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Eleições

Milei é o único presidente da América do Sul a não reconhecer vitória de Lula

Enquanto líderes da América do Sul reconheceram e parabenizaram Luiz Inácio Lula da Silva pela vitória nas eleições brasileiras, o presidente argentino Javier Milei permanece sem manifestação oficial até 26 de junho.

Por Atualizada em 27/10/2026 às 07:00

Milei é o único presidente da América do Sul a não reconhecer vitória de Lula
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O presidente da Argentina, Javier Milei, era o único líder da América do Sul que ainda não havia reconhecido a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições brasileiras, até a última segunda-feira (26). A maioria dos líderes da região, muitos deles representantes da direita, reconheceu o resultado e parabenizou o presidente brasileiro reeleito.

Os dois países mantêm uma das relações comerciais mais importantes da América do Sul, com forte integração industrial e participação central no Mercosul. Em 2025, o Brasil foi o principal destino das exportações argentinas, com mais de US$ 12,8 bilhões em vendas, e também sua maior origem de importações, com US$ 18,4 bilhões em produtos comprados, segundo dados do governo argentino.

A demora na comunicação se soma à lista de desavenças, desgastes e trocas de ataques mútuos entre os dois líderes.

Reações dos líderes sul-americanos à eleição brasileira

O líder colombiano Abelardo de La Espriella, eleito com apoio do presidente americano Donald Trump e que apoiou publicamente a campanha derrotada de Flávio Bolsonaro (PL), declarou que não têm afinidade e são de lados opostos do espectro político. Em sua fala de reconhecimento do resultado, entretanto, estendeu a mão para que os países continuem cooperando.

O equatoriano Daniel Noboa afirmou que a América Latina tem inimigos em comum e desafios compartilhados em sua mensagem de parabenização. O chileno José Antonio Kast disse que ligou para cumprimentar Lula e afirmou que os dois países têm um futuro em comum.

A líder peruana Keiko Fujimori defendeu o fortalecimento da aliança estratégica entre os dois países, com ênfase na integração, na cooperação e no desenvolvimento sustentável da Amazônia compartilhada. Rodrigo Paz, presidente boliviano, por sua vez, parabenizou o brasileiro e destacou os laços históricos entre Bolívia e Brasil.

Todos eles foram apoiados por Trump em suas campanhas eleitorais e, hoje, compõem o Escudo das Américas, uma aliança multinacional de cooperação militar, política e econômica liderada pelo governo dos Estados Unidos para combater organizações criminosas transnacionais e o narcotráfico.

Além deles, os demais presidentes do continente que felicitaram Lula foram:

As reações contrastam com a postura de Milei, a única exceção da região.

Posicionamento de Javier Milei e tensões diplomáticas

Milei apoiou o senador Flávio Bolsonaro (PL) durante a campanha eleitoral e fez críticas a Lula nas redes sociais às vésperas da votação. O presidente argentino chamou o brasileiro de "ladrão corrupto" e o acusou de fazer uma campanha suja.

O silêncio de Milei ocorre em um cenário de avanço da direita na América do Sul e de aproximação de governos conservadores com a gestão republicana dos Estados Unidos.

Trocas de ataques entre Milei e Lula

Em agosto, na convenção nacional do PL, em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, Milei fez ataques diretos a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

No dia seguinte, em entrevista a uma rádio argentina, Milei acusou o Brasil de liderar uma "campanha anti-Argentina" durante a Copa do Mundo.

Milei também afirmou que Lula enviou marqueteiros ao país para interferir nas eleições presidenciais de 2023 e apoiar o candidato Sergio Massa, que foi derrotado.

Na mesma semana, em entrevista à emissora argentina LN+, Milei voltou a subir o tom. O presidente argentino afirmou que Lula é "ladrão", "corrupto" e "não é inocente". Também questionou as decisões do STF que anularam as condenações do petista na Lava Jato.

"Não considero as declarações agressivas", afirmou Milei sobre a reação do governo brasileiro, acrescentando que as ofensas foram "palavras espontâneas".

Após os primeiros ataques, o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília para manifestar o descontentamento do governo brasileiro e chamou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires.

Em nota, o governo classificou o episódio como "sem precedentes". O chanceler Mauro Vieira considerou o caso grave, mas descartou, naquele momento, medidas mais duras, como a retirada definitiva de representantes diplomáticos.

Dias depois, o chanceler endureceu o discurso e classificou como uma "patacoada" a participação do argentino no evento do PL. Durante um ato do PSB, Lula afirmou que não aceitaria interferências externas na política brasileira.

Fonte original: g1.globo.com

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