Um novo capítulo da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) após a entrega de cópia dos dados extraídos do celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro levou os gabinetes a imporem acesso restrito à análise do material. O arquivo enviado pela Polícia Federal (PF) tem 500 gigabytes e foi encaminhado em meio à disputa interna pelo acesso irrestrito ao acervo digital.
A varredura envolve uma busca geral por informações e pontos de atenção indicados pelos próprios ministros, além de uma verificação do recorte feito pela PF para a produção dos relatórios. A ideia é encontrar fatos relevantes e avançar sobre possíveis lacunas. Nos bastidores, ministros afirmam que ainda não decidiram os próximos passos após a análise e que não há prazo para o fim da apuração.
Os dados estão divididos em pastas com chats, áudios e logs (registros de atividades feitas no aparelho). Há cuidado especial no tratamento do conteúdo para preservar a privacidade de questões pessoais que possam estar na extração e para não revelar dados ligados a apurações ainda não deflagradas ou que possam gerar novas frentes de investigação.
Organização do material e cadeia de custódia
A PF organizou os dados com o software de perícia IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), que permite navegação e buscas por palavras-chave em conversas e documentos, além de estruturar arquivos. O sistema também gera um código específico para assegurar a integridade das provas e verificar se houve tentativa de alteração no material. A PF usou ferramentas para acessar dados apagados ou protegidos por senha, copiando o conteúdo completo do aparelho, recuperando fragmentos de dados e rastreando registros de envio de mensagens e arquivos.
"são idênticas à extração realizada do aparelho"
"o material original permanece integralmente nas dependências da instituição, dentro de cadeia de custódia formalmente documentada, com os respectivos lacres íntegros e mecanismos de verificação de integridade digital"
Disputa interna e desdobramentos
O acesso aos dados ocorreu às vésperas de uma sessão para decidir sobre a abertura de apuração contra Alexandre de Moraes. Cristiano Zanin e Gilmar Mendes acionaram o presidente do STF, Edson Fachin, cobrando acesso à integralidade do espelhamento do aparelho. Fachin decidiu ouvir André Mendonça, relator do Master, que alegou que a divulgação provocaria tumulto no julgamento. Mesmo sem decisão do presidente do Supremo, Zanin, Mendes e Moraes determinaram que a PF enviasse uma cópia.
André Mendonça afirmou que a cópia recebida era de segurança, criptografada e lacrada, como contraprova em caso de extravio do original, e disse não ter manuseado a mídia. Flávio Dino, André Mendonça e Alexandre de Moraes estão entre os ministros que receberam o material para análise.
Relatório, contrato e declarações
O material já embasou buscas contra os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA) e intensificou a crise quando Mendonça retirou o sigilo do relatório da PF que identificou Moraes como interlocutor de 52 mensagens de Vorcaro.
O relatório da PF, elaborado por ordem de Mendonça, afirma que Moraes atuou diretamente na análise e na edição de um contrato de R$130 milhões, assinado entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, de Viviane Barci, esposa do ministro. Segundo a PF, em mensagem enviada dois dias antes de ser preso, o dono do Master perguntou a Moraes se tinha que deixar o Brasil. Ainda de acordo com a PF, Vorcaro pediu ajuda ao ministro para conter ações da PF e do Ministério Público Federal contra o banco. O relatório afirma que Vorcaro e Moraes se encontraram oito vezes.
Moraes classificou de fantasiosas as mensagens atribuídas a ele como interlocutor de Vorcaro e afirmou que nunca favoreceu o banqueiro ou o Master.







PolíticaLula x Flávio Bolsonaro: o que vai decidir a eleição mais acirrada da história - O Assunto #1831
PolíticaQuaest: fim da 6 por 1 e relações com o Caso Master tiveram maior impacto para escolha de presidente no 1º turno
PolíticaCampanha de Lula pede que TSE execute acordo de quebra de sigilo com Flávio Bolsonaro como um intermediador imparcial
Ainda não há comentários aprovados.