Cristiano Ronaldo anunciou nesta quinta-feira (5/11) sua aposentadoria da seleção de Portugal, encerrando sua trajetória na equipe nacional após uma crise com o treinador Jorge Jesus na última Data Fifa.
De acordo com o jornal português A Bola, a decisão definitiva do atacante em deixar a seleção portuguesa foi motivada pela continuidade de Jorge Jesus no comando técnico. Cristiano Ronaldo não desejava voltar a trabalhar com o ex-treinador do Flamengo.
O craque, que venceu a Eurocopa de 2016, maior título da história de Portugal, disputou seis Copas do Mundo como camisa 7 da seleção. Ele estava presente na pré-lista para a próxima convocação de Jorge Jesus, que seria anunciada nesta sexta-feira (6/11), mas optou por anunciar sua aposentadoria antes do anúncio oficial.
A decisão não foi comunicada ao técnico Jorge Jesus, mas Cristiano Ronaldo informou o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença, sobre sua escolha.
Crise entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus
Após a Copa do Mundo de 2026, havia a expectativa de que Cristiano Ronaldo não disputasse mais partidas pela seleção. Entretanto, a Rádio Marca, da Espanha, revelou que Jorge Jesus convenceu o jogador a retornar ao time.
O treinador e o presidente da FPF foram à casa de Cristiano Ronaldo para conversar sobre a melhor decisão para o atleta e para a equipe. Foi acordado que, na primeira Data Fifa pós-Copa, Ronaldo jogaria a primeira partida contra o País de Gales e a segunda contra a Noruega, ambas em casa. Além disso, Jorge Jesus prometeu que, caso não o escalasse como titular, daria ao jogador 30 minutos em campo nas partidas contra Dinamarca e Noruega fora de casa.
O não cumprimento dessa promessa nos jogos fora de casa desencadeou a crise. Cristiano Ronaldo permaneceu no banco de reservas durante a vitória por 2 a 1 contra a Noruega, fora de casa. Jorge Jesus justificou a decisão afirmando que era mais importante manter a vantagem no placar.
Após a frustração de Cristiano Ronaldo, foi realizada uma reunião de emergência entre o atleta, o técnico e o presidente da Federação, que viajou com urgência para o encontro. Durante a conversa, Jorge Jesus teria reconhecido o erro de manter o jogador no aquecimento por cerca de 30 minutos sem colocá-lo em campo contra a Noruega e se comprometido a admitir publicamente a falha na coletiva seguinte. Cristiano Ronaldo também reconheceu a necessidade de apoiar os companheiros, e um primeiro acordo foi alcançado.
O conflito ressurgiu quando Jorge Jesus não cumpriu a promessa de pedir desculpas publicamente a Cristiano Ronaldo na coletiva de imprensa no estádio Parken, em Copenhague, antes da partida contra a Dinamarca. O treinador confirmou a presença do jogador no treinamento, mas o atleta deixou o centro de treinamento logo após a coletiva e seguiu para o hotel para pegar sua bagagem e deixar a seleção.
Segundo o jornal espanhol Marca, tanto Jorge Jesus quanto Pedro Proença tentaram convencer Cristiano Ronaldo a permanecer até o último momento, mas o jogador recusou e viajou para Madri. O jornalista e amigo do atleta, Edu Aguirre, afirmou que Jesus chegou a pedir desculpas a Cristiano Ronaldo após o episódio em que o deixou aquecer sem colocá-lo em campo.
Jorge Jesus abre portas para retorno de Cristiano Ronaldo
No início de outubro, Jorge Jesus comentou pela primeira vez sobre o ocorrido e deixou em aberto a possibilidade de retorno do jogador à seleção.
"Não sei o que vai acontecer. Para mim está tudo em aberto. Tem que decidir a vida dele antes da convocação. Se ele estiver jogando e quiser estar na Seleção, volta quando quiser, porque não? Isto foi um mal-entendido e, na minha opinião, é fácil de resolver. Por mim está tudo bem. Quando é que vai ficar resolvido? Isso não sei, vamos ver"







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