O senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, defendeu, nesta quarta-feira (28), o avanço de um projeto que prevê anistia para os condenados pelo 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Otto Alencar admitiu ter mantido conversas sobre o tema com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A discussão ganhou destaque após o senador Flávio Bolsonaro, derrotado na eleição presidencial, deixar o país.
A proposta não seria direcionada exclusivamente a Jair Bolsonaro, mas beneficiaria o ex-presidente, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de estado e que cumpre prisão domiciliar.
"São pessoas que tiveram penas que, segundo os seus defensores, estão bem acima do que se esperava. Não é só o Jair Bolsonaro", afirmou Otto Alencar.
Contexto da discussão e presidência do Senado
A discussão sobre a anistia ocorre em meio à disputa pela reeleição de Davi Alcolumbre na presidência do Senado. O senador busca dividir a direita para conquistar votos desse grupo político.
Para se reeleger, Alcolumbre precisa de pelo menos 41 votos e enfrentará uma Casa com bancada mais à direita. O partido de Flávio Bolsonaro terá 28 senadores a partir de 2027 e contará com o apoio de siglas como o Novo, além de parlamentares alinhados ideologicamente ao bolsonarismo, mesmo que filiados a outras legendas.
O líder da Oposição e coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho (PL-RN), também articula candidatura à presidência do Senado.
Aliados de Alcolumbre afirmam que ele tem conversado com senadores de diversos partidos, inclusive do PL, pregando um discurso de pacificação.
Embora não haja um caminho fechado, o acordo poderia envolver a aprovação de uma anistia, que precisaria ser sancionada pelo presidente Lula, ou um indulto presidencial, que cabe exclusivamente à Presidência da República. Outra possibilidade seria uma revisão judicial das penas.
"A política conversa. Ele é presidente do Congresso, mas não tem um fato ainda", disse uma pessoa próxima a Alcolumbre.
Posicionamento de Otto Alencar
Otto Alencar destacou que o presidente Lula fez um discurso de pacificação após a vitória eleitoral e que é o momento de resgatar o "Lula paz e amor".
"O grande esforço é que se possa agora ter um entendimento para a pacificação nacional. Está na hora daqueles que têm responsabilidade buscarem reduzir a beligerância. E a maioria dos senadores pensa como eu penso."
Segundo Otto, resta definir o momento político adequado para pautar o tema, cabendo a Davi Alcolumbre essa decisão.
Aliados do presidente do Senado avaliam, entretanto, que a saída do país de Flávio Bolsonaro pode dificultar o processo de pacificação, dependendo dos desdobramentos futuros.







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