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Saúde

Não há necessidade de vacinação da população contra mpox

O Ministério da Saúde adquiriu até 20 mil doses da vacina contra mpox para uso estratégico, sem indicar vacinação em massa. Casos no Brasil em 2026 somam 665, sem óbitos, com foco em grupos de risco.

Por Atualizada em 07/11/2026 às 10:00

Não há necessidade de vacinação da população contra mpox
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Casos de mpox surgidos no Brasil em 2026 levaram o Ministério da Saúde a comprar até 20 mil doses da vacina em caráter preventivo e estratégico. A doença se manifesta inicialmente com erupções na pele, que evoluem para bolhas e crostas, afetando principalmente rosto, mãos, pés, boca, região genital e ínguas na virilha.

A médica infectologista Carolina Lázari, integrante da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), informou que o Brasil registrou até outubro 665 casos da doença, sem óbitos.

"No momento não há necessidade de uma vacinação em massa. As medidas preventivas que o Ministério da Saúde vem tomando precocemente se mostram eficazes. No Brasil, o modo como a doença se comporta está sendo priorizada a população de homens jovens infectados com HIV/Aids e que tem a imunidade comprometida e também pessoas que trabalham em laboratório manipulando o vírus", explicou.

A especialista acrescentou que pessoas que cuidam de pacientes infectados e têm contato diário com eles também podem contrair a doença.

Carolina Lázari citou dois surtos de mpox ocorridos em 2022 e 2024. No surto de 2022, considerado uma epidemia de emergência internacional, o Brasil registrou 10.821 casos causados pelo vírus 2B.

Em 2024, um surto grave ocorreu na República Democrática do Congo, com disseminação de uma nova variante, o vírus 1B, que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar o surto como Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional (ESPII). Segundo a infectologista, essa infecção foi mais disseminada e causou óbitos em crianças.

Monitoramento e ações no Rio de Janeiro

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) informou que monitora o aumento dos casos de mpox, especialmente na capital do estado. As mais de duas mil doses da vacina fornecidas pelo Ministério da Saúde em 4 de novembro serão destinadas ao município do Rio, que concentra o maior número de casos: 207 dos 298 confirmados entre janeiro e 6 de novembro de 2026, sem registro de óbitos.

Em 2025, foram confirmados 119 casos no estado. Diante do aumento, a SES-RJ mantém vigilância ativa junto aos municípios e reforça que o Sistema Único de Saúde (SUS) está preparado para diagnosticar, tratar e monitorar os casos. A secretaria planeja emitir nota técnica com critérios e definições para orientar os municípios e organizar treinamento das equipes técnicas para qualificar a atuação dos profissionais de saúde das prefeituras.

Transmissão e medidas preventivas

A mpox é uma doença infecciosa causada por vírus do gênero Orthopoxvirus, que provoca erupções e lesões na pele. O infectologista Rafael Galliez, do Instituto Estadual de Infectologia São Sebastião, explicou que a transmissão ocorre por contato íntimo e por gotículas respiratórias.

Entre as medidas para reduzir o risco de transmissão estão evitar contato direto com pessoas que apresentem lesões suspeitas e procurar atendimento em unidade de saúde diante de sintomas como erupções na pele, aumento dos gânglios linfáticos, febre, dor de cabeça, dores musculares, calafrios e cansaço.

"Como tudo que envolve doenças infecciosas e transmissíveis, a percepção sobre o aumento de casos nos leva a uma maior atenção. Estamos observando essa tendência e orientando a procura pelos serviços de saúde em casos suspeitos", afirmou.

Vacinação direcionada a grupos de risco

A vacinação contra mpox é destinada prioritariamente a grupos específicos, conforme critérios epidemiológicos definidos pelo Ministério da Saúde. A imunização é focada em pessoas vivendo com HIV (PVHIV) que apresentam maior risco de agravamento da doença, mediante levantamento prévio e agendamento.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Rio de Janeiro retomou a vacinação contra mpox em 6 de novembro de 2026. A imunização será escalonada, priorizando grupos com maior vulnerabilidade a formas graves da doença. Nesta primeira etapa, serão contempladas pessoas vivendo com HIV/Aids com contagem de linfócitos CD4 inferior a 200 células/mm³ e com 18 anos ou mais. A ampliação para outros grupos, incluindo demais pessoas vivendo com HIV/Aids e usuários de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), ocorrerá conforme a disponibilidade e envio de novas doses pelo Ministério da Saúde.

As vacinas estarão disponíveis em cinco unidades concentradoras, incluindo três Super Centros Cariocas de Vacinação com horários estendidos: Botafogo (Rua General Severiano, 91, aberto diariamente das 8h às 22h); Zona Norte (Shopping Nova América, em Del Castilho, conforme horário do shopping); e Zona Oeste (ParkShopping Campo Grande, no horário do shopping). Também haverá vacinação no Centro Especial de Vacinação Dr. Álvaro Aguiar (CEVAA), de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h; e no Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais do Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz (CRIE/INI), aberto de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

Fonte original: agenciabrasil.ebc.com.br

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