O partido Novo permanece sem reconhecer o resultado das eleições presidenciais, mesmo após a proclamação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A diferença entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi de 4,4 milhões de votos.
Logo após a divulgação do resultado, o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, afirmou que "o Brasil não vive uma democracia" e questionou o uso da máquina pública e do Supremo Tribunal Federal (STF) durante a campanha do PT.
"O resultado da eleição é a prova de que o Brasil não é uma democracia. Como se não bastasse fazer uma campanha cheia de mentiras, o PT usou como nunca a máquina pública e o STF pra se manter no poder. Temos três ações pedindo a cassação da chapa de Lula. Cabe agora à Justiça cumprir seu papel, se ainda existe Justiça nesse país", declarou Ribeiro.
Até a última atualização desta reportagem, 27 partidos políticos haviam divulgado manifestações reconhecendo a vitória de Lula. Apenas o partido Mobiliza não havia se manifestado.
Carta golpista de Flávio Bolsonaro e reação do TSE
Após a confirmação do resultado pelo TSE, Flávio Bolsonaro declarou que não reconhecia a vitória de Lula e anunciou que pediria a anulação da votação. Em seguida, fugiu para os Estados Unidos e divulgou uma carta com teor golpista, na qual se autoproclamou "presidente eleito" e acusou fraude eleitoral.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a Justiça Eleitoral conduziu o pleito com segurança e que as eleições transcorreram "dentro da mais absoluta normalidade".
Posicionamento do partido Novo
Em entrevista ao g1, Eduardo Ribeiro afirmou que o partido continuará sem reconhecer o resultado por coerência, já que mantém ações judiciais contra a chapa Lula-Alckmin, ajuizadas antes da eleição.
"Não vai mudar. Primeiro porque seria contraditório a gente reconhecer a vitória de uma chapa que a gente ainda está contestando na Justiça. O Novo tem três ações contra a chapa Lula-Alckmin, todas elas ajuizadas antes da eleição", disse Ribeiro.
Sobre a possibilidade de mudar o posicionamento caso seja derrotado na Justiça, Ribeiro afirmou que o partido avaliará "a decisão e os argumentos".
O partido não se manifestou sobre a carta de Flávio Bolsonaro, mas Ribeiro afirmou que os quadros do Novo estão livres para se posicionar individualmente. Ele também destacou que o partido não questiona a lisura das urnas, mas sim os meios ilegais que, segundo ele, teriam sido usados por Lula.
"Em nenhum momento a gente questionou as urnas. Nós estamos questionando os meios ilegais, no nosso entendimento, que o Lula usou. Por ser um incumbente, por estar na administração pública, por ter a caneta na mão, que fizeram com que a eleição não fosse justa", explicou.
Estratégia e contexto político
Segundo apuração do g1, a postura do Novo faz parte de uma estratégia para atrair quadros da direita que rejeitam o discurso golpista de Flávio Bolsonaro, mantendo-se sem reconhecer a vitória de Lula.
Ribeiro afirmou que o partido não pretende entrar em disputas internas da direita, mas está "de portas abertas" para receber pessoas que se identifiquem com os princípios do Novo.
"O Novo vai estar de portas abertas a todos aqueles que consideram o Novo como um partido de direita, liberal, conservador, que tem princípios, que tem pessoas decentes. O Novo vai estar sempre de portas aberta, mas nós não temos interesse em entrar em rusgas da direita nesse momento", declarou.
Durante a campanha presidencial, o Novo já havia sinalizado ao bolsonarismo, especialmente após críticas do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, a Flávio Bolsonaro, relacionadas a cobranças de dinheiro para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro.
Apesar das críticas iniciais, Zema passou a defender a união da direita para derrotar o PT, mas acabou isolado dentro do partido, com alguns quadros apoiando Flávio Bolsonaro.
Nas eleições, o Novo elegeu dez deputados federais, três senadores e superou a cláusula de barreira, que exige percentual mínimo de votos ou número de eleitos para acesso a recursos e tempo de propaganda.
Romeu Zema ficou em sexto lugar na disputa presidencial, com 326.488 votos (0,27% dos válidos), desempenho inferior ao de Felipe D’Avila em 2022, que teve 559.708 votos (0,47%).







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