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Política

Acesso ao celular de Vorcaro é restrito no STF

Gabinetes do Supremo limitaram a análise do espelhamento do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A cópia enviada pela PF tem 500 gigabytes e reúne chats, áudios e registros.

Por Atualizada em 20/09/2026 às 20:00

Acesso ao celular de Vorcaro é restrito no STF
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Um novo capítulo da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) após a entrega de cópia dos dados extraídos do celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro levou os gabinetes a imporem acesso restrito à análise do material. O arquivo enviado pela Polícia Federal (PF) tem 500 gigabytes e foi encaminhado em meio à disputa interna pelo acesso irrestrito ao acervo digital.

A varredura envolve uma busca geral por informações e pontos de atenção indicados pelos próprios ministros, além de uma verificação do recorte feito pela PF para a produção dos relatórios. A ideia é encontrar fatos relevantes e avançar sobre possíveis lacunas. Nos bastidores, ministros afirmam que ainda não decidiram os próximos passos após a análise e que não há prazo para o fim da apuração.

Os dados estão divididos em pastas com chats, áudios e logs (registros de atividades feitas no aparelho). Há cuidado especial no tratamento do conteúdo para preservar a privacidade de questões pessoais que possam estar na extração e para não revelar dados ligados a apurações ainda não deflagradas ou que possam gerar novas frentes de investigação.

Organização do material e cadeia de custódia

A PF organizou os dados com o software de perícia IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), que permite navegação e buscas por palavras-chave em conversas e documentos, além de estruturar arquivos. O sistema também gera um código específico para assegurar a integridade das provas e verificar se houve tentativa de alteração no material. A PF usou ferramentas para acessar dados apagados ou protegidos por senha, copiando o conteúdo completo do aparelho, recuperando fragmentos de dados e rastreando registros de envio de mensagens e arquivos.

"são idênticas à extração realizada do aparelho"

"o material original permanece integralmente nas dependências da instituição, dentro de cadeia de custódia formalmente documentada, com os respectivos lacres íntegros e mecanismos de verificação de integridade digital"

Disputa interna e desdobramentos

O acesso aos dados ocorreu às vésperas de uma sessão para decidir sobre a abertura de apuração contra Alexandre de Moraes. Cristiano Zanin e Gilmar Mendes acionaram o presidente do STF, Edson Fachin, cobrando acesso à integralidade do espelhamento do aparelho. Fachin decidiu ouvir André Mendonça, relator do Master, que alegou que a divulgação provocaria tumulto no julgamento. Mesmo sem decisão do presidente do Supremo, Zanin, Mendes e Moraes determinaram que a PF enviasse uma cópia.

André Mendonça afirmou que a cópia recebida era de segurança, criptografada e lacrada, como contraprova em caso de extravio do original, e disse não ter manuseado a mídia. Flávio Dino, André Mendonça e Alexandre de Moraes estão entre os ministros que receberam o material para análise.

Relatório, contrato e declarações

O material já embasou buscas contra os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA) e intensificou a crise quando Mendonça retirou o sigilo do relatório da PF que identificou Moraes como interlocutor de 52 mensagens de Vorcaro.

O relatório da PF, elaborado por ordem de Mendonça, afirma que Moraes atuou diretamente na análise e na edição de um contrato de R$130 milhões, assinado entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, de Viviane Barci, esposa do ministro. Segundo a PF, em mensagem enviada dois dias antes de ser preso, o dono do Master perguntou a Moraes se tinha que deixar o Brasil. Ainda de acordo com a PF, Vorcaro pediu ajuda ao ministro para conter ações da PF e do Ministério Público Federal contra o banco. O relatório afirma que Vorcaro e Moraes se encontraram oito vezes.

Moraes classificou de fantasiosas as mensagens atribuídas a ele como interlocutor de Vorcaro e afirmou que nunca favoreceu o banqueiro ou o Master.

Fonte original: g1.globo.com

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