O ministro Ricardo Villas Boas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a Meta submeta à revisão humana a derrubada de um vídeo do cantor MC Cabelinho em parceria com o portal Revelando, que aborda críticas ao candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL).
A publicação original trazia a acusação de que Flávio Bolsonaro teria sido funcionário fantasma no gabinete de seu pai, Jair Bolsonaro, aos 19 anos.
Com a determinação do TSE, a Meta, empresa dona do Instagram, Facebook e WhatsApp, deverá informar à Justiça Eleitoral o resultado da avaliação humana sobre o conteúdo removido.
Pedido da campanha de Lula e contexto da remoção
A questão foi levada ao TSE pela campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que solicitou investigação contra o senador Flávio Bolsonaro, apontando suposto abuso e tratamento desigual pela plataforma digital durante a disputa eleitoral.
Segundo a campanha, há abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social, com possível favorecimento da chapa adversária pelas plataformas digitais, além de restrições ao alcance de conteúdos favoráveis a Lula e falhas na distribuição de propaganda eleitoral.
Na terça-feira (20), a Meta afirmou ao TSE que cumpre as determinações da Corte para garantir igualdade na distribuição de conteúdos políticos e na veiculação de anúncios eleitorais durante o segundo turno.
Porém, na quinta-feira (22), a empresa derrubou o vídeo do cantor MC Cabelinho em parceria com o portal Revelando, que continha críticas ao candidato Flávio Bolsonaro, incluindo a acusação de que o senador teria sido favorecido politicamente por ser filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Posição da Meta e recurso contra remoção
Procurada pelo g1, a Meta afirmou que a remoção do vídeo está relacionada às regras eleitorais para conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial (IA). A empresa destacou que a restrição referente ao segundo turno começou à meia-noite do dia 22 e vai até as 23h59 do dia 26, no horário de Brasília.
Os responsáveis pela produção do vídeo negam a utilização de tecnologia de IA, afirmam ter usado apenas imagens ilustrativas licenciadas e materiais jornalísticos, e informam que apresentaram recurso contra a remoção.
No recurso enviado ao TSE, a campanha do presidente Lula também citou outro vídeo do mesmo projeto que foi removido pela Meta. Em setembro, o portal Revelando teve seu perfil derrubado após publicar um vídeo apresentado por Fábio Porchat sobre as relações entre o Banco Master e a Igreja Batista da Lagoinha.
"A quem interessa que fatos notórios e de interesse público não cheguem às pessoas?", disse o portal na ocasião.
Decisão do ministro Ricardo Villas Boas Cueva
O corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Boas Cueva, afirmou que os elementos apresentados não permitem concluir, neste momento, se a retirada do vídeo foi irregular.
"O episódio de 22/10/2026 apresenta contornos suficientemente individualizados e, diante da proximidade do segundo turno, justifica a adoção de providências destinadas a esclarecer os fundamentos da remoção e a assegurar sua pronta reavaliação. Os elementos apresentados, contudo, não permitem concluir, neste momento, que a medida decorreu de classificação equivocada do conteúdo ou de tratamento diferenciado em razão de sua orientação político-eleitoral", escreveu.
O ministro negou o pedido para tornar obrigatória a revisão humana prévia de todas as remoções ou restrições de alcance de conteúdos jornalísticos e de opinião relacionados às candidaturas presidenciais, por considerar a medida excessivamente ampla.







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