Maurício Shogun, lenda do UFC e do PRIDE, relembrou ao Metrópoles momentos marcantes de sua carreira, além de comentar sobre seu retorno recente ao MMA e sua visão sobre o cenário atual do esporte.
Retorno ao ringue e combate contra Glover Teixeira
Em setembro, Shogun enfrentou Glover Teixeira em sua primeira luta oficial após a aposentadoria. Sobre o convite para voltar a lutar, ele contou:
“Estava em casa, era uma quinta-feira, e recebi o convite para voltar a lutar e participar do Spaten. De primeira fiquei meio apreensivo, mas contatei minha advogada, acertaram as coisas e deu tudo certo.”
O ex-campeão destacou a semelhança de estilos com Glover e o preparo para o combate:
“O Glover era um cara que era pra gente ter se enfrentado no UFC, mas nunca deu certo de casar a luta. Ele é até hoje um cara duro, o nosso estilo de luta se parece também. Aceitei de primeira. O meu camp foi de dez semanas pra essa luta, um pouquinho mais longo do que costumava fazer. Eu não pensava em voltar, de verdade, mas essa luta foi bem legal pra trazer aquela adrenalina de novo.”
Após a derrota, Shogun comentou sobre o desejo de revanche, mas afirmou que o combate contra Glover seria o último da carreira:
“Topei pra voltar a ter esse gostinho. Na hora ali a gente tá emocionado, querendo mais, pedi a revanche, mas acho que agora eu parei mesmo.”
Carreira e legado no MMA
Shogun foi campeão do PRIDE e do UFC, conquistando o Grand Prix dos médios do PRIDE em 2005 e o cinturão dos meio-pesados do UFC em 2010, título obtido com o nocaute sobre Lyoto Machida, que foi eleito o nocaute do ano. Em 2024, entrou para o Hall da Fama do UFC na ala dos pioneiros.
Além da carreira no octógono, Shogun fundou a Shogun Team, que atualmente conta com mais de 80 academias no Brasil e uma unidade na Suíça, mantendo o estilo que o tornou referência mundial.
Estilo de luta e visão sobre o MMA atual
O estilo de luta de Maurício Shogun sempre foi focado no combate em pé e na busca pelo nocaute rápido. Sobre a mudança no MMA moderno, ele afirmou:
“A coisa que eu mais escutava na minha época eram as mulheres falando que os maridos paravam pra me assistir, e os homens também desmarcavam alguma coisa pra ver os brasileiros lutarem. Hoje em dia você não vê mais isso, não tem mais graça como antes.”
Ele criticou o atual formato das lutas, que segundo ele, privilegia a pontuação round a round:
“Quando eu, Vanderlei, Minotauro, Werdum lutávamos, a gente sempre queria a luta acabasse rápido de alguma forma, por nocaute ou finalização, e isso mudou. Hoje em dia lutam muito para garantir pontos, os caras seguram, deixam a luta amarrada pra ir vencendo round por round, e isso torna a luta meio morna.”
Sobre atletas que mantêm o estilo combativo, Shogun citou:
“Acho que o Charles do Bronx e o Poatan são dois exemplos que sempre tentam essa luta em pé, tão sempre buscando a vitória, o nocaute, sem depender de ganhar por pontos. São os brasileiros que mais se destacam no cenário mundial.”
Recordações da conquista do cinturão contra Lyoto Machida
Shogun relembrou as dificuldades enfrentadas para a luta contra Lyoto Machida, destacando que foi o combate em que mais enfrentou adversidades:
“O meu cinturão foi a luta que mais tive adversidade. Estava lutando contra um apêndice de grau 2, tive que fazer a cirurgia e em tese não poderia nem estar movimentando direito. Tive que convencer um por um, desde a família, a minha própria equipe e a organização de que eu iria lutar.”
Ele completou:
“Essa informação chegou no pessoal do UFC, de que eu estava mal, recuperando ainda da cirurgia e do joelho. Foi a minha luta mais difícil que tive nesse sentido, mas quando você conquista um sonho teu, isso apaga a dor, apaga o cansaço, as frustrações. A vitória apaga tudo isso.”







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