Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (18) aponta que 48% dos eleitores brasileiros não confiam no Supremo Tribunal Federal (STF), o maior índice de desconfiança da Corte desde o início da série histórica, em 2012. Com o resultado, o STF aparece, numericamente, como a instituição com maior índice de desconfiança entre as avaliadas pelo instituto.
A taxa subiu cinco pontos percentuais desde março, quando 43% diziam não confiar no Supremo — até então, o recorde da série. Na pesquisa atual, 35% afirmam confiar um pouco no STF e 14% dizem confiar muito.
Congresso, Presidência e partidos
O Congresso Nacional aparece em patamar próximo. Segundo o Datafolha, 45% dos eleitores dizem não confiar nos deputados e senadores, mesmo percentual registrado em março. Outros 43% afirmam confiar um pouco no Congresso, enquanto 11% dizem confiar muito.
A Presidência da República registra 42% de desconfiança, ante 43% em março. Ao mesmo tempo, 25% dos entrevistados dizem confiar muito na Presidência e 32% dizem confiar um pouco. Em março, esses percentuais eram de 22% e 34%, respectivamente. O maior índice de desconfiança na Presidência registrado pelo Datafolha foi de 65%, em junho de 2017.
Os partidos políticos são alvo de desconfiança de 45% dos eleitores brasileiros, segundo o Datafolha. O índice caiu sete pontos em relação a março, quando estava em 52%, e está distante do recorde de 69%, registrado em junho de 2017.
Como foi feita a pesquisa
O Datafolha ouviu 2.002 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 15 e 16 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro no TSE é BR-04029/2026.
Crise no STF e embates entre ministros
A pesquisa foi realizada em meio à crise no STF, intensificada nas últimas semanas depois que o ministro André Mendonça levantou o sigilo de um relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes. Desde então, vieram a público outros documentos e mensagens — parte deles ainda sob sigilo — com citações a outros integrantes da Corte e a seus familiares.
Moraes e Gilmar Mendes criticam a condução de Mendonça no caso Master. Moraes o acusa de ter cometido irregularidades e de atropelar procedimentos aplicáveis a investigações que envolvem autoridades com foro. Gilmar afirma que a atuação do colega teve motivação político-eleitoral. Mendonça nega as acusações.
Na última terça-feira (15), terminou sem decisão a sessão extraordinária convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, para discutir o relatório da PF que atribui a Moraes mensagens trocadas com Vorcaro. A sessão foi marcada por embates e trocas de acusações entre os integrantes do tribunal.
Flávio Dino pediu vista — ou seja, mais tempo para analisar o caso — e tem até 90 dias para devolver o processo ao plenário. O prazo termina em dezembro, após as eleições. Se ele não os devolver nesse período, o assunto fica automaticamente liberado para nova inclusão em pauta.







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