A defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, protocolou nesta quinta-feira (29) no Supremo Tribunal Federal (STF) um parecer preliminar que aponta supostas alterações no celular do ex-banqueiro após a apreensão do aparelho, ocorrida em novembro de 2025.
"O aparelho registrou atividade durante a madrugada, enquanto estava nas mãos do Estado, e não há um documento sequer que diga quem o manuseou, por que e com que resultado"
O documento, encomendado pelos advogados, é utilizado para questionar as provas apresentadas pela Polícia Federal nos inquéritos que investigam Vorcaro. A defesa também solicita que a PF apresente dados que, segundo os advogados, vêm sendo requeridos desde fevereiro.
Na quarta-feira (28), a Polícia Federal indiciou Daniel Vorcaro por suspeitas de participação em condutas ilegais nos esquemas relacionados ao Banco Master e ao Banco de Brasília (BRB).
Procurada, a Polícia Federal não se manifestou sobre a acusação.
De acordo com a defesa, a perícia foi solicitada "em virtude de Daniel Vorcaro não reconhecer a veracidade de vários dos conteúdos vazados".
A perícia aponta que, no dia da prisão de Daniel Vorcaro, em novembro de 2025, 657 arquivos foram modificados, dos quais 59 eram bancos de dados, e 436 arquivos foram criados, incluindo 94 imagens e 5 bancos de dados.
"Entre 23h22 de 17 de novembro e 2h25 de 18 de novembro de 2025, com o aparelho já sob custódia policial e em modo avião, o relatório oficial registra 207 eventos de tela, 33 ativações da câmera frontal pelo componente de reconhecimento facial e três conexões pela porta USB".
No material enviado ao Supremo, a defesa pede que "os dados brutos originais da extração sejam imediatamente preservados, sob custódia verificável, com os registros técnicos da coleta, os valores de hash e a documentação completa da cadeia de custódia".
Os advogados também solicitam acesso a esse material e a outros documentos, entre eles os registros fotográficos dos lacres usados na apreensão do equipamento e os registros de posse e manuseio do aparelho entre a abordagem policial e a realização da perícia.
Indiciamentos e pedido de prazo adicional
A Polícia Federal enviou ao STF, na quarta-feira (28), um relatório parcial do principal inquérito que apura os esquemas relacionados ao Banco Master e ao BRB.
No documento, com mais de 700 páginas, a PF indiciou 15 suspeitos, entre eles:
- Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master;
- Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro;
- Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.
Os delegados da Polícia Federal pedem um prazo adicional de 60 dias para dar continuidade às investigações, concluir perícias e apresentar um relatório complementar. O pedido será analisado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
Segundo a PF, Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa compunham o "núcleo estratégico da organização criminosa" que tentou viabilizar a compra do Banco Master pelo BRB, entre 2024 e 2025.







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