Um conflito entre vizinhos em um prédio no Centro Histórico de Porto Alegre terminou com registro de ocorrência policial por ameaça na madrugada de sábado (24).
O desentendimento começou após a retirada de uma bandeira partidária exposta na janela de um apartamento. Em vídeo gravado por uma das moradoras, duas mulheres aparecem descendo até o imóvel do andar inferior para tentar recuperar a bandeira.
"A gente está manifestando na nossa janela e o nosso vizinho achou uma boa ideia, roubar, pegar, violentar", afirmou uma das mulheres.
"Exato, é a nossa bandeira porque ele não tem esse direito", respondeu a mulher que filmava.
Ao chegar em frente ao apartamento, a porta foi aberta pelo vizinho, um tenente-coronel da reserva, que apareceu segurando uma arma e fez um gesto de manipulação do armamento. As mulheres saíram correndo pelo corredor.
Versões divergentes sobre o ocorrido
Segundo o boletim de ocorrência registrado pela moradora Raphaela de Souza, ela estava em casa manifestando-se politicamente com a exposição da bandeira quando o vizinho do andar inferior teria puxado o objeto para dentro do apartamento dele. Raphaela afirmou que desceu até o imóvel para recuperar a bandeira e foi recebida pelo homem armado. Ela solicitou medida protetiva, que foi deferida e está em vigor, conforme informou a Delegacia da Mulher.
Em entrevista, Raphaela relatou que assistia ao debate presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro na noite de sexta-feira (23) com a companheira, quando exibiram a bandeira pela janela. Segundo ela, o vizinho pegou a bandeira pela própria janela, e por isso desceram para buscar o objeto. Ela pediu para a companheira filmar a abordagem por receio da situação.
"A gente está muito assustada mesmo", disse Raphaela, que junto com a companheira deixou o apartamento e está na casa de parentes.
O vizinho, Gilberto da Silva Scapin, tenente-coronel da reserva, apresentou outra versão. Ele afirmou que houve barulho e gritos vindos do apartamento de cima durante a noite e que tentou pedir que as moradoras parassem. Segundo ele, uma bandeira foi usada para atingir a janela de seu apartamento, e ele puxou o objeto para jogá-lo na rua.
Gilberto disse ainda que ouviu ameaças de que as moradoras desceriam até seu apartamento e, por isso, atendeu à porta segurando uma arma de fogo. Ele negou ter ameaçado as mulheres ou dito que atiraria nelas.
"Em momento nenhum eu fiz ameaça. Foi simplesmente abrir a porta armado", afirmou Gilberto.
Registro da ocorrência
A Brigada Militar informou que o morador confirmou aos policiais que abriu a porta armado e apresentou a documentação da arma de fogo durante o atendimento. A corporação registrou a ocorrência na forma de Termo Circunstanciado, contendo as versões apresentadas pelos envolvidos, que receberam orientações dos policiais.







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