Iniciativas digitais e presenciais mobilizam jovens
Entre carreatas virtuais, manifestações em universidades, funks e mobilizações nas redes sociais, apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro apostam em diferentes estratégias para engajar eleitores da geração Z, faixa etária entre 16 e 30 anos.
Algumas dessas iniciativas foram adotadas por apoiadores dos dois candidatos, enquanto outras se destacaram em campanhas específicas, como as carreatas virtuais no Roblox organizadas por ambos os lados.
Carreatas virtuais no Roblox
Uma das ações mais inusitadas foram as carreatas virtuais no Roblox, plataforma de jogos online que permite a criação de ambientes virtuais. Nessas carreatas, os participantes simulam atos do mundo real com buzinaços, faixas e até "showmícios" de avatares de artistas falecidos, como Kurt Cobain e Renato Russo.
O g1 acompanhou um evento organizado pelos apoiadores de Flávio Bolsonaro, onde os participantes vestiam roupas nas cores verde e amarela, utilizavam carros, viaturas policiais e cavalos virtuais, e exibiam placas com mensagens como "Fora Lula" e "Aqui é 22". Também foi observada uma simulação de um carro de som do "Bloquinho do 22".
Já no grupo de apoiadores de Lula, mensagens indicavam a coordenação para manter a organização da carreata, com os avatares vestidos de vermelho e exibindo placas de apoio ao presidente.
Manifestações em universidades de São Paulo
Na cidade de São Paulo, estudantes de diversas universidades realizaram atos em apoio a ambos os candidatos. Após o primeiro turno, estudantes do Mackenzie convocaram uma manifestação em apoio a Lula na Rua Maria Antônia, com participação de alunos da USP e PUC-SP.
Posteriormente, estudantes do Mackenzie, Insper, ESPM e Ibmec promoveram ato em apoio a Flávio Bolsonaro em frente ao Insper, na Vila Olímpia, com músicas críticas à esquerda e o funk que marcou a campanha do candidato do PL.
Os atos contaram com a presença de políticos: Luna Zarattini (PT) e Natalia Boulos (PSOL) falaram no ato pró-Lula, enquanto Lucas Bove (PL) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) acompanharam o ato pró-Flávio, este último por videochamada.
Funk e blocos de carnaval na campanha de Flávio Bolsonaro
O funk ganhou destaque entre os jovens apoiadores de Flávio Bolsonaro, com músicas adaptadas para mensagens de apoio ao candidato e críticas ao PT. Um dos refrões mais conhecidos foi "Quem ficar parado é petista disfarçado".
O funk foi dançado por deputados eleitos pelo PL, como Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano, e também por cantores sertanejos que apoiam Flávio. Em Vitória (ES), o próprio candidato dançou ao som do funk em um trio elétrico, acompanhado por aliados como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL).
Os atos do segundo turno foram inspirados nos blocos de carnaval, com o "Bloquinho do 22" convocado por Nikolas Ferreira, que mobilizou jovens com elementos de festas populares. Um dos eventos na Avenida Paulista reuniu 71,9 mil pessoas no auge, segundo metodologia da USP.
Mobilização dos fandoms na campanha de Lula
Na campanha de Lula, a partir do final do primeiro turno, houve o apoio de perfis dedicados a artistas e grupos de fãs, conhecidos como fandoms, de nomes como Taylor Swift, Beyoncé, Anitta e BTS.
Esses grupos utilizaram estratégias comuns em comunidades de fãs, como mutirões de publicações, compartilhamento de conteúdos e uso de hashtags para ampliar o alcance nas redes sociais.
Em 11 de outubro, representantes dos fandoms se reuniram com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e participaram do ato na Avenida Paulista, onde Lula agradeceu publicamente o apoio dos "fandoms do Brasil".
Adesivos de campanha com estética jovem
Os adesivos de campanha de Lula ganharam versões com frases bem-humoradas, como "Gostosas com Lula", que se tornaram itens de coleção entre jovens nas redes sociais. Usuários compararam os modelos a cartas de jogos e mostraram suas coleções online.
Essa prática também apareceu em adesivos de outros candidatos, como o deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL-SP), aliado de Lula.
Os fandoms distribuíram adesivos que misturavam apoio a Lula e aos artistas, cruzando as duas iniciativas.
Perspectiva acadêmica e pesquisas eleitorais
Issaaf Karhawi, professora da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP), afirma que essas novas formas de engajamento aproximam a política do entretenimento e ajudam a levar o debate político às novas gerações.
"Estes novos formatos ajudam a levar o debate político às novas gerações."
Renato Meirelles, presidente do instituto de pesquisa Locomotiva, destaca que as ferramentas digitais reinventam um comportamento político característico dos jovens, ampliando sua escala.
"O jovem sempre se mobilizou com as ferramentas, a estética e a cultura que tinha na mão. Foi assim no movimento estudantil, nos festivais de música, com os caras-pintadas, com o hip-hop. O que muda agora é a escala. A internet se universalizou, e com ela uma cultura que nasce e circula na rede: o jogo online, o fã-clube, o funk, o meme."
Nas pesquisas do instituto Datafolha realizadas antes do primeiro turno, Lula liderou numericamente entre os eleitores de 16 a 24 anos, chegando a 46%, contra 32% de Flávio Bolsonaro na véspera da votação.
No segundo turno, o cenário mudou no primeiro levantamento, com Flávio Bolsonaro aparecendo com 50% contra 43% de Lula no recorte etário.







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