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Malévola detalha prisão no Egito e denuncia transfobia: "Me senti um lixo"

A influenciadora trans Mariana Alves, conhecida como Malévola, relatou em vídeo os detalhes da prisão no Egito, denunciando assédio policial e transfobia durante a detenção em Alexandria.

Por Atualizada em 23/10/2026 às 00:00

Malévola foi presa no Egito ao lado de amiga • Instagram / Malévola
Malévola foi presa no Egito ao lado de amiga • Instagram / Malévola
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A influenciadora digital Mariana Alves, 22 anos, conhecida como Malévola, se pronunciou pela primeira vez após ser presa no Egito na terça-feira (20). Em vídeo publicado nas redes sociais na quinta-feira (22), ela detalhou o que ocorreu durante o período em que esteve detida.

Malévola contou que contratou um passeio guiado em Alexandria para um grupo de cinco brasileiros, além de turistas de outras nacionalidades. Em uma das primeiras paradas, ela e a amiga Bruna Mercatelli teriam sido assediadas por policiais.

"A roupa não dá permissão de me assediar. A roupa não dá permissão para ninguém passar a mão em mim."

Ela rebateu críticas que sugeriam que deveriam ter se adaptado à cultura local:

"Gente, eu já viajei a Ásia e o Oriente Médio inteiro. Eu já estive no Egito em 2025. Eu já estive em vários países, então, eu entendo a cultura, eu entendo o que pode e o que não pode ser feito."

Malévola afirmou que ela e Bruna tinham permissão para gravar os vídeos divulgados antes da prisão. Nas imagens, as mulheres dançam e fazem gestos que teriam motivado a investigação contra elas. Segundo o Ministério do Interior egípcio, elas teriam feito comentários "insinuantes" e assediado pessoas em Alexandria.

"Os homens que estavam participando eram homens que queriam aparecer. Eu não vi maldade alguma nisso. Eles estavam rindo, eles permitiram a gravação, estava todo mundo se divertindo. Aquilo ali era algo para se divertir."

A influenciadora relatou ainda abusos durante a abordagem policial:

"Foram momentos de horror em Alexandria. Fui abusada desde o primeiro dia em que a gente chegou no Cairo. A minha amiga Larissa gravou stories chorando porque vários homens colocaram a mão na bunda dela. Ela ligou para a polícia, e a polícia não fez nada."

Malévola, que é transgênero, denunciou transfobia ao chegar à delegacia:

"A guia chegou na gente e falou: 'Eu preciso fazer uma pergunta honesta. Vocês são transexuais?'. E eu falei que não. Eu tive que falar isso pela minha segurança. Eu não sei o que poderia acontecer comigo."

Ela contou que os policiais apreenderam os celulares dela e de Bruna, impedindo a comunicação com suas famílias, e que não receberam água nem comida durante a detenção.

Em outra delegacia, Malévola relatou ter sido submetida a uma inspeção íntima:

"Precisei ficar pelada para verem se eu era mulher mesmo. Eles viram que eu era mulher e pediram desculpa depois. Eu me senti um lixo."

Contexto da prisão

A influenciadora digital foi presa junto com uma amiga após uma investigação sobre vídeos publicados nas redes sociais. Segundo o Ministério do Interior egípcio, as duas brasileiras foram detidas em Alexandria por terem feito comentários considerados insinuantes e por assediar pessoas no local.

O órgão afirmou que, durante o interrogatório, as duas admitiram ter gravado e publicado os vídeos com o objetivo de aumentar o número de visualizações.

O Egito já foi alvo de críticas de especialistas da ONU por ações de repressão contra mulheres e integrantes da comunidade LGBTQIA+.

Quem é Malévola Alves?

Malévola Alves é o nome artístico de Mariana Alves Gadelha Pereira. A influenciadora trans ganhou popularidade nas redes sociais com publicações sobre lifestyle, moda e rotina, além de vídeos de humor e do formato “arrume-se comigo”.

Ela reúne cerca de 800 mil seguidores no Instagram e tem destaque especialmente entre o público jovem, com conteúdos marcados pelo humor ácido e comentários sobre situações do cotidiano.

Publicado por Gabriela Maraccini, da CNN Brasil

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Fonte original: www.cnnbrasil.com.br

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