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Saúde

Quase 90% de conteúdos virais sobre saúde são falsos, diz Agência Lupa

Relatório da Agência Lupa revela que 87,3% dos conteúdos virais sobre saúde analisados entre 2017 e 2026 são falsos, com destaque para desinformação sobre vacinas e circulação predominante no WhatsApp.

Por Atualizada em 20/10/2026 às 21:00

Quase 90% de conteúdos virais sobre saúde são falsos, diz Agência Lupa
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A Agência Lupa, primeira agência de checagem de informações no Brasil, publicou um relatório que aponta que 87,3% dos conteúdos virais sobre saúde analisados entre março de 2017 e junho de 2026 eram falsos. O levantamento foi realizado a partir de uma amostra de 764 materiais checados, dos quais 667 foram considerados inverídicos. O relatório intitulado Raio-X da Desinformação em Saúde contou com o apoio da Afya, um dos maiores grupos de ensino médico do país.

Segundo o relatório, a média anual foi de quase 72 falsidades virais em saúde, o que corresponde a cerca de seis casos por mês. Conteúdo viral é definido como aquele que se espalha rapidamente pela internet, alcançando grande número de pessoas em pouco tempo, com alto engajamento, visualizações, curtidas e compartilhamentos.

O volume de desinformação explodiu durante a pandemia de covid-19: em 2020 e 2021, a Lupa checou cerca de dez vezes mais conteúdos sobre saúde do que nos três anos anteriores, totalizando 452 conteúdos virais. Essas mentiras se disseminaram rapidamente por meio de estratégias como falsas autoridades divulgando promessas de cura e soluções simples para problemas complexos. Apesar disso, o padrão já era identificado antes da pandemia, porém em menor escala.

"Um dos maiores desafios da desinformação em saúde é que ela se apropria da linguagem e da autoridade de médicos, pesquisadores e instituições para parecer legítima", afirma Cristina Tardáguila, fundadora da Agência Lupa.

Essa técnica da falsa autoridade médica ou científica correspondeu a 21,6% dos casos de desinformação em saúde mapeados pela Lupa. Outras estratégias comuns foram o uso do medo e linguagem alarmista (17%), distorção de estudos e dados (15,7%) e a oferta de soluções simples para problemas complexos (12,6%).

“Hoje, o profissional de saúde precisa estar preparado não apenas para diagnosticar e tratar, mas também para ajudar o paciente a navegar em um ambiente de excesso de informações, muitas delas sem respaldo científico”, afirma Gustavo Meirelles, vice-presidente Médico e de Relações Institucionais da Afya.

Ao longo dos últimos nove anos, os temas mais recorrentes nas checagens da Lupa sobre saúde foram covid-19 (61%), tratamentos, cura e prevenção (34%) e alimentos, bebidas e nutrição (24%).

Desinformação sobre vacinas

Antes da pandemia, conteúdos sobre vacinas representavam 9,1% das checagens de saúde da Lupa. Durante a emergência nacional, essa proporção subiu para 33,2% e chegou a 38,9% entre 2022 e 2024. No período mais recente, entre 2025 e junho de 2026, o volume recuou para 20%, mas permanece mais que o dobro do patamar pré-pandemia. Das 244 alegações sobre vacinas analisadas no período completo, 212 (86,9%) foram classificadas como falsas pela agência.

Ao menos 142 conteúdos analisados registraram a presença de figuras públicas, como Jair Bolsonaro, Bill Gates, Drauzio Varella, João Doria e Luiz Inácio Lula da Silva. A Agência Lupa ressalta que a presença dessas personalidades não significa que tenham produzido ou endossado as alegações, mas indica que terceiros utilizam a reputação dessas pessoas para espalhar desinformação.

Canais de circulação da desinformação

O WhatsApp foi a plataforma mais frequentemente associada à circulação de desinformação em saúde nas verificações da Agência Lupa. Mais de 70% das 498 checagens analisadas entre março de 2017 e junho de 2026 partiram de conteúdos que circularam ou foram encontrados no aplicativo de mensagens instantâneas mais usado no país. O Facebook aparece em segundo lugar, com 126 registros (25,3%), seguido do Instagram, com 35 (7%).

A pesquisa ressalva que esses dados não permitem afirmar que o WhatsApp seja a origem das falsidades ou que concentre a maior parte da desinformação em saúde publicada na internet. A Lupa recebe pedidos de verificação por meio de um canal próprio no aplicativo, o que pode favorecer a identificação de conteúdos que circulam mais por ali. Além disso, uma mesma publicação pode passar por diferentes plataformas antes de chegar ao público.

Fonte original: agenciabrasil.ebc.com.br

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