimento e revolta” e disse que não pretende se calar diante do caso. Ela também destacou que a filha é autista e afirmou que situações de preconceito não devem ser tratadas como brincadeira.
“não queria se misturar com esse tipo de gente”
“preta”
“pretinha”
“dor, constrangimento e revolta”
Relato de tratamento desigual na ida à delegacia
Além da denúncia de racismo, a mãe afirmou ter se sentido discriminada durante a atuação dos policiais que acompanharam as envolvidas até a delegacia. Segundo Keyla, após a ocorrência no shopping, perguntou aos policiais se poderia seguir até a delegacia no próprio carro, mas teria sido informada de que isso não seria permitido.
A mãe afirma, no entanto, que a mulher apontada por ela como autora das supostas ofensas teria sido autorizada a seguir no próprio veículo, acompanhada por policiais durante o trajeto. Em um vídeo gravado durante o deslocamento, Keyla questionou a diferença de tratamento e disse que gostaria que a situação também fosse apurada pelas autoridades. Ela classificou a situação como tratamento desigual e pediu que a conduta fosse esclarecida.
A SSP informou que a atuação das equipes de segurança envolvidas também será apurada no curso da investigação. A secretaria disse ainda que “não haverá qualquer omissão na investigação” e que as providências cabíveis serão adotadas a partir dos elementos reunidos.
“não haverá qualquer omissão na investigação”
Investigação segue em andamento
Segundo a SSP, a secretaria tomou conhecimento do relato e determinou a oitiva de todos os envolvidos. O caso segue em apuração, com novas diligências para esclarecer as circunstâncias do episódio e verificar o que ocorreu durante a abordagem e o deslocamento das envolvidas até a delegacia.
A mãe afirmou que decidiu tornar a denúncia pública para chamar atenção para situações semelhantes enfrentadas por outras famílias.
“Minha filha merece respeito. Minha família merece respeito. Toda pessoa merece respeito”







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