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Política

Número de eleitores indígenas e quilombolas cresce no Pará nas eleições de 2026

O número de eleitores indígenas e quilombolas no Pará aumentou significativamente para as eleições de 2026, com alta de até 85%, impulsionada por novos cadastros e busca por representatividade.

Por Atualizada em 03/10/2026 às 00:00

Número de eleitores indígenas e quilombolas cresce no Pará nas eleições de 2026
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O número de eleitores que se autodeclaram indígenas ou quilombolas no cadastro eleitoral cresceu no Pará para as eleições de 2026. Entre os quilombolas, o aumento foi de 85% em relação a 2024, passando de 12.649 para 23.422 eleitores. Entre os indígenas, o total subiu de 11.169 para 17.069, crescimento de 52%.

Os dados são autodeclaratórios e fazem parte do cadastro da Justiça Eleitoral. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a identificação de etnia indígena e de pertencimento a comunidades quilombolas passou a integrar os dados biográficos coletados após a reabertura do cadastro eleitoral, em novembro de 2022. Como a atualização depende, em regra, de uma operação realizada pelo próprio eleitor, a inclusão dessas informações ocorre de forma gradual.

Participação e demandas das comunidades tradicionais

Na Terra Indígena Mãe Maria, em Marabá, cerca de 150 famílias devem participar das eleições. A liderança indígena Amix Topramre destacou a importância do voto para chamar atenção às necessidades da comunidade.

"Tem muitas coisas que precisam ser olhadas com carinho. O território hoje é muito esquecido em termos de benefício"

Na comunidade quilombola de Macapazinho, em Santa Izabel do Pará, a técnica de enfermagem Bruna Faro, de 29 anos, apontou segurança e educação como principais demandas.

"Aqui falta mais segurança, mais educação voltada para essa nossa realidade como quilombola"

"É importante para a gente poder ter política pública, poder ter mais direitos"

Atualização do cadastro eleitoral e locais de votação

O Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) informou que mutirões vêm sendo realizados desde 2023 em comunidades tradicionais e cidades para ampliar a identificação de indígenas e quilombolas no cadastro eleitoral.

A secretária de Planejamento do TRE-PA, Elaine Santana, explicou que a ampliação dos dados cadastrais permite identificar eleitores indígenas e quilombolas mesmo quando não votam em seções localizadas dentro de aldeias ou quilombos.

"Antes desse momento, em 2023, você só conseguia identificar se um eleitor indígena ou um eleitor quilombola era indígena ou quilombola se ele estivesse dentro de uma seção eleitoral localizada em um quilombo ou uma aldeia"

Ela ressaltou que nem todas as comunidades possuem locais de votação e que parte dessa população vive fora dos territórios.

"A gente sabe que existem muitas aldeias e muitos quilombos que não têm urna eletrônica. E também existem eleitores indígenas e eleitores quilombolas que moram nas cidades"

Nas eleições de 2026, o Pará terá 58 locais de votação em aldeias indígenas e 95 em quilombos, segundo dados do TRE-PA. Ao todo, 6.267.107 eleitores estão aptos a votar no estado.

Crescimento nacional da identificação de indígenas e quilombolas

O TSE informou que o Brasil passou de 155.661 eleitores autodeclarados indígenas em 2024 para 287.157 em 2026, aumento de 84%. Entre os quilombolas, o número subiu de 95.409 para 188.371, crescimento de 97%.

Demandas e expectativas para a representação política

Na Terra Indígena Mãe Maria, a liderança Kupe Pramre destacou emprego, saúde e educação como prioridades para a população após as eleições.

"Para que toda essa população tenha emprego, tenha uma saúde de qualidade, educação, principalmente. E é esse o papel de quem nós vamos colocar lá dentro"

A agricultora Hilza Maria Oliveira espera que os representantes eleitos atendam às demandas das populações tradicionais.

"A gente espera que os políticos olhem mais pelos nossos povos tradicionais e possam ir à luta para conseguirmos justamente os direitos que já são nossos"

Bruno Sousa, assessor administrativo, relacionou a participação nas eleições ao futuro das próximas gerações, destacando a preservação das origens e o acesso à educação.

"Espero que ela siga sempre com as nossas origens nas veias e que possa ter uma ótima educação"

Garantias eleitorais para comunidades tradicionais

O TSE estabelece regras específicas para garantir o exercício dos direitos eleitorais de indígenas, quilombolas e integrantes de comunidades tradicionais. Entre elas estão o respeito à autodeclaração e, para indígenas, o atendimento que considere línguas, costumes e tradições. As garantias previstas para indígenas também são aplicadas, no que for compatível, a quilombolas e integrantes de comunidades remanescentes.

Fonte original: g1.globo.com

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