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Maranhão

Secretário de Segurança de cidade no Maranhão é afastado após áudio vazar pedindo prisão de petistas

O secretário de Segurança Pública de Barra do Corda (MA), sargento James Mota, foi afastado após áudios vazados em que ele sugere a prisão de apoiadores do PT. O TRE-MA acionou a Polícia Federal para investigar o caso.

Por Atualizada em 24/10/2026 às 08:00

Secretário de Segurança de cidade no Maranhão é afastado após áudio vazar pedindo prisão de petistas
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O Secretário de Segurança Pública de Barra do Corda, no Maranhão, sargento da Polícia Militar James Mota, foi afastado do cargo após a divulgação de áudios em que ele defende a prisão de apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT). A repercussão das gravações levou o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) a acionar a Polícia Federal para apurar o caso.

Áudios indicam incentivo à prisão de petistas

Nos áudios, o então secretário afirma que integrantes do PT são "inimigos da polícia" e sugere que a prisão de apoiadores do partido poderia servir como forma de intimidação a outros eleitores. Ele também incentiva policiais militares, ativos e aposentados, a agir contra eleitores do PT e menciona a possibilidade de atuar como fiscal ou delegado durante as eleições.

"Quem é PT é inimigo da polícia, é inimigo da sociedade"

Em uma das gravações, James Mota relata ter encontrado apoiadores do PT distribuindo santinhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em frente a escolas durante o primeiro turno das eleições e afirma ter abordado alguns deles. Também há uma fala de uma pessoa não identificada que pede ao secretário que mobilize a Guarda Municipal para realizar prisões.

Reações oficiais e afastamento

Após a divulgação dos áudios, o prefeito de Barra do Corda, Rigo Teles (MDB), determinou o afastamento do secretário na quinta-feira (22). O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), também anunciou o afastamento do sargento, que é policial militar cedido à prefeitura, e ordenou uma investigação sobre as declarações.

Posicionamentos da Federação Brasil da Esperança e da prefeitura

O vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), informou que a Federação Brasil da Esperança — formada pelo PT, PCdoB e PV — apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral contra James Mota. A federação solicita investigação por possíveis crimes eleitorais, incluindo intimidação e constrangimento de eleitores, além da análise técnica dos áudios e identificação dos participantes das conversas.

A Prefeitura de Barra do Corda divulgou nota em que repudia qualquer manifestação contrária à democracia e ao livre exercício do voto, informa que está colaborando com a Justiça Eleitoral e confirma o afastamento do secretário até o final do pleito eleitoral.

"A Prefeitura Municipal e o Prefeito Rigo Teles reprovam qualquer manifestação ou ação contrária à democracia, ao livre exercício do voto e à normalidade do processo eleitoral."

Esclarecimento do sargento James Mota

Em entrevista ao g1, James Mota afirmou que os áudios foram gravados em um grupo fechado de policiais militares onde brincadeiras e provocações políticas são comuns, inclusive contra ele. Ele reconheceu o uso de expressões fortes, mas negou intenção de ofender eleitores e disse que suas falas sobre fiscalização tinham o objetivo de garantir a lisura das eleições.

"Venho esclarecer a repercussão dos áudios gravados por mim em um grupo fechado de policiais militares, cujo conteúdo acabou vazando. Nesse grupo, são comuns brincadeiras, comentários e provocações de cunho político, inclusive com a participação de policiais que são eleitores do PT."

"Reconheço que, nos áudios, utilizei expressões fortes, como ‘ladrões’, no contexto das críticas políticas e das discussões que ocorrem habitualmente no grupo. Isso, porém, não significa que eu esteja ofendendo indiscriminadamente todos os eleitores de um partido."

"Quando mencionei compra de votos, boca de urna, fiscais e delegados, minha preocupação era com a lisura do processo eleitoral. Essa preocupação vale para os dois lados, sem distinção de partido ou candidato."

"Jamais utilizaria o cargo que ocupo no município ou minha condição de policial militar para beneficiar ou prejudicar qualquer lado político."

"Tentar transformar uma conversa de um grupo fechado, dentro de um contexto conhecido por seus participantes, em uma suposta utilização do cargo público para fins políticos é desconsiderar as circunstâncias em que as manifestações ocorreram."

"Reafirmo meu respeito a todos os cidadãos, independentemente de suas escolhas políticas, e meu compromisso com a imparcialidade, a legalidade e o respeito à democracia."

"Vale ressaltar que essas brincadeiras e provocações políticas aconteciam de forma recíproca dentro do grupo. Da mesma maneira que, em determinadas conversas, utilizei expressões mais fortes, também era alvo de brincadeiras, apelidos e comentários por conta da minha posição política e por votar em Bolsonaro."

O sargento destacou que a divulgação isolada dos áudios pode transmitir uma impressão diferente do contexto real das conversas.

Fonte original: g1.globo.com

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