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Eleições

Só 4 locais de SP deram maioria a mulheres

Candidatas a deputada federal passaram de 50% dos votos nominais em apenas quatro dos 2.048 locais de votação da capital no 1º turno de 2022. Levantamento usou dados do TSE reunidos pela plataforma Marias do Bairro, da Girl Up Brasil.

Por Atualizada em 19/09/2026 às 19:30

Só 4 locais de SP deram maioria a mulheres
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As candidatas mulheres a deputada federal ultrapassaram 50% dos votos nominais em apenas quatro dos 2.048 locais de votação da cidade de São Paulo no primeiro turno das eleições de 2022. Nos demais endereços, candidatos homens receberam mais votos nominais do que as mulheres. O levantamento foi feito a partir de plataforma do grupo Girl Up Brasil, com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), considerando apenas votos nominais, sem brancos, nulos ou em legenda. Em 2022, o estado teve 1.458 candidatos a deputado federal, sendo 450 mulheres.

Na capital, há 9.135.407 pessoas aptas a votar nas eleições de 2026 (26,7% do eleitorado estadual), 2.048 locais de votação e 26.686 seções eleitorais. O Colégio Vera Cruz, na Vila Ida, liderou a proporção de votos nominais para candidatas, com 54,03%. No Colégio Santa Cruz, no Alto de Pinheiros, foram 49,19%, e no Colégio Horizontes, na Vila Madalena, 49,14%.

No outro extremo, o Centro de Detenção Provisória de Pinheiros III, na Vila Leopoldina, registrou 20 votos nominais, todos para candidatos homens. Na E. E. Prof. Jesus José Attab, em Parelheiros, as candidatas tiveram 8,35%, e na E. E. Vicentina Aparecida Tamborino, no Jardim Varginha, 8,90%. Os distritos no topo e no fim do ranking têm perfis socioeconômicos diferentes, segundo o Mapa da Desigualdade 2025, do Instituto Cidades Sustentáveis: a remuneração média mensal do emprego formal é de R$ 8.115,83 em Alto de Pinheiros e de R$ 5.945,02 em Pinheiros, enquanto em Parelheiros e Grajaú as médias são de R$ 2.715,41 e R$ 2.555,03. Em Pinheiros, 11,1% dos moradores são pretos ou pardos e, em Alto de Pinheiros, 8,1%; em Parelheiros e Grajaú, a proporção chega a 56,6% e 56,8%. A população de 0 a 29 anos é de 47,08% em Parelheiros e 45% no Grajaú, contra 24,04% em Pinheiros e 25,03% em Alto de Pinheiros. Os dados, porém, não permitem concluir que essas características expliquem o comportamento eleitoral, já que o levantamento não considera o perfil das candidatas disponíveis em cada região nem onde elas concentraram suas campanhas.

Atualmente, cerca de 18% das 513 cadeiras na Câmara dos Deputados são ocupadas por mulheres, embora elas representem mais de 51% da população brasileira. Para Daniela Costa, gerente de Redes e Advocacy da Girl Up Brasil, a desigualdade na representação feminina é resultado de fatores históricos e estruturais e também se manifesta dentro dos partidos, na formação e no financiamento das candidaturas.

"Esse espaço ainda é muito masculino. Os partidos e a forma como os partidos, por exemplo, dividem os recursos do fundo eleitoral, ainda é muito desigual. A forma como os partidos recrutam e treinam também essas mulheres dentro da política, dão espaço dentro do partido para que essa mulher cresça, para que ocupe cargos, para que elas se candidatem com uma real chance de serem eleitas."

Daniela também defende ampliar a diversidade de mulheres no Congresso e afirma que essas experiências podem expandir o debate sobre problemas historicamente deixados de lado.

"As mulheres, assim como a sociedade brasileira, são muito diversas e pensam de diversas formas. Por isso que é importante a gente também olhar para diversos perfis e especialmente para mulheres que historicamente não acessam esse espaço. E aí entram as mulheres negras, as mulheres indígenas, as mulheres com deficiência, as mulheres de periferia, as mulheres jovens."

"É muito importante que a gente eleja mulheres, porque elas vão olhar para problemas estruturais, mas elas vão olhar a partir de vivências muito próprias e muito específicas, que inclusive ampliam o olhar, ampliam o debate para olhar para questões historicamente deixadas de lado, historicamente esquecidas."

A Girl Up Brasil lançou a plataforma “Marias do Bairro”, que mostra quanto cada seção eleitoral, município e estado votou em candidatas mulheres para a Câmara dos Deputados e o Senado Federal em 2022. Os dados vêm dos microdados do TSE e reúnem informações de mais de 92 mil locais de votação nos 5.570 municípios brasileiros. A ferramenta indica se a região ficou acima ou abaixo de 50% dos votos para mulheres e permite comparação com outros locais, além de opções para compartilhar o resultado ou imprimir materiais.

"O intuito é aproximar a população dessa informação para conscientizar e gerar um diálogo sobre por que é importante votar em mulheres, por que a nossa cidade vota ou não vota em mulheres"

Fonte original: g1.globo.com

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