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Professor de lutas, Rangel Farias explica caminho do trauma até a fama

Rangel Farias, treinador de lutas natural de Florianópolis, relata como superou a perda do olho direito aos 16 anos e transformou o trauma em sucesso nas artes marciais e nas redes sociais.

Por Atualizada em 25/10/2026 às 08:00

Professor de lutas, Rangel Farias explica caminho do trauma até a fama
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Trauma na adolescência e início no esporte

Rangel Farias, treinador e ex-atleta de lutas, sempre esteve ligado ao esporte desde a infância. Natural de Florianópolis, ele começou praticando atletismo e depois migrou para o futebol e o surfe, sendo atleta do Avaí.

Porém, aos 16 anos, durante um arrastão no carnaval, sofreu uma agressão que resultou na perda da visão do olho direito. Após várias tentativas frustradas de recuperação, precisou usar uma prótese ocular.

“Aos 15 anos de idade, o Avaí me botou na berlinda para eu escolher entre surfe ou futebol, os dois não tá dando. Aí eu escolhi o surfe. Um ano depois dessa escolha eu sofri uma agressão e perdi meu olho direito e aí não voltei a surfar no mesmo nível”, disse ele.

Superação e início nas artes marciais

O episódio gerou em Rangel uma raiva interna e um sentimento de vingança, que o levou a andar armado em busca de justiça. Contudo, a mudança começou quando sua mãe o convidou para buscar o irmão mais novo em um treino de Taekwondo. Ao assistir a aula, sentiu que a dor começou a diminuir.

“Eu aprendi a controlar naquele momento para não fazer besteira. E Deus existe, porque eu andei armado buscando vingança e Deus não colocou ele na minha frente, porque eu escolhi apertar o gatilho. Dali eu conheci a luta e canalizei aquela energia ruim que eu tinha dentro de mim para uma coisa positiva, hoje eu sou muito grato”, comentou o professor.

Rangel iniciou carreira como atleta de lutas, conquistando títulos no Taekwondo e Muay Thai. Entretanto, a carreira foi interrompida após romper todos os ligamentos do joelho direito durante um treino de Wrestling.

“A frustração volta porque eu estava no auge da minha forma física e mental e eu rompi todos os ligamentos do meu joelho direito treinando Wrestling, treinando. Aquilo foi um momento muito sério. Eu tinha muita chama acesa dentro de mim ainda e eu sabia que eu não podia voltar aos ringues para lutar profissionalmente, aquilo foi muito traumático”, explicou Rangel Farias.

Reflexos pessoais e transformação

Após a lesão, Rangel relata que levava para a vida pessoal o espírito explosivo da luta, o que afetava negativamente as pessoas próximas. A mudança veio aos 40 anos, após o término de seu relacionamento, quando a ex-parceira expressou seu medo da sua reação explosiva.

“Aos 40 anos eu sofri outra mudança. A minha mulher, a gente se separou, e ela virou e disse para mim ‘Eu te amo, mas eu tenho medo (de você). Não era medo de sofrer uma agressão, porque eu nunca agredi ela e sou totalmente contra agressão física, mas a explosão reativa”, relatou o professor.

Rangel percebeu que seus alunos também sentiam medo dele, o que o motivou a buscar terapia e desenvolver novas formas de ensino, sem depender da imposição física.

“A pior coisa que a gente busca criar em alguém é o sentimento medo e eu não sabia que eu fazia isso, era inconsciente. O meu poder de fogo é tão grande, que eu causo medo nas pessoas, e isso não é legal”, disse Rangel.

Sucesso nas redes sociais e reconhecimento

Após o fim da carreira como atleta, Rangel se dedicou à profissão de professor de artes marciais. Um presente dos alunos, um telefone celular, o incentivou a compartilhar seus ensinamentos nas redes sociais, apesar da resistência inicial por não gostar da internet.

Três anos depois, o ex-lutador do UFC Fabrício Werdum mudou-se para Florianópolis e procurou Rangel para treinar. Werdum o convenceu a divulgar os conteúdos dos treinos, o que impulsionou sua popularidade digital. Entre seus alunos está o lutador Alex Poatan.

Hoje, Rangel Farias conta com quase dois milhões de seguidores nas redes sociais e se diz grato por ter transformado o trauma em um caminho para a felicidade.

“Sim, hoje não passa mais pela minha cabeça, com toda sinceridade. Eu não tenho mais mágoa e ressentimento nenhum por aquele momento”, confessou o treinador.

Reflexão final

Rangel resume sua trajetória e as lições que transmite com um trecho da canção Tudo Passará, de Nelson Ned, que também cantou em entrevista ao Metrópoles.

“Mas tudo passa, tudo passará. E nada fica, nada ficará. Só se encontra a felicidade. Quando se entrega o coração.”

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Fonte original: www.metropoles.com

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