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Malévola Alves denuncia abusos e diz que ficou 15 horas presa no Egito

A influenciadora trans Malévola Alves relatou ter sofrido importunação sexual, discriminação e tratamento degradante durante abordagem policial e detenção no Egito. Ela criticou a atuação das autoridades locais e afirmou que o processo contra ela segue em tramitação no país.

Por Atualizada em 23/10/2026 às 11:00

Malévola Alves denuncia abusos e diz que ficou 15 horas presa no Egito
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A influenciadora trans Malévola Alves fez um desabafo após desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, na noite de sexta-feira (23), relatando abusos que afirma ter sofrido durante uma abordagem policial e o período em que esteve detida no Egito. O Portal LeoDias acompanhou a chegada, com a presença dos repórteres Cíntia Lima e Adriel Marques.

Visivelmente indignada, Malévola criticou mensagens publicadas nas redes sociais por brasileiros que, segundo ela, tentaram justificar os episódios de assédio pela roupa que vestia.

“O que mais me indigna é ver as mensagens que a gente vê na internet, dos próprios brasileiros atacando e falando: ‘Ai, mas ela estava com uma roupa curta’. Não é porque estou com uma roupa curta que alguém tem o direito de colocar a mão na minha bunda, me assediar ou tentar me beijar”

A influenciadora também rebateu acusações relacionadas aos vídeos produzidos durante a viagem, afirmando que as gravações foram feitas com autorização das pessoas envolvidas e sem intenção de desrespeitar a população local ou espaços religiosos.

“Todos os vídeos que a gente gravou foram feitos com o consentimento e a permissão das pessoas envolvidas. A gente não desrespeitou ninguém nem nenhuma mesquita. Estávamos fazendo apenas conteúdo de comédia, e eles viram isso como, eu acho, um motivo para tratar a gente como lixo por sermos trans”

Relato de assédio e críticas à atuação policial

Sobre as acusações de atos obscenos e importunação que seguem em tramitação no Egito, Malévola criticou a forma como as autoridades conduziram a situação, afirmando que a polícia não tomou providências quando o grupo foi alvo de assédio.

“Amiga, acredito que eles são um bando de hipócritas porque, na hora de assediarem a gente e tocarem na gente, inclusive na nossa amiga Larissa, nós falamos com o policial, mas ele não fez nada”

Ela também manifestou revolta com o processo que continua no país e disse que não pretende voltar ao Egito.

“Eu acho que eles são um bando de hipócritas. O processo está rolando lá, e eu quero que eles vão tomar no… porque é um país para onde eu nunca mais quero voltar”

Malévola contou que já havia visitado o Egito anteriormente, sem enfrentar problemas, mas que desta vez a abordagem ocorreu durante um passeio turístico, quando autoridades pararam uma van com vários visitantes.

“Pararam a van inteira, com vários turistas, pegaram só o meu passaporte, o dela e os dos nossos outros amigos brasileiros e levaram a gente para a delegacia. Ficamos mais de 15 horas sentados, sem um copo de água”

Tratamento degradante e denúncias de violência

Ao descrever o período de detenção, Malévola afirmou que se sentiu humilhada e que o tratamento recebido esteve relacionado à sua identidade de gênero, classificando o episódio como violência sexual e discriminação.

“Sim, a gente foi abusada sexualmente, tratada como criminosa e como lixo. Parecia que eu tinha levado drogas para o país. Isso é inadmissível. Apenas por sermos mulheres trans, isso é crime. Até quando esses países vão nos tratar dessa maneira? E eu sou só uma dessas”

Ela também mencionou relatos de outras mulheres trans que enfrentaram dificuldades para entrar em determinados países, citando o caso de uma amiga que teria sido impedida de entrar em Dubai por ser trans.

“Ela mesma, quando foi para Dubai pela primeira vez, teve que voltar. Nem chegou a entrar no país por ser trans. Até quando?”

Ao concluir a entrevista, Malévola reforçou que os episódios relatados não definem quem ela é e afirmou que não pretende se calar diante do que considera uma injustiça.

“Isso não muda quem somos nem diz respeito ao nosso caráter. Não vamos ficar quietas, e domingo é Lula 13!”

Fonte original: portalleodias.com

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