As contas do setor público consolidado apresentaram um déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro, informou o Banco Central (BC) nesta quinta-feira (29). O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo, sem considerar o pagamento dos juros da dívida pública. O resultado abrange o governo federal, estados, municípios e empresas estatais.
Na comparação com setembro do ano passado, houve melhora, já que naquele mês o saldo negativo foi de R$ 17,5 bilhões. O endividamento do setor público ficou estável em 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no mês passado, o maior nível desde março de 2021, quando a dívida somava 85,1% do PIB.
Desempenho das contas em setembro
O Banco Central detalhou o desempenho das contas públicas em setembro:
- Governo federal registrou saldo positivo de R$ 3,5 bilhões;
- Estados e municípios tiveram saldo deficitário de R$ 5,6 bilhões;
- Empresas estatais apresentaram déficit de R$ 3,4 bilhões.
No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, as contas públicas registraram déficit primário de R$ 94,3 bilhões, equivalente a 0,93% do PIB, pior resultado que o mesmo período do ano anterior, quando o déficit foi de R$ 79,2 bilhões (0,84% do PIB).
Somente o governo federal apresentou déficit de R$ 93,6 bilhões nos primeiros nove meses deste ano, contra R$ 99,6 bilhões no mesmo período de 2025. A meta para 2026 é um déficit de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões, com uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual prevista no arcabouço fiscal aprovado em 2023.
Resultado nominal e dívida pública
Quando incorporados os juros da dívida pública, o resultado nominal do setor público em setembro foi um déficit de R$ 113 bilhões. No acumulado em 12 meses até setembro, o déficit nominal chegou a R$ 1,28 trilhão, ou 9,51% do PIB. Esse indicador é acompanhado pelas agências de classificação de risco para avaliação da nota de crédito do país.
Segundo o Banco Central, as despesas com juros nominais somaram R$ 1,2 trilhão (8,99% do PIB) nos 12 meses até setembro. A dívida do setor público consolidado ficou estável em 82,9% do PIB, o equivalente a R$ 11,11 trilhões, o maior nível em mais de cinco anos.
No acumulado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em pouco mais de três anos, a dívida avançou 11,2 pontos percentuais. A alta está relacionada principalmente ao aumento dos gastos públicos, que geram mais despesas com juros, criando um ciclo que se retroalimenta.
O Fundo Monetário Internacional (FMI), que utiliza um conceito internacional incluindo títulos públicos na carteira do Banco Central, estima que o endividamento brasileiro foi de 95,2% do PIB em setembro. Esse patamar está acima do de nações emergentes, países da América do Sul e da média da Zona do Euro, segundo dados do FMI.
Medidas para conter o crescimento da dívida
Em 2023, o governo aprovou o arcabouço fiscal, que substituiu o teto de gastos e prevê crescimento das despesas abaixo das receitas e um limite para gastos. No entanto, despesas excluídas desse limite continuam pressionando o endividamento para cima.
Analistas recomendam cortes robustos de gastos para conter a dívida e possibilitar a redução da taxa básica de juros. A equipe econômica tem sinalizado a intenção de adotar medidas para conter a expansão da dívida na próxima gestão, que terá início em 2027.







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