Uma onda de protestos tem tomado as ruas de vários países europeus, motivada principalmente pelo aumento do custo de vida. Embora o estopim das manifestações varie conforme o contexto local, o sentimento comum é o impacto da alta nos preços sobre a população.
Na Espanha, a situação da espanhola Maricarmen Abascal, de 87 anos, que foi despejada da casa onde vivia há mais de sete décadas por não conseguir pagar o aluguel, mobilizou milhares de pessoas a protestar nas ruas. Simultaneamente, estudantes do ensino médio na França iniciaram uma série de manifestações contra as condições precárias das escolas públicas, movimento que chegou a reunir mais de 500 mil pessoas em um único dia.
O efeito das manifestações se espalhou por países como Alemanha, Itália, Bélgica, Albânia e Sérvia. Na Sérvia, o movimento estudantil conseguiu derrotar nas urnas o partido do presidente Aleksandar Vučić, que estava no poder desde 2014. Apesar das diferenças nos motivos imediatos, o denominador comum é o aumento do custo de vida.
Análise dos protestos e contexto político
Neste episódio do podcast O Assunto, Victor Boyadjian conversa com Thomás Zicman de Barros, cientista político, professor e pesquisador associado ao Centro de Pesquisas Políticas da Sciences Po Paris, autor do livro Do que falamos quando falamos de populismo. Thomás explica as semelhanças e especificidades desses protestos e faz uma comparação com os protestos de Maio de 1968. Ele também analisa as possíveis consequências dessa onda de manifestações para a democracia europeia.
"O estopim dos protestos é diferente em cada país, mas todos compartilham o mesmo espírito do tempo: o custo de vida ficou caro demais."
Contexto das manifestações
As manifestações têm reunido multidões na França, Espanha, Itália, Bélgica e Albânia, com confrontos que incluem o uso de bombas caseiras, pedras e prisões. Em 17 de outubro, a França registrou um protesto com 550 mil participantes, que terminou em confrontos com a polícia em Paris.
O movimento estudantil francês, que começou com protestos contra as condições das escolas públicas, evoluiu para uma mobilização maior que mergulhou a capital em caos. A BBC destaca que a falta de perspectiva de futuro tem alimentado os protestos entre os jovens na Europa.
Além da França, a Alemanha também registrou protestos liderados pela geração Z, que terminaram com roubos em lojas. Na Bélgica e na Albânia, houve confrontos entre manifestantes e policiais.
Aspectos econômicos e políticos
Bruno Carazza analisou as causas econômicas das manifestações pela Europa, enquanto o jornal O Globo destacou que os protestos na Albânia expõem o avanço dos negócios bilionários da família Trump no continente.
O podcast O Assunto é produzido pelo g1, com apresentação de Natuza Nery e equipe formada por Luiz Felipe Silva, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento, Marco Antônio Martins e Thomé Granemann. Desde sua estreia em agosto de 2019, o programa soma mais de 168 milhões de downloads.
Manifestantes devolvem cartuchos de gás lacrimogêneo durante uma manifestação organizada por sindicatos e estudantes contra o custo de vida e o aumento dos preços dos combustíveis, em Paris, França, 31 de outubro de 2026. — Foto: REUTERS/Pedro Nunes






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