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Política

Flávio Bolsonaro nos EUA: relembre a relação de afinidade e distância entre o senador e Trump

O senador Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos em 29 de novembro de 2023 e mantém uma relação marcada por afinidades políticas e ideológicas com Donald Trump, embora o contato pessoal entre ambos seja limitado e sem apoio público explícito do ex-presidente americano nas eleições brasileiras.

Por Atualizada em 30/10/2026 às 04:00

Flávio Bolsonaro nos EUA: relembre a relação de afinidade e distância entre o senador e Trump
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Evitação de apoio direto por Donald Trump

Flávio Bolsonaro, senador pelo PL, fugiu para os Estados Unidos na quarta-feira (29). Apesar das afinidades políticas, o presidente americano Donald Trump evitou apoiar publicamente o senador durante as eleições brasileiras.

Questionado em 28 de novembro sobre a carta de Flávio afirmando ser "líder do Brasil", Trump declarou que não queria se envolver. No dia seguinte, afirmou que não tomou partido nas eleições brasileiras, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Não vou me envolver"

Trump enfrenta uma eleição decisiva nos EUA em 3 de dezembro, para renovar a Câmara e parte do Senado, e já levantou dúvidas sobre aceitar o resultado, afirmando:

"Respeitarei, se forem eleições honestas"

Relação durante a campanha eleitoral

Durante a campanha, Trump evitou declarar apoio explícito a Flávio Bolsonaro. Após o primeiro turno, no início de outubro, limitou-se a dizer que o resultado do senador foi apertado, mas impressionante.

Apesar disso, Trump foi uma figura recorrente na campanha de Flávio, que contou com manifestações simbólicas como um míssil inflável na Avenida Paulista com a mensagem em inglês "Trump nuke Brazil".

Encontro na Casa Branca e classificação de facções como terroristas

Em 27 de maio de 2026, Flávio Bolsonaro se encontrou com Donald Trump na Casa Branca. Na ocasião, o senador afirmou ter solicitado a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo dos EUA.

Segundo Flávio, os temas tratados incluíram o processo contra seu pai, tarifas comerciais, combate ao crime organizado e cooperação na exploração de minerais críticos. Trump também teria perguntado sobre a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No dia seguinte, Flávio reuniu-se com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e com o secretário de Estado, Marco Rubio, para discutir liberdade de expressão, segurança pública e relações comerciais.

Em junho, os Estados Unidos anunciaram a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, justificando que as facções têm atuação transnacional e promovem ataques violentos. O governo brasileiro manifestou oposição, alegando riscos à soberania nacional.

A designação permite bloqueio de ativos, proibição de transações financeiras e responsabilização criminal de apoiadores nos EUA, sem alterar a legislação brasileira.

O promotor do Ministério Público de São Paulo Lincoln Gakiya criticou a medida, afirmando que "vai causar problemas" ao Brasil.

Durante debate presidencial na Band, Flávio afirmou que tomaria a mesma medida se eleito e defendeu a adesão do Brasil ao "Escudo das Américas", iniciativa dos EUA para combater o narcotráfico no continente.

Tarifas comerciais e tensões bilaterais

Em junho, horas após o anúncio de novas tarifas dos EUA contra o Brasil, Trump divulgou uma foto do encontro com Flávio, a quem chamou de "jovem inteligente" que ama o Brasil.

Em julho, os EUA confirmaram tarifas de 25% sobre produtos brasileiros após investigação comercial. Flávio enviou uma carta a Marco Rubio pedindo que as taxas não fossem aplicadas até sua eventual eleição, argumentando que prejudicariam a população brasileira e propondo negociação de acordo comercial.

O episódio foi usado por integrantes do governo Lula para criticar a aproximação dos irmãos Bolsonaro com Washington, acusando-os de contribuir para a pressão americana. Flávio negou ter trabalhado a favor das tarifas e afirmou ter pedido diretamente a Trump que não fossem impostas.

Pix e a relação com o sistema financeiro americano

Durante o governo Trump, o Pix passou a ser visto como uma possível ameaça a empresas americanas de pagamentos, como Visa e Mastercard, por oferecer transferências instantâneas gratuitas.

Em 7 de julho, Flávio defendeu o Pix em documento enviado ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), afirmando que sanções ou tarifas contra o sistema prejudicariam investimentos americanos.

O senador assumiu um "compromisso legislativo" de que o Pix não será internacionalizado e argumentou que cartões de crédito e débito oferecem serviços que o Pix não substitui, como crédito ao consumidor e mecanismos de estorno. Citou também o FedNow, sistema de pagamentos instantâneos do Federal Reserve.

Apoio à Lei Magnitsky e sanções contra ministros brasileiros

Em julho de 2025, Flávio comemorou a decisão de Trump de impor sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a outros ministros da corte, por meio da Lei Magnitsky.

Em 9 de julho, após anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, Flávio publicou no X mensagem de agradecimento a Trump e escreveu "We want Magnitsky".

Em 30 de julho, as sanções foram oficializadas, com o governo americano acusando Moraes de censura, detenções arbitrárias e violações de direitos humanos. O governo Lula criticou as medidas como interferência na soberania nacional.

Em dezembro de 2025, os EUA retiraram o nome de Moraes da lista de sancionados pela Lei Magnitsky.

Fonte original: g1.globo.com

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