No segundo dia do julgamento no Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres, uma mulher afirmou que Russell Brand a estuprou em seu quarto após se conhecerem durante um evento paralelo à conferência do Partido Trabalhista, em 1999.
Ela declarou aos jurados:
"Estávamos ali apenas para que ele abusasse de nós, e o consentimento era irrelevante".
A mulher relatou que inicialmente achava que Brand era gay e o convidou para seu quarto para continuar a conversa, sentindo-se "sexualmente segura com ele". Posteriormente, passou a considerá-lo "assustador... ameaçador".
O advogado de Brand, Ian Winter, sugeriu que ela havia "caído no encanto dele", o que foi rejeitado pela mulher.
Winter perguntou:
Ela respondeu:"Você não resistiu, não é mesmo?"
"Eu não resisti, não, não resisti. Eu não conseguia resistir, não conseguia respirar."
Quando Winter sugeriu que ela não havia dito "não" em voz alta, a mulher afirmou:
"Eu disse ‘não’... Você está tentando colocar coisas na minha cabeça. Eu sei que ele me estuprou, eu disse que não queria aquilo."
Questionada sobre o motivo de não ter denunciado o suposto estupro na época, ela disse:
"Eu tinha vergonha. Não achava que alguém acreditaria em mim. Isso foi em 1999."
Em depoimento à polícia, reproduzido para os jurados, a mulher afirmou que achava o corpo de Brand "bastante parecido com o de uma cobra... isso me dava enjoo, para ser sincera".
Ela também declarou que um documentário de 2023, que apresentou acusações de má conduta sexual contra Brand, foi o que a levou a procurar a polícia.
Emocionada, a mulher disse aos jurados:
Ao concluir seu depoimento, afirmou:"Se eu tivesse vindo a público, será que isso teria impedido [o que aconteceu com outras mulheres]?"
"Posso afirmar com 100% de certeza, por tudo o que me é mais precioso, que não consenti."
Acusações contra Russell Brand e andamento do julgamento
Russell Brand é acusado de tentar arrastar uma mulher para uma cabine de banheiro da MTV Europe, onde ela trabalhava, em 2001. Em outro caso, teria praticado sexo oral forçado contra uma mulher em uma cabine de banheiro de um bar, em 2004.
Ele também responde a acusações de atentado ao pudor contra uma mulher em 2004 ou 2005; estupro anal contra uma quinta denunciante após relações sexuais consensuais na casa dele, em 2009; e agressão sexual contra uma mulher que trabalhava para o Channel 4, também em 2009.
As seis denunciantes têm direito legal ao anonimato por toda a vida e procuraram as autoridades após o documentário de 2023, informou o juiz Joel Bennathan aos jurados.
O juiz esclareceu que as mulheres cujas acusações foram apresentadas no documentário não fazem parte do julgamento e que as alegações delas não foram examinadas judicialmente.
Ele acrescentou:
"A defesa poderá sugerir que o programa levou as denunciantes, ou pelo menos algumas delas, a revisitar acontecimentos sexuais antigos e a distorcê-los em suas lembranças, transformando atos consensuais em crimes que agora alegam ter ocorrido."
O julgamento tem previsão de duração de cerca de seis semanas.







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