Atuar como mesário nas eleições não é considerado emprego temporário e não dá direito a salário. Ainda assim, há compensações: quem trabalha como mesário tem direito a dois dias de folga para cada dia de atuação na eleição, sem desconto no salário, e o treinamento também garante mais dois dias de folga.
Com isso, quem participa do treinamento, trabalha no primeiro turno e também no segundo pode acumular até seis dias de folga. O segundo turno não ocorre em todos os locais e só é realizado quando necessário nas disputas para presidente da República e governador. Em 2026, está marcado para 25 de outubro.
Os mesários também recebem R$ 65 de auxílio-alimentação por turno de votação. Quem trabalha nos dois turnos, portanto, recebe R$ 130 no total. Em concursos públicos, o serviço eleitoral pode ser usado como critério de desempate, desde que essa possibilidade esteja prevista no edital. Estudantes de instituições conveniadas podem usar o trabalho eleitoral e o treinamento para cumprir atividades extracurriculares.
Há estados com benefícios adicionais. No Paraná, por exemplo, mesários têm direito a meia-entrada em eventos culturais e esportivos por dois anos após a eleição. Também há previsão de isenção de taxa em determinados concursos públicos estaduais e municipais, conforme a legislação aplicável.
Como funcionam as folgas
As datas das folgas devem ser combinadas entre empregado e empregador. O mesário recebe uma declaração da Justiça Eleitoral que comprova os dias de serviço prestados. É possível negociar o uso dos dias de uma só vez ou separadamente, inclusive emendando com férias ou feriados.
Se o trabalhador tiver mais de um emprego, o direito às folgas vale para todos os vínculos empregatícios que mantinha na época em que atuou nas eleições. Já quem muda de emprego depois de trabalhar como mesário deve ficar atento: a legislação não garante a transferência dessas folgas para o novo vínculo empregatício.
Prazos, treinamento e números de mesários
Para as eleições de 2026, o período de nomeação dos mesários ocorreu entre 7 de julho e 28 de agosto. O cadastro para mesário é permanente e pode ser feito com antecedência para os próximos pleitos, mas a inscrição como voluntário não significa convocação automática: a Justiça Eleitoral avalia a necessidade de cada seção eleitoral e convoca de acordo com a demanda local.
O treinamento dos mesários que atuarão nas eleições deste ano começou em 17 de agosto e é feito por meio de um aplicativo para celulares e tablets. O prazo para conclusão termina às 23h59 de 3 de outubro, véspera do primeiro turno. No dia da votação, o aplicativo também pode ser usado como guia, com orientações sobre abertura e encerramento da seção eleitoral.
Neste ano, 1.922.579 pessoas se cadastraram como voluntárias ou foram convocadas para atuar como mesárias nas eleições de 2026. Elas serão distribuídas por 516.785 seções eleitorais em 2.641 zonas eleitorais espalhadas pelo país.
Quem pode atuar e quais são as restrições
Em regra, pode atuar como mesário quem está com o título eleitoral em situação regular e não se enquadra nas situações de impedimento previstas pela Justiça Eleitoral. Entre os impedidos estão candidatos e parentes de candidatos até o segundo grau, além de cônjuges e companheiros; integrantes de diretórios partidários que exerçam funções executivas; autoridades e agentes policiais; ocupantes de cargos de confiança do Poder Executivo; e pessoas que integram a Justiça Eleitoral. Também existem regras para evitar que parentes ou pessoas com determinados vínculos profissionais componham a mesma mesa receptora de votos.
O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro, e o eventual segundo turno está marcado para 25 de outubro. Estão em disputa os cargos de presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital. Ao todo, 158,7 milhões de eleitores estão aptos a votar.







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