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Eleições

MPT investiga prefeito de Cotia após denúncia de pressão sobre servidores para fazer campanha para candidato a deputado federal

O Ministério Público do Trabalho abriu investigação contra o prefeito de Cotia, Welington Formiga (PDT), após denúncia de que ele teria pressionado servidores públicos a apoiar a campanha de Eduardo Mascarenhas (PDT), candidato a deputado federal nas eleições de 2026. O prefeito nega as acusações.

Por Atualizada em 02/10/2026 às 07:00

MPT investiga prefeito de Cotia após denúncia de pressão sobre servidores para fazer campanha para candidato a deputado federal
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O prefeito de Cotia, Welington Formiga (PDT), é investigado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) após denúncia de que teria pressionado secretários e outros integrantes do primeiro escalão da Prefeitura a fazer campanha para Eduardo Mascarenhas (PDT), conhecido pelo personagem de TV Xaropinho e candidato a deputado federal nas eleições de 2026.

Segundo a denúncia obtida pelo g1, Formiga teria afirmado em um grupo de WhatsApp que quem não participasse da campanha de Xaropinho ou apoiasse outros candidatos poderia ser demitido entre os dias 5 e 10 de outubro.

O MPT confirmou que recebeu a denúncia na terça-feira (29), instaurou uma investigação e deverá notificar a Prefeitura de Cotia nas próximas horas. O prefeito negou as acusações.

Mensagens e áudios atribuídos ao prefeito

A denúncia é acompanhada de mensagens atribuídas ao prefeito em um grupo de WhatsApp usado pelo primeiro escalão do governo, que reúne cerca de 105 pessoas, entre secretários titulares e adjuntos, chefes de gabinete e assessores.

Em uma das mensagens de texto enviada às 22h39, Formiga indicaria que funcionários que não apoiassem Eduardo Mascarenhas poderiam deixar a prefeitura a partir de 5 de outubro. Segundo a imagem apresentada à reportagem, o prefeito escreveu:

"Tem um pessoal que vai começar a me ajudar dia 5 na campanha, aí já poderão apoiar a oposição".

Em áudios enviados aos funcionários, o prefeito também teria arquitetado a possibilidade de eleger dois candidatos, tentando convencer os integrantes do grupo.

Pressão sobre servidores e demissões

De acordo com pessoas que fizeram a denúncia, a pressão ocorreria desde 2025, mas teria aumentado durante o período eleitoral. Formiga utilizaria o grupo de WhatsApp para cobrar publicações, compartilhamentos e vídeos de apoio ao candidato nas redes sociais.

Integrantes da equipe também teriam sido orientados a se cadastrar para atuar na campanha, com mensagens indicando que os cadastros haviam sido feitos. Além disso, o prefeito teria cobrado que secretários e assessores se tornassem "coordenadores" da campanha, encaminhando um link para cadastro.

Dois secretários foram exonerados em 6 de setembro e retornaram aos cargos três dias depois, em 9 de setembro, após manifestações de apoio a outros candidatos. Segundo relato, o episódio provocou apreensão entre outros integrantes da Prefeitura, que passaram a temer demissões por não fazerem propaganda para Eduardo Mascarenhas.

Uma fonte afirmou:

"Ontem [dia 30] à noite, me ligaram dizendo que mais três pessoas estão desesperadas achando que vão ser demitidas por não fazerem propaganda do candidato. Logo depois à ligação, essas mesmas pessoas postaram vídeos do Xaropinho".

Reuniões de campanha em horário de expediente

Outra acusação apresentada ao Ministério Público é que servidores teriam sido convocados para reuniões de campanha em horário de expediente. Segundo o denunciante, funcionários foram divididos em grupos para participar de encontros às 17h30, 19h e 21h em um posto na Granja Viana, bairro nobre de Cotia, onde foram orientados a gravar vídeos de apoio ao candidato.

O denunciante avalia que o uso de servidores e da estrutura pública para atividades eleitorais poderia caracterizar abuso de poder político e outras irregularidades, que ainda são objeto de apuração.

Posicionamento do prefeito

Procurado pelo g1, Welington Formiga negou, por meio de nota, que esteja pressionando secretários ou servidores comissionados a votar ou fazer campanha para candidatos apoiados por ele.

"Não procede a informação de que estaria pressionando secretários ou servidores comissionados a votar em candidatos por ele apoiados. Todos os secretários e servidores têm total liberdade para apoiar e votar nos candidatos de sua preferência. O prefeito respeita a escolha de cada pessoa e jamais condicionaria a permanência ou o trabalho de um servidor à sua posição política. O apoio político do prefeito a determinados candidatos é uma manifestação pessoal e democrática e não deve ser confundida com qualquer forma de pressão ou orientação aos servidores municipais."

Denúncia também apresentada ao Ministério Público Eleitoral

Além do MPT, a denúncia foi apresentada ao Ministério Público Eleitoral (MPE) em 13 de setembro. O MPE informou que o procedimento foi encaminhado para análise na Justiça Eleitoral de Cotia, pois os elementos apresentados inicialmente não permitiam identificar se havia envolvimento do prefeito nos fatos narrados.

Em 26 de setembro, houve declínio de atribuições da Procuradoria Regional Eleitoral para a promotoria eleitoral responsável pelo local dos fatos, em Cotia. A Procuradoria informou que, caso surjam indícios de envolvimento do prefeito, o caso poderá retornar à Procuradoria Regional Eleitoral em razão da prerrogativa de foro.

Fonte original: g1.globo.com

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